Apresentação
agosto 11, 2008
Isto é mais do que um registro biográfico. Creio que preciso justificar-me. E apresento, como credenciais, as verdadeiras razões que levam a apelar para um blog este veterano repórter, com 60 anos de ininterrupta atividade, acompanhando a política brasileira com análise e interpretação.
Foram seis décadas de muitas crises e recaídas ditatoriais, paisanas ou fardadas. Até a mais grave e profunda das crises, a da decadência das instituições nacionais, com o fantasma de mais uma aventura rondando a degradação ética e moral dos três Poderes.
Se apelo para o blog, não é para tapar meus 60 anos de jornalismo com o botox virtual da modernidade. Nem estou fazendo uma concessão gratuita ao modismo. Mas, singelamente, reconhecendo que o blog é a arma que atira a mais longa distância, invadindo o espaço que os jornais cederam à televisão e ao rádio – hoje no desespero da caça ao anúncio que estimula o consumo da classe média e dos pobres com as promoções em série, emendadas como capítulos de novela, de artigos com os preços rebaixados nas liquidações em cascata.
Vi uma sucessão de presidentes e ditadores. Vi a negação de todos os direitos aos regimes democráticos embalados pela esperança de fantásticas mobilizações do povo, que encheu as praças e ocupou as ruas para uma ilusão que está durando menos do que o tempo de uma vida. Do muito que vi, tento tirar o que fica do passado em forma de experiência.
Freqüentei a Câmara dos Deputados na fase de ouro da eloqüência dos maiores oradores do século, até a mudança da capital para Brasília de JK – inaugurada antes de estar pronta, em 21 de abril de 1960. Acompanhei de perto a renúncia do embirutado presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, que por muito pouco não lança o país num confronto militar. Assisti aos erros primários do presidente Jango Goulart. Cobri o o negrume dos quase 21 anos da ditadura militar, com o desfile dos cinco generais-presidente. E o delírio das multidões, na fantástica mobilização das Diretas-já e na revoada de esperanças da redemocratização, que tinha tudo para levar o mineiro Tancredo Neves à presidência da República – portanto, liderando uma Assembléia Constituinte que balizaria o futur – mas não levou. Muita coisa deu errado muito perto de mim nesses 60 anos.
O mais é o ontem e o hoje, no seriado das contradições. Mas um fio fino e quase invisível liga os acontecimentos atuais com o desconchavo dessa crônica que começa com a derrubada do Estado Novo. Posso não saber qual qual será o seu rumo. Mas, até onde meus olhos míopes alcançam, o fio é o mesmo.
Mais do que desconfiar, acredito que todo este longo percurso de seis décadas foi traçado à mão-livre no improviso de erros em série, cometidos no sufoco da urgência, ou ruminados pela ambição do poder. E é o que pretendo começar a contar, numa série de muitos capítulos e lances de emoção.
Os erros, em si, são estúpidos. Mas colecioná-los tem lá a sua graça.
Passo a passo:
1923 – Nasce em 2 de dezembro, no Rio de Janeiro, filho de Merolino Raymundo de Lima Corrêa e Maria Saphira Villas-Bôas Corrêa.
1923 – Muda-se para Cataguases (MG), onde seu pai foi promotor público.
1927 – Muda-se para Carmo do Rio Claro (MG) onde seu pai passou a atuar com juiz de direito.
1929 – Volta para o Rio de Janeiro, acompanhando sua mãe, que contraíra uma rara doença infecciosa (actinomicose), e passa a morar com os avós maternos, Luiz de Castro Villas-Bôas e Evangelina Saphira Pires Villas-Bôas.
1931 – Morre sua mãe.
1936 – Viúvo, o pai, Merolino, casa-se com Carlota Cruz de Lima Corrêa.
1937 – Começa a estudar no Instituto La-Fayette, tradicional escola da classe média tijucana, situado na Rua Haddock Lobo, onde hoje está a Fundação Bradesco. Lá faria todo o ginásio e mais dois anos de complementar (atual Ensino Médio) terminando em 1942.
1940 – Nasce no dia 4 de janeiro, em Araguari (MG) sua meia-irmã, Maria Guiomar Cruz Corrêa, filha de Merolino com Carlota.
1943 – Entra para a Faculdade de Direito da Universidade do Brasil na Rua Moncorvo Filho, Centro, mesmo endereço atual.
1944 – Começa em julho a servir, como convocado, no 2º GAC (Grupo de Artilharia da Costa), na Fortaleza de São João, de onde sairia graduado como cabo, em setembro de 1945.
1945 – Elege-se em junho presidente do CACO (Centro Acadêmico Candido de Oliveira), para um mandato de um ano. Assim, aproxima-se mais da política acadêmica, passando a freqüentar as assembléias da UNE -União Nacional dos Estudantes.
1945 – Entra, por concurso público, no SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social). Assume em setembro, como técnico em propaganda, o que seria o seu primeiro emprego.
1946 - Em 25 de março casa-se, na Igreja São José, Centro, com Regina Maria Bittencourt de Sá, que passaria a assinar Regina Maria de Sá Corrêa.
1946 – Nasce, no dia 21 de dezembro, o primeiro filho, Marcos de Sá Corrêa.
1947 – Forma-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, hoje UFRJ.
1948 - Nasce, no dia 5 de fevereiro, o segundo e último filho, Marcelo de Sá Corrêa.
1948 –Começa, no dia 27 de novembro, seu primeiro trabalho como jornalista, no jornal A Notícia.
1951 – Começa, no dia 4 de junho, a trabalhar no jornal O Dia, onde ficaria até 28 de maio de 1979.
1958 - Começa, no dia 1º de julho, a trabalhar no jornal O Estado de São Paulo, onde ficaria até 9 de maio de 1979.
1966 – Estréia na televisão, no programa Jornal de Vanguarda, na TV Excelsior.
1978 – Nasce, no dia 27 de abril, a neta Joana Ramalho Ortigão Corrêa, filha do Marcelo com Maria Isabel Ramalho Ortigão Corrêa. E, no dia 1º de setembro, o neto Rafael Corrêa, filho do Marcos com Ângela Corrêa.
1981 – Começa, no dia 2 de fevereiro, a trabalhar no Jornal do Brasil.
1981 – Publica, no dia 3 de maio, no Jornal do Brasil, o artigo “A Bomba Explodiu no Planalto”, sobre o atentado a bomba no Riocentro durante as comemorações do Dia do Trabalhador. Este artigo já nasceu histórico, com grande repercussão nacional e até internacional.
1981 – Lança, pela Editora Salamandra, o livro Casos da Fazenda do Retiro.
1983 – Começa, no dia 1º de novembro, a trabalhar na TV Manchete 1986 – nasce, no dia 15 de março, o neto André Ramalho Ortigão Corrêa, filho do Marcelo com Maria Isabel Ramalho Ortigão Corrêa.
1986 – Recebe, no dia 15 de agosto, o título Cidadão Friburguense, proposto pelo vereador Benício Valladares.
1999 – Recebe, no dia 17 de setembro, a comenda “Barão de Nova Friburgo”, a maior honraria concedida pela Câmara Municipal de Nova Friburgo.
2001 – Lança, pela Editora Objetiva, uma nova edição do livro Casos da Fazenda do Retiro.
2002 – Lança, pela Editora Objetiva, o livro Conversa com a Memória – sua história de meio século de jornalismo político.
2002 - Recebe, no dia 4 de dezembro, da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes, proposta pelo deputado Sérgio Cabral Filho.
2005 – Nasce, no dia 21 de setembro, a bisneta Clara Pimentel Corrêa, filha da Joana com Alexandre de Oliveira Pimentel.
2008 – Recebe, no dia 30 de junho, o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, proposto pelo deputado Paulo Ramos. Em novembro, depois de dois meses de testes, põe no ar este blog.
Álbum
de Retratos
Sou advogado criminalista e professor de Lkiteratura Brasileira. Desde a infância vivo entre discos e livros. Sempre leio seus artigos e gostaria muito de receber seus livros para lê-los todos. É possível o Sr. me enviá-los? Meu endereço postal é:
Avenida Marechal Floriano, 187 - Centro
59700-000 - Apodi - RN - Celular: 9919-3177
Sr. Vilas-Boas Correa,
Recebi, com imensa satisfação, a notícia desta via de comunicação, para que os seus artigos continuem a nos iluminar e informar.
Pergunto se é possível o cadastramento para que os interessados - como eu e muitos outros, certamente - passemos a receber notícias de modo automático.
Um grande abraço e parabéns pela firmeza e imparcialidade tão necessários, sempre e hoje mais do que nunca.
Sérgio de Jesus Rossi
Brasília - DF
Quero antes de tudoparabeniza-lo pelo blog, pois com o advento da WEB, seus artigos/cronicas ficam espostos a toda pessoa que navega: interessados ou não em política; jovens; homens e mulheres, we principalmente nos sexagenários, com militância política a mais de 40 anos, e que me interesso pessoalmente pelo assunto, e tambem sou um escriba do dia-a-dia (hoje free lancer). Quero dizer que o admiro, respeito e antes de tudo faço aqui o meu preito de gratidão. Continue Saude e paz Jorge Wilson Pereira
“Rombo” da Previdência Social sobe 10,7% e totaliza R$ 21,5 bilhões no primeiro semestre
21/07 - 15:25 - Agência Estado
A Previdência Social registrou em junho um déficit de R$ 3,381 bilhões, que significou um crescimento de 12,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em comparação a maio, houve alta de 22,9% no déficit.
Segundo os dados divulgados nesta terça-feira pelo Ministério da Previdência, esse déficit é resultado de uma arrecadação que somou R$ 14,063 bilhões e despesas de R$ 17,445 bilhões. A arrecadação de junho cresceu 3,6% ante junho de 2008, mas caiu 2,7% na comparação com maio. Já as despesas aumentaram 5,2% ante o mesmo mês do ano passado e subiram 1,4% em relação a maio.
No acumulado do primeiro semestre, a Previdência Social teve déficit de R$ 21,547 bilhões, o que representou alta de 10,7% ante igual intervalo do ano passado. A arrecadação de janeiro a junho totalizou R$ 82,88 bilhões (crescimento de 5,4% ante o mesmo período de 2008) e as despesas somaram R$ 104,428 bilhões (alta de 6,5%).
COMENTÁRIO:
Que fique bem claro, o famoso “rombo” da Previdência Social não tem origem entre a diferença da despesa efetuada e a receita cobrada das empresas e dos assalariados. Em agosto de 2007, o então ministro da Previdência Social, dizia que haveria mudança na contabilidade da Previdência Social por ter sido um dos consensos a que chegaram os integrantes do Fórum Nacional da Previdência Social que se encerrava na ocasião. Pela proposta aprovada, o cálculo do déficit deveria levar em consideração apenas as receitas e despesas com os contribuintes da área urbana e o Tesouro Nacional ficaria com o reembolso aos cofres do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) pela renúncia da contribuição previdenciária feita com entidades filantrópicas, micro e pequenas empresas e outros setores.
Com a nova metodologia, o déficit da Previdência no ano de 2006 cairia dos R$ 42 bilhões para apenas R$ 3,8 bilhões. ‘As despesas com a área rural, com a renúncia às entidades filantrópicas, e do Supersimples serão financiadas pela seguridade social, com o uso dos recursos da Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) e da parcela de 0,10% da CPMF’, disse na ocasião o ministro da Previdência. ‘Essas despesas não entrarão mais no cálculo do déficit da Previdência, pois serão contabilizadas como assistência social.
Se ainda existe déficit, com toda a certeza o que foi dito na ocasião não foi implantado. Déficit que aparece justamente no momento em que o famigerado Fator Previdenciário, que achata pensões e aposentadorias, pode ser extinto, como disse o senador Paulo Paim. Estranha esta notícia, muito estranha.
Que maravilha tê-lo tão perto.
Com seus artigos, idéias, cultura e vivência.
Deveria ser local de pesquisa obrigatória para todos os cursos.
Pelo menos saberiam o que é dialética.
Abraços,
Luiz Antonio
PS Gostaria de receber tudo isto automaticamente no meu outlook ou blog http://ladelacerda.blogspot.com/
Estou super alegre de finalmente, ter notícias do Vilas Boas Correa. Há quanto tempo procuro! Via no JB mas agora não tenho mais acesso a este jornal. Obrigada. Carmen Lins
Caros Villas Boas,
De seus 60 anos de jornalismo tenho participado como leitor assíduo desde que passei a me entender como gente ao concluir o curso científico no Liceu Muniz Freire (Cachoeiro de Itapemirim - ES), em 1954. Sou testemunha de que suas reportagens em O DIA ( não me lembro bem, mas me parece que o editor era o Samuel Wainner, certo ? ) empolgavam a rapaziada da época, hoje, vetustos senhores como eu e você. Sua iniciativa de criar a home page é mais um serviço que você presta ao Brasil como jornalista sempre ao lado das boas causas. Grande abraço.
Prezado Villas Bôas Correa:
“Eu queria ser claro de tal maneira
que quando eu dissess: rosa,
todos sobessem o que eu queria dizer.
Mas queria ser claro de maneira tal
que quando eu dissesse: já!
Todos soubessem o que deviam fazer”
(De um poeta popular nos antigos Cadernos do Povo, pelos anos 60 citados de memória desmemoriada e por isso defeituosa). Mas serve de introdução para o que eu quero dizer sobre a sua principal virtude: a clareza para dizer as coisas. O manejo das palavras e das frases construindo idéias que demolem as urdiduras dos maus desta república.
Gostaria de escrever como o Sr. escreve, e me sinto feliz por poder dizer isto agora.
Continue atirando. A vitótia pode não vir agora, mas tenho esperança que ela virá e muito deveremos ao Senhor e sua crônicas. Quem viver (Clara p. ex.) verá!
Anderson.
prezado villas-bôas correa, sou escritor, do Rio, e estou escrevendo um livro sobre um personagem da História recente do Brasil que você conheceu e gostaria de conversar sobre isso. Peço-lhe a gentileza de me escrever para fazermos contato pessoal. um abraço.
Também trabalhei no Saps, na Rodriges Alves que aquele tempo até tinha um charme, o Elevado acabou com essa Avenida mas, voltando ao Saps para que servia o Saps ?
Sabes como colocavam o preço? ” Quanto esta a Azitona Red Indian ?” Outro la qualquer respondia. Um descontozinho e éra assim que lançavam os preços.
Pois bem essa repartição tão desorganizada tinha, que constraste, uma excelente oficina mecânica. Os caminhões e carretas do Saps eram todos com motor envenenados, corriam uma barbaridade.
Como abandonei essa repartição:
O candidato JK ia passar pela Rodrigues Alves recebemos diversas caixas de fógos de artifício e disseram que não poderiamos sair antes.
Desci e nunca mais apareci.
Caro sr Villas Boas Correa.
Pela influência do meu pai, grande fã e leitor seu, aprendi a gostar e acompanhar o “jogo político” brasileiro. Pela indicação dele aprendi também a apreciar seus comentários politicos.
Agradeço pelos excelentes artigos que ao longo de todos estes anos sou prazerosamente forçado a ler.
Um grande abraço
Prezado Villas-Bôas:
Achei magnífico seu resumo biográfico, prenúncio do excelente blog,de leitura obrigatória para quem quer ser bem informado sobre os acontecimentos da política nacional.
PARABÉNS PELO BLOG,SOU SEU LEITOR A MUITOS ANOS,FONTE DE INFORMAÇÃO SÉRIA.
GRANDE ABRAÇO,
FRATERNALMENTE,
RAY PINHEIRO
BRASILIA-DF-BRASIL
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Fico visivelmente FELIZ ao ler e ouvir, quando era possivel, os comentarios do VILLAS, se permites a intimmidade, Villas é um dos remanescentes do jornlista da velha “cepa”. Claro, sintético e objetivo e principalmente com o compromisso com o seu público.