O presidente e o caseiro
    setembro 5, 2010

O presidente e o caseiro

Villas-Bôas Corrêa

Só com extrema complacência ou ingenuidade em dose cavalar de palermice dá para engolir a pílula da boa fé oficial na azarada manobra para desqualificar o depoimento do caseiro Francenildo Santos Costa, que injetou sangue novo na veia da CPI dos Bingos com o envolvimento do intocável ministro da Fazenda, Antonio Palocci, nas sujeiras da Casa do Lago, reduto da turma de Ribeirão Preto de múltiplas serventias.

Falando com desembaraço, em tom humilde e respeitoso, o caseiro confirmou que viu, com os olhos da bisbilhotice profissional, umas dez ou vinte vezes o ministro no ninho da luxuosa casa na área da nobreza brasiliense, conservando na memória detalhes como o carro Peugeot prata, Tdirigido pelo ministro, sempre recebido com os salamaleques e reverência e tratado como chefe..

O ministro nega e jura de dedos cruzados que alguma vez tenha estado na casa suspeita. Enfatiza: “Não estive lá nenhuma vez”. Com toda a credibilidade justamente merecida pelo desmentido ministerial, ressalve-se que segredo como este é de levar para o túmulo, não se confessa nem sob tortura.

Aos fatos: aos quarenta minutos do arrasador depoimento do caseiro Francenildo na CPI dos Bingos, a manobra articulada no Palácio do Planalto, com o conhecimento e a lógica aprovação do presidente Lula, reverteu o quadro, em cambalhota mortal: o pedido de liminar, encaminhado às pressas pelo líder do PT, senador Tião Viana e acolhido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a exposição do caseiro e armou um salseiro, com desdobramentos e desfecho imprevisíveis..

O governo deu a impressão que encostara a oposição no canto do ringue, sob uma saraivada de murros. Além de calar o caseiro, a suspeita de que milhares de reais foram depositados na sua conta bancária às vésperas do seu comparecimento à CPI foi reforçada pela publicação pela revista “Época”, de extrato bancário, emitido às 20h28m de quinta-feira e comprovam depósitos na sua conta na Caixa Econômica Federal no total de R$ 38.860

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Pois o pirão encaroçou. O sigilo bancário foi quebrado na marra, sem autorização da Justiça. E, por caipora coincidência, na hora em que o extrato foi emitido, o titular da conta estava na Polícia Federal para se inscrever no programa de proteção a testemunhas na esmagadora prova de violação ilegal do seu sigilo bancário.

O pior estava a caminho. O caseiro, com o testemunho da sua mãe, dona Benta Maria dos Santos Costa, desfiou o segredo doméstico que a família preservava. Francenildo é filho do empresário municipal de Teresina, Eurípedes Soares da Silva, que resistira a reconhecer a paternidade no registro civil. Ao fim de longas tratativas, com assistência de advogado, chegou-se a acordo e Francenildo desistiu da ação de reconhecimento de paternidade mediante a doação de R$ 30 mil em dinheiro e o restante a ser quitado em parcelas já depositadas na conta do filho na Caixa Econômica Federal.

Em poucas linhas, o resumo de história edificante encurrala o governo, com o PT de contrapeso, na denúncia de montagem de escabrosa trama para calar a testemunha incômoda que revelou a existência de um esconderijo da turma de Ribeirão Preto, às margens do romântico Lago Azul de Brasília, de múltiplos usos e conveniências, seja como alcouce de encontros e farras as trampas da alta e da baixa politicagem. E que entre seus freqüentadores de regular assiduidade, destacava-se o reverenciado chefe, ministro Antônio Palocci.

As peremptórias negativas do ministro da Fazenda, escoradas na sua credibilidade, aconselham obedecer à regra clássica de exigir apuração exemplar antes da ofensiva exigindo a sua demissão, negada por Lula.

Mas, a mancha indelével na desbotada bandeira vermelha que o PT exibirá na campanha recordará a hipocrisia da legenda popular em seus dourados tempos de requebros esquerdistas, pilhada à frente das velhacarias e burlas para desmoralizar o humilde caseiro que atendeu à convocação da CPI para contar o que é, até agora, a sua verdade.

No contra-ataque, a querela entre governo e oposição atolou no pântano da baixaria. No jogo sujo, a pausa para o pitoresco da hipótese levantada a sério pela líder do governo no Senado, senadora Ideli Salvatti, de que o caseiro poderia ter esquecido o seu extrato bancário em algum lugar e mãos prestimosas recolheram a prenda e a encaminharam à divulgação.

Descomposturas, acusações, suspeitas, exageros, bobagens entre senadores de cabelos brancos e que azedam os debates na CPI dos Bingos não justificam os melindres registrados pela mídia. Simples rotina nos intervalos de atividade na semana de dois a três dias úteis do Congresso convertido ao modelo ético do baixo clero.

Quem tem contas a prestar, e com urgência, além da Polícia Federal, é a Caixa Econômica Federal informando o resultado da simples sindicância sobre a ilegal quebra de sigilo do caseiro Francenildo, antes que o PT complete a sua lapidação.

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Um velho artigo que merece ser reproduzido para a leitura nos vagares do feriadão. Do Villas.

 
 

A cueca do magistrado
    setembro 4, 2010

A cueca do magistrado -1-

Villas-Bôas Correa

O irreverente, malicioso e abundante folclore político do Rio Grande do Norte – dos mais ricos que conheço – registra venerando caso, contado e repetido com todos os pormenores da veracidade, desde nome, o dia, hora e local, envolvendo magistrado de reputação ilibada, conhecido como modelo de honradez, severidade, biografia exemplar na vida pública e no recato da austeridade doméstica.

Casado com senhora de virtudes celebradas, com prole numerosa e alguns netos alegrando a casa, pautava sua rotina com regularidade tão precisa quanto cronômetro suíço. Morava em Natal, em casa ampla, com jardim e pomar, na praça principal. Do outro lado, o edifício do Palácio da Justiça, com as marcas do tempo, sinais da imponência castigada pelas paredes desbotadas, escadaria com degraus gastos. Podia-se acertar o relógio: à mesma hora, de segunda à sexta-feira, o desembargador atravessava a praça, em passo cadenciado, impecável no terno completo, o indispensável colete, o relógio no bolso, a corrente de ouro presa na casa do botão, tocava a aba do chapéu no cumprimento amável aos conhecidos e desaparecia no palácio da Justiça. Ao final do expediente, com o acréscimo de minutos para arrumar as gavetas, refazia o itinerário.

Mas, lá uma tarde, na quentura do verão nordestino, o desembargador regressou à casa, na forma do costume, dirigiu-se ao quarto, seguido da esposa, para trocar o terno pela simplicidade das roupas mais leves e usadas. Distraído, enquanto relatava as maçadas do dia, sacou o paletó, desfez o laço da gravata, despiu o colete e arriou o suspensório para livrar-se das calças.

A mulher, despejou a surpresa na irritação da pergunta, a exigir explicação imediata:
-Horácio, onde você esqueceu a cueca?
Pilhado em flagrante, o desembargador improvisou a saída na indignação, botou a boca no mundo, atroando aos berros:
-Ladrões! Roubaram a minha cueca!
Investigações minuciosas desvendaram, em suas minúcias e fofocas, o romance do exemplar magistrado com a sua secretária.


PS- Qualquer semelhança com episódios da campanha eleitoral vai além da simples coincidência.

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Por quê não voto
    julho 27, 2010

Fácil de explicar: esta eleição não vai mudar nada, é mais um capitulo da mesma novela. Os 21 anos da ditadura militar destroçaram a democracia.Foi a mais desgraça, o mais dramático infortúnio de todos os tempos. Não pode ser comparados com a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, um estadista que cometeu o erro de esticar o regime de exceção, insustentável com a derrota de Hitler - Mussolini e o fim do nazismo e do fascismo.

A ditadura militar é uma novela trágica com muitos capítulos. Começa com a dupla traição do Jan-Jan na eleição do patusco Jânio Quadros, com Jango na vice-presidência. Jânio traiu Milton Campos, o mais completo homem público que Carlos Castelo Branco conheceu- com o apoio em pobre disfarce de Jango: manobra para golpe da renúncia aos oito meses de mandato. E a rejeição de Jango pelos militares.


O presidente Juscelino Kubitscheck construiu Brasília em tempo recorde para a garantir a volta no JK-65. Mas, obcecado pela volta triunfal, inaugurou a Brasília antes de estar pronta. E sem a emenda constitucional para definir a nova capital como o distrito federal, séde dos três poderes, administrada pelo escolhido de livre nomeação do presidente da República. Sem os babilaques de governadores eleitos e que favelizaram a capital como o Roriz, candidato a mais uma reeleição, candidato franco favorito nas pesquisas, com os votos dos que nomeou na farra do inchaço das mordomias. A distribuição de pacotes das propinas do suborno, escondidas nas meias, nas cuecas, nas bolsas do show de roubalheira vistos nas telas da televisão é o enterro do sonho de Lúcio Costa e de Oscar Niemayer e o castigo do pecado mortal de JK.


A mediocridade da campanha eleitoral, com a candidata Dilma que nunca viu o voto e deve ser eleita, como favorita nas pesquisas, pela popularidade recordista do presidente Lula ou a improvável mas não impossível virada do candidato oposicionista, o tucano ex-governador de São Paulo, José Serra não alimenta ilusões. Reforma constitucional só com Assembléia Constituinte. E os novos senadores e deputados, os reeleitos ou os estreantes não abrirão mão dos privilégios, da fuzarca das mordomias do melhor emprego do mundo.


A ditadura militar deixou a herança maldita de um Congresso desmoralizado, de baixo nível com as exceções de escassa minoria. E não vamos ter renovação nenhuma. Vamos trocar seis por meia dúzia.

 
 

A presidenta torturada
    julho 22, 2010

A eleição da candidata de Lula, ex-ministra Dilma Rousseff, favorita em todas as pesquisas e só ao longe ameaçada pelo candidato da oposição, o ex-governador tucano de São Paulo, José Serra, terá ainda uma salutar conseqüência com a confirmação irrefutável da pratica rotineira de tortura durante a ditadura militar, agravando-se a partir do segundo marechal presidente Artur da Costa e Silva – de 15/3/1967 até o seu afastamento por doença, em 31/08/1969.
A ditadura militar caprichava na violência, na tortura, na coleção de mortos e desaparecidos durante os anos de chumbo. Ora, se candidata de Lula for eleita, e como foi presa por mais de três anos e barbaramente torturada, como é sabido e notório, a potoca de que jamais houve tortura durante os 21 anos da ditadura militar, desaba como pau podre em dia de ventania.


Não é um dado desprezível, embora o presidente Lula e a candidata passem por cima da tortura durante a ditadura militar, que só seria proibida no governo do general-presidente Ernesto Geisel, as partir da morte do jornalista Wladimir Herzog, na câmara de horrores de São Paulo.
Se a crise ética que contamina o Executivo e apodrece o Congresso, com o contra-peso do escândalo permanente da degradação de Brasília, a cidade construída por JK, inaugurada antes de ficar pronta e lentamente destruída pela indiferença da ditadura militar e por todos os governos civis, com maior ou menor intensidade.


A crise que vai chegando de vagar e não se sabe quando e como terminará, brotou e continua crescendo no monstrengo de quase três milhões de habitantes da capital com todos os vícios e escândalos do inchaço doentio.
De nenhum dos candidatos, no blá-blá-blá dos improvisos com papel carbono, ouve-se um pio sobre a decadência de Brasília e a ameaça de mais um mandato do notório Roriz de tal.


É de sentar e chorar lágrimas de esguicho. De sangue.

 
 

Aos leitores
    julho 14, 2010

Aos leitores

Não bastasse a minha angústia com a doença da minha mulher, Regina, companheira de 61 anos, que fará na próxima semana um penoso exame de colonoscopia virtual, desaba o Jornal do Brasil, com a mistificação do jornal virtual para enganar os trouxas.


Este Blog em nada será alterado. Ao contrário, tentarei encontrar maneiras de arranjar alguns pequenos que paguem o custo.


Gratíssimos aos colaboradores que debatem neste espaço livre idéias e opiniões. E desculpem eventuais ausências, antecipadamente justificadas.

 
 

Lula volta com outra conversa
    julho 9, 2010

É indisfarçável a perplexidade dos petistas e dos envolvidos na campanha da candidata Dilma Rousseff com a longa ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em espichado giro pelo mundo e que se prolonga além do razoável nesta fase decisiva da briga pelo voto.

Entre palpites e embaraços, as versões se sucedem e duram menos que uma rosa. E como ninguém sabe exatamente o que está acontecendo, boatos circulam nas constrangidas declarações que nada explicam.

No pomposo comando da campanha da candidata oficial, uma das mais recentes lorotas plantou a tolice que Lula pretende licenciar-se da Presidência em setembro, portanto na reta da chegada, para a dedicação à caça ao voto durante as 24 horas do dia e da noite insone, até as eleições. Para amortecer o espanto e deixar uma janela para a saída, o comando petista composto de anônimos esclarece que a licença de Lula vai depender do resultado das pesquisas lá pelo fim de agosto.

A potoca tem pernas curtas. Nas lonjuras de Nairóbi, Lula aproveitou a presença dos repórteres que o acompanham para o desmentido do mais exemplar bom senso e oportunidade. E foi claro no recado aos fofoqueiros: “Se um dia tivesse pensado em me afastar da Presidência para fazer campanha, seria para ser candidato a alguma coisa. Pois, seria leviandade achar que abdicaria de um dia do mandato de presidente para me dedicar a alguma outra coisa”.

No morde-e-assopra, Lula repetiu que a melhor maneira de ajudar a campanha de Dilma é fazer um bom governo. Está pronto a gravar programas de rádio e televisão, que são mais eficientes do que comícios. E foi enfático e preciso: “Não há nada mais importante para mim do que governar o Brasil até 31 de dezembro.”

A candidata Dilma continua batendo os seus recordes de excentricidades, como o de guardar em casa R$ 113 mil do seu respeitável patrimônio de R$ 1,06 milhão, segundo a sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dilma não está passando por aperturas financeiras. Pois, o PT paga tudo: um salário e as despesas de campanha.

Antes de pegar o avião de volta ao Brasil, o presidente Lula, desmentiu que pretenda trabalhar em algum organismo internacional. Não sabe ainda exatamente o que vai fazer depois de deixar o governo, em 31 de dezembro, nem que se preocupar com isto, e frisou nem com o processo eleitoral.

Tem todo o jeito de um recado com endereço certo.

 
 

Quem tem medo do eleitor
    julho 6, 2010

Quem tem medo do eleitor?

Villas-Bôas Corrêa

A derrota da Seleção de Dunga não surpreendeu apenas a virtual unanimidade do país, mas bateu de cheio, como uma Jabulani enlouquecida, na campanha política que esperava sair à rua no oba-oba do hexacampeonato.

E que começou frouxa, sem graça, com a candidata Dilma virtualmente empatada com o candidato tucano, o ex-governador paulista José Serra e a Marina Silva, magrinha e obstinada, na sua cruzada pela proteção do meio-ambiente.


Do fiasco da Copa, vamos esquecer pouco a pouco, no ritmo dos batimentos cardíacos de cada um. E repassando na memória, com a serenidade apaziguada pela sensatez, algumas injustiças. A começar pelo melhor goleiro do mundo, Júlio César que, a meu ver, não falhou no primeiro gol, mas, foi Felipe Mello, quando estava pronto para defender a Jabulani.
E jamais teremos uma explicação, mesmo confusa, para o erro da convocação de Kaká, fora de forma e sem condições e sem um substituto entre meia dúzia para a escolha de Dunga. De Ronaldinho Gaúcho que se dedicou durante toda a temporada para recuperar a antiga forma e comprovou em vários jogos do campeonato italiano que estava com 90 % da sua melhor fase.


São as águas de julho que ainda inundam vários estados do norte-nordeste e do sul. E que deixaram milhares de desabrigados nesta antiga capital de tempos que quem passou dos setenta janeiros ainda conserva na saudade.
A campanha, afinal começou oficialmente a partir de terça-feira, 6, com os candidatos autorizados a reunir multidões nos comícios, milhares nas carreatas e na apresentação de propostas na Internet, em sites próprios e em e-mails para endereços previamente cadastrados. A Justiça Eleitoral está caprichando para esquecer a humilhação imposta pelo presidente Lula e a sua candidata, Dilma Rousseff, que ignorou as multas aplicadas pela ostensiva desobediência à lei, e que ele não pagará com o dinheiro do seu bolso, pois “o PT paga tudo”.


Uma estranha campanha eleitoral, com o presidente em giro por seis paises africanos onde já esteve onze vezes, visitando 24 países.
A longa ausência em tempo de uma mofina campanha eleitoral será espichada até a final da Copa do Mundo, dia 11 de julho, em Johannesburgo, onde o presidente Lula cumprirá o ritual de chefe de Estado do país que receberá simbolicamente a missão do país de sediar a Copa

 
 

A Copa perdida merece perdão
    julho 2, 2010

Antes de condenar o Dunga às chamas do capeta ou excomungar os jogadores que perderam a Copa do Hexa que considerávamos no papo com as três vitórias iniciais, convém calçar as chinelas da humildade para reconhecer que a Holanda mereceu ganhar com uma Seleção de alto nível que jogou com garra e disciplina.

Ora, somos há muitas décadas um exportador de craques para o mercado mundial, enquanto os campeonatos estaduais, do Amazonas ao Rio Grande do Sul não conseguem manter os jogadores que formam nem por um campeonato. Os cartolas não gostam de futebol, mas da projeção e da sensação de poder. E nem siquer têm prestígio político para arrancar do pior Congresso de todos os tempos uma legislação que garante o direito do clube que forma o craque a mantê-lo durante prazos razoáveis. A praga dos corretores da trampa da venda de jogadores para os mercados internacionais zomba de uma fiscalização de anedota.


Se nada for feito, teremos que nos conformar com a decadência do futebol brasileiro e a venda de promessas para os mercados do mundo. A derrota para a Holanda que nos expulsou da Copa da África do Sul reclama uma análise crítica, severa mas criteriosa, da crise do mais popular dos esportes. E, antes que o tempo descore a derrota, é urgente iniciar a apuração do escândalo que vinha rolando nos ziquezagues da Jabulemi, a bola da Adidas, que parece que caiu do alto de uma excusa negociata na Copa da África do Sul. Pelas nossas bandas ninguém sabia da sua existência. E nem as primeiras reclamações de alguns craques, como o nosso goleiro Júlio César que qualificou de horrorosa a bola que parece enfeite de botequim, leve como pluma ao vento, que enlouquece os goleiros com a sua trajetória aloprada, mudando de muro, para cima ou para baixo. Aposto que nenhum campeonato em todo o mundo será disputado com a Jabulemi.


Mas, é pouco. Claro que não se pode cogitar de anular a Copa das zuzuzelas da sofrida e generosa população da África do Sul. Mas, a FIFA dos velhinhos que adoram o futebol nos gabinetes refrigerados tem o dever moral que apurar a tramóia da Jabulemi.

E nós, os derrotados pela sólida e dura Seleção da Holanda, chorar na cama que é lugar quente e depois de enxugar as lágrimas cuidar da a
reabilitação do futebol exportador de craques para não repetir o vexame em 2014, com a Dilma Rousseff na presidência, Lula correndo o mundo e o vice de José Serra, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) tecendo os fios para se candidatar à Presidência da República.

 
 

A virada tática de Lula
    junho 26, 2010

Para começo de conversa, embora seja óbvio, busco o atalho da especulação ao procurar entender a mudança no comportamento do presidente Lula nos últimos dias - como que despertado para os seus deveres diante da calamidade que maltrata especialmente os desabrigados em Pernambuco e Alagoas, em que a cidade de Branquinha, totalmente destruída pela enchente terá que ser reconstruída, com a transferência do centro para longe do rio Mundaú que provocou 35 mortes, mais de 47 mil desabrigados e 76 desaparecidos – mudou a sua agenda, para rever as suas prioridades.


Mais de 15 cidades estão em estado de calamidade. Além de Branquinha, Quebrangulo, Santana do Mundaú, Joaquim Gomes, São José da Laje, União dos Palmares, Paulo Jacinto, Murici, Rio Largo, Viçosa, Atalaia, Cajueiro, Capela, Jacuipa e Satuba.


Lula não tem com que se preocupar com a sua sucessão. Mais uma vez, a oposição se encarregou de perder a eleição na véspera, com as hesitações e crises internas. É de evidência que entra pelos olhos que o candidato tucano, o ex-governador José Serra passou para o país a imagem da indecisão, que só empurrado pelo fim dos prazos legais descobre o óbvio.

E Lula move as peças no tabuleiro, de olho na paralisia oposicionista. Com a Copa do Mundo nas oitavas de final, Lula aguarda a definição dos finalistas para decidir se a Seleção de Dunga não pagará os erros na convocação, evidentes e inquestionáveis com os fracassos do embirutado Felipe Mello. Júlio Baptista, Michel Bastos, além de outros. Se a Seleção chegar à final, em 11 de julho, dificilmente Lula resistir à tentação de um pulo a Johannesburgo para voltar com os campeões do mundo se a Jabulani, a bola que parece enfeite de botequim não enganar o maior goleiro do mundo, o Júlio César da nossa confiança.


A disparada da candidata de Lula, Dilma Rousseff nas últimas pesquisas e a crise na escolha do vice do tucano José Serra antecipam com alto índice de probabilidade a sua eleição. E Lula deve conversar com os seus botões para não cometer o erro de querer mandar na presidenta. Até o anúncio de Lula das viagens pelo país, depois de deixar o governo. Pois o que fará o ex-presidente em viagens de candidato pelo país. Ou viaja como turista – e PT paga as contas – ou viaja pelo mundo para não ser esquecido. A vida do ex não é invejável para quem não calça as chinelas da humildade.

 
 

A Jabulami dá a Copa a Alemanha
    junho 18, 2010

Entende-se que jogadores, técnicos, jornalistas ou torcedores de todos os cantos do mundo se queixem da surdez com o som das vuvuzelas sopradas pelos pulmões dos hospedeiros da Copa do Mundo. Menos os sul-africanos, donos da peça e seus usuários. Para os demais não chegam a ser um som musical, mas que perece vir das profundas do inferno.

Mas, vá lá. Muito mais suspeita é a oficialização da Jabulami como a bola da Copa. Ora, a Jabulani não é uma bola de futebol. Nem ao menos parecida, seja na aparência enfeitada como fantasia de carnaval e muito menos com as centenárias bolas de vários esportes. Ou de todos os esportes com a mesma bola oficial com as adaptações ao basquete, ao vôlei de quadra ou de praia e ao futebol, sejam das peladas a todos os campos do mundo.

Se a Jabulani for oficializada como a bola do futebol, a mesma providência deverá ser adotada para a bola de basquete, do vôlei de quadra e de praia, além do futebol de salão, de praia e até de peladas. E tropicamos nos pedregulhos das suspeitas. Mais do que suspeitas, das evidências que inauguraram as vitórias na primeira fase e, calou as queixas nas derrotas da bola.
Os ainda aprendizes da Seleção dos donos da casa não suspeitaram das dificuldades para o controle da bola-perereca, que salta para todos os lados, desobedece os passes e chutes com desvio sem direção.Ficamos devedores ao atacante Thomas Müller, da Seleção Alemã, a única até aqui que parece amiga de infância da Jabulani, que estreou contra a inocente Austrália com vitória de 4 a 0 e apontada como a favorita da Copa. O didático Thomas Müller puxa a orelha dos trouxas: “ Todas as equipes conseguiram preparar-se com a Jabulani antes da Copa do Mundo”. E no arremate que soa como confissão: “O fato de estarmos jogando com esta bola há varias semanas não muda muito as coisas”. Foi adiante: “Não vou mais falar disso, é tão superficial, talvez uma desculpa para equipes que não tiveram muito êxito em sua primeira partida”.
Não foi único a dar o serviço. O zagueiro inglês Jamie Carragher denunciou que “a Jabulani dá vantagem à Alemanha porque seus jogadores a usaram no Campeonato Alemão esta temporada”.

E agora? Como fica o Kaká como propagandista da Jabulani? A Jabulami não é uma bola de futebol. Mas, a bola distingue quem a trata com carinho de quem dela escarnece. A derrota da arrogante Alemanha, que treina e joga há mais de ano com a Jabulani, para a modesta Sérvia foi a vingança da Jabulani. Nem com um pênalti a favor e a Jabuleni domesticada como o cachorro de luxo.

A bola vinga-se de quem dela debocha. Adeus, Jabulani…