Os números não mentem jamais…
março 1, 2010
A velha canção dos meus tempos de rapaz, que o Orlando Silva, o maior cantor do Brasil em todos os tempos, gostava de soltar a voz trepado no alto da mangueira do quintal da casa suburbana de seus pais, ainda de calças curtas, a popularíssima Manuelita que ensinava que “os números não mentem jamais…” Nem mesmo o preto no branco das pesquisas que começa a rabiscar o cenário da campanha eleitoral que, privilegiada com a pista livre para a candidata do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff, apressa o candidato da Oposição , o governador de São Paulo, José Serra, que procura na praça o companheiro de chapa e assiste a candidata adversária disparar na gangorra da indecisão.
Vamos aos números da pesquisa do Datafolha. No confronto de José Serra com Dilma, de 14 a 18 de dezembro de 2009, os 37% da dianteira do candidato da oposição despencaram para 32% na última pesquisa de 24 a 25 de fevereiro de 2010. Na mesma faixa, Ciro Gomes provável candidato do PSB, de 13% escorregou para 12%, dentro da margem de erro. E a ex-ministra Marina Silva, candidata do Partido Verde, manteve-se em 8%.
Por enquanto, a banca dos boatos registra a óbvia euforia dos petistas, que pularam na garupa da candidatura da ministra, engolindo em seco a escolha pessoal do presidente Lula, que não ouviu ninguém. Mais autêntico é o soar de alerta nas fileiras atordoadas da oposição. Se a candidata de Lula disparar nas pesquisas, a única alternativa do governador José Serra será disputar a reeleição com folgado favoritismo. E a oposição terá que voltar a Minas para retomar a conversa com o governador Aécio Neves para o reexame das duas cancelas de saída: a candidatura à vice-presidente que o governador nunca admitiu ou a mais ousada candidatura a presidente. As saídas pela porta dos fundos.
Serra e Aécio devem se reunir esta semana em Belo Horizonte. È improvável que renda mais do que declarações escapistas e espaço na imprensa. E a oposição centra as críticas na candidata e evita o confronto direto com o presidente Lula que é grande eleitor, com a aprovação nas pesquisas acima de 80%. Esta primeira arrumação da casa deve-se à iniciativa de Lula, que partiu para a campanha fora dos prazos legais, para o teste da viabilidade da sua candidata. E jogou de peito aberto, indiferente ao esperneio da oposição e da penca de recursos ao Supremo Tribunal Federal.
Nada mais detêm a campanha, pois não se cerca fogo de morro abaixo. Acuados, os líderes de uma oposição frouxa e desinteressada só têm a alternativa de criticar o governo, nas suas contradições, na orgia da gastança, nos reajustes de salários de categorias privilegiadas de funcionários, nas nomeações nitidamente políticas, na roubalheira de Brasília e na coleção de tiradas pornográficas dos improvisos presidenciais. E as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da recuperação da rede rodoviária em petição de miséria andam no mesmo passo da reconstrução das imensas áreas por quase todo o país, devastadas pelas enchentes de uma das piores fases dos últimos anos.
.
Álbum
de Retratos
Velho não se livra do saudosismo. Villas
Vai se configurando um dos cenários previsto por Ciro a qual Serra desistirá da candidatura a presidente. Com a desistência de Serra o PSDB ficara sem candidato e aí terá que aceitar as condições impostas por Aécio para retomar condição de candidato da oposição.O que Aécio irá exigir do PSDB? Resposta que, talvez, o seu amigo Ciro já sabe
Caro Villas-Bôas:
Como octogenário, também sou saudosista e fã do grande ORLANDO SILVA, o “cantor das multidões”.
Concordo inteiramente com o texto e a afirmativa de que “os NÚMEROS não mentem jamais”, mas atrevo-me a questionar se a letra da canção citada (Manuelita) é referente à valsa MANOLITA (de Leo Daniderff – versão de Eduardo das Neves) cujos versos dizem:
”crê no que digo e verás, que as CARTAS não mentem jamais”. Faço o comentário com espírito de colaboração. Um abraço do leitor e admirador Luiz Lopes.
Já tem quem suspeite até que o PSDB queira convocar FHC para a disputa. Mas acho uma hipótese bem improvável.
A pergunta que fica é: Aécio está sorrindo?
Caro Villas-Bôas Corrêa:
Em uma corrida, quando um concorrente parte antes de ser dada a partida, esta é anulada e o precipitado fica sujeito a ser retirado da competição, caso reincida. Tivesse o candidato da oposição e os outros, também, que vão participar da próxima eleição; seguissem o mau exemplo de quem deveria primar pela lisura, iriam ser eliminados por plágio e a candidata do “Executivo” não precisaria continuar tentando enganar o povo. Nunca me passou pela cabeça tamanho absurdo. Estamos assistindo um drama bufo, encenado contra o País.
Meu caro Luiz Lopes da Silva: mãos à palmatória. DEsta vez, na dúvida, acabei errando duas vezes. No texto, digitei Manoelita e o dicionário só registra Manuelita. Corrigi o certo pelo errado.
Mas, como o erudito amigo sabe, o Orlando nunca incluiu a Manoelita em seu repertório. Em depoimentos recontava a caanoria quando garoto trepado na mangueira da casa suburbana da família. Obrigado pela sua atenção. Do Villas
Caro Villas-Bôas:
Sinto-me honrado com a sua resposta.
O pequeno equívoco em nada invalida o texto.
É certo que Orlando Silva não incluiu a referida valsa em seu enorme repertório. Como também é factível que a tenha cantarolado trepado na mangueira da casa dos pais, conforme consta do texto,o que não se pode contestar.
Jamais cometeria a insensatez de tentar corrigir qualquer escrito do nosso ilustre mestre.
Considero grande generosidade de sua parte tratar-me como “erudito amigo”.
Erudito, sei que não sou, mas ser tratado como amigo representa para mim um enorme privilégio. Luiz Lopes
Luiz Lopes da Silva. A memória na última lona corrigiu o erro. Manoelita é o nome da canção. Agora, sei que na canção são as cartas que não mentem jamais. Mas, os numeros tambémnão mentem. Nós é que enganamos, às vezes de propósito. Renovo os agradecimentos pela sua atenção E mwe corrija sempre que a memória falhar. Abraços do Villas
Prezado Villas Bôas-Corrêa
Conheci Orlando Silva através de meus pais, - que são de sua geração - quando eu ainda era um adolescente. Mas foi num LP de novela, “Escalada”, da Tv. Globo, de 1975, trilha nacional, que eu pude ouví-lo melhor, assim como a Francisco Alves. De Orlando são duas gravações: “Aos Pés da Cruz” e “Lábios que Beijei”. Chico Alves apenas uma: “A Voz do Violão”. Gostei por demais! Essas músicas incorporaram-se ao meu repertório pessoal, de meu cotidiano de pintor e ilustrador. Pouco tempo depois comprei LPs dos dois cantores, e os conservo até hoje. Tenho também CDs dos mesmos, claro! Muito obrigado pelo espaço e saúdo a iniciativa deste blog.
J. G. Fajardo
Mas enganam.
Fôlego para Serra
O último Datafolha suscitou comoção exagerada. As médias dos principais institutos apontam para o estabelecimento de duas linhas paralelas: José Serra na faixa dos 35% e Dilma Rousseff na dos 28%. A tendência é esse quadro permanecer, até o acirramento da disputa, a partir de julho.
As oscilações apontadas pelo Datafolha foram construídas pela agressiva campanha midiática empreendida para salvar a candidatura Serra. Houve peças publicitárias financiadas pelo contribuinte paulista; nenhum analista mencionou-as porque possuem uma conotação explicitamente eleitoreira e, portanto, ilegal. Mas houve também ativa contribuição dos grandes veículos “jornalísticos”, fabricando noticiário e colunismo escancaradamente favorável ao governador.
É um equívoco menosprezar a pesquisa. Seu resultado era previsível. Serra conta com uma competente assessoria de comunicação, gigantesca máquina administrativa, apoio da mídia corporativa. Todas as fichas do projeto oposicionista estavam empenhadas no crescimento do governador antes da desincompatibilização. Foi sua manobra estratégica mais importante do primeiro semestre.
Se os coordenadores da campanha de Dilma não perceberam que isso poderia acontecer, a candidata tem mais problemas do que imagina.