Dilma assume o comando da campanha
    fevereiro 8, 2010

Pela primeira vez, a ministra-candidata Dilma Rousseff pula no ringue para aceitar o desafio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a comparação dos dois governos. Ora, este é um dos motes mais insistentes do presidente Lula e de alguns petistas que ainda acreditam que podem falar em nome do governo, depois não serem ouvidos nem cheirados na indicação pessoal do verdadeiro dono da sigla. A candidata guardava a distância. Mas, como é compreensível, vai perdendo a cerimônia e enfiou na cabeça a carapuça que o ex-presidente FHC, em longo artigo publicado em O Globo, em que se antecipa na comparação dos feitos dos seus oito anos de governo – foi o inventor da praga da reeleição – com o seu sucessor.


O ex-presidente foi duro na resposta ao bordão lulista. “O presidente Lula inventa inimigos e enuncia inverdades” - devolve Fernando Henrique para aceitar o desafio para a comparação entre os dois governos. Não há como resumir meia página de jornal. Mas, o revide provocativo para uma comparação entre os dois governos “sem mentir” e “sem descontextualizar” mereceu da candidata Dilma a educada resposta de que não vê problema nas comparações e que o governo Lula “é muito bem sucedido”. Dilma não engoliu o pito de FHC de que “eleições não se ganham com o retrovisor”, de costas olhando para o passado.


Não se poderia encontrar assunto mais bolorento para um discurso do Encontro Nacional da Juventude do PT, com cerca de 400 militantes. Mas, a turma estava ali para aplaudir e cumpriu o seu papel. E a ministra, na ausência do presidente Lula e seu decisivo cabo-eleitoral que não poderá participar de toda a campanha pelos muitos compromissos no exterior e as restrições da lei - e o candidato da oposição praticamente escolhido, o governador de São Paulo, José Serra precisam relegar o bate-boca sobre temas embolorados e enfrentar os desafios de uma pauta que não pode mais ser retardada.


Para começar a criminosa desmontagem de Brasília, como a cidade construída por JK e inaugurada antes de ficar pronta, em 21 de abril de 1960 e que se transformou no monstrengo de três milhões de habitantes – quando foi planejada por Lúcio Costa para não deveria passar de 500 a 600 mil. E Brasília só se justifica como a capital, sede dos três poderes da República. Os enxertos que a transformaram no monstrengo com governador, prefeito, assembléia legislativa, câmara de vereadores, tribunais e demais cevas de burocratas e ninho do empreguismo é a triste herança da ditadura militar de 1° de abril de 1964, que durou quase 21 anos e destruiu a democracia extirpada com a raiz. O fim dos partidos com a estupidez do bipartidarismo de proveta, as cassações indiscriminadas que humilharam e castraram a representação parlamentar, a desmoralização do Congresso, humilhado e acoelhado até o atoleiro dos escândalos em série, do mensalão, do caixa dois, das vantagens e mutretas parlamentares, como as passagens aéreas semanais para o privilégio das férias de fim de semana nos lençóis domésticos, os gabinetes privativos, entupidos de assessores de coisa nenhuma, os escândalos do Senado e o repeteco da Câmara o magno-escândalo, a obra-prima da roubalheira do governador eleito de Brasília, o simbólico Arruda da distribuição de pacotes de notas que os cupinchas escondiam nas meias, na cueca, nos bolsos.


Antes que seja tarde demais e que o futuro Congresso seja uma cópia piorada do atual, o tema salvador da campanha só pode ser a convocação de uma Assembléia Constituinte para passar a limpo a que já deu o que podia. O país não suportará outros quatro ou oito anos de escândalos, de roubalheiras e de desmoralização do Lesgislativo. Ainda é tempo do voto consciente expurgar o Congresso e impor a revolução pelo voto de uma reforma constitucional.

 

14 Comentários

 
Villas-Bôas Corrêa Diz:

Este é o meu tema enquanto tiver um mínimo de viablidade. Villas

 
Marcos Diz:

Com um presente desses, Sr Villas, até eu que sou bobo entraria na campanha.
Tudo o que a candidata Dilma sonha é um embate com FHC. Ganhou com 10 meses de antecipação seu presente de natal.
Serra deve estar esmurrando as paredes do palácio dos Bandeirantes com a entrada de FHC em cena. Já não bastava o imbróglio do Aécio…

 
José Paulo Schiffini Diz:

Caro Villas,

Sua proposição, que aquí repito:
“Antes que seja tarde demais e que o futuro Congresso seja uma cópia piorada do atual, o tema salvador da campanha só pode ser a convocação de uma Assembléia Constituinte para passar a limpo a que já deu o que podia. O país não suportará outros quatro ou oito anos de escândalos, de roubalheiras e de desmoralização do Lesgislativo. Ainda é tempo do voto consciente expurgar o Congresso e impor a revolução pelo voto de uma reforma constitucional.”

Mas qual candidato, qual partido, levantaria no momento atual esta bandeira?
Chego a ter saudades do parlamentarismo clássico, ou das eleições americanas, onde o povo além de votar em candidatos, além dos referendos de Sim ou Não; escolhem temas para serem encarados pela nova legislatura.
Infelizmente estamos longe desta maturidade…
E preferimos a campanha bipolar:
Este ou aquele?;
Quando muito a tripolar tão na moda do BBB:
Destes 3 quem cai fora?
Vota-se na pessoa, não nos programas partidários, não nos conceitos e temas relevantes para uma nação, de forma republicana acho que o senador Cristovão tem razão quando diz que somos ainda escravagistas…

Schiffini

 
Leandro Diz:

Concordo, Villas. Voto no candidato que, de forma séria, transparente e democrática, proponha uma reforma política ampla. No entanto, não vejo quem possa fazê-lo nesse país. Schiffini, escreve um pouco (só um pouco, tá?) sobre como os eleitores americanos propõem seus temas à nova legislatura (um link ou artigo serve).

 
José Paulo Schiffini Diz:

Leandro,

O sistema americano de eleições é muito diferente;
para entender o mesmo de forma bem inicial,histórica e rápidamente,
consulte a Wikipedia:
http://en.wikipedia.org/wiki/Election_Day_(United_States)
e vá pesquisando os vários links e referencias.
Schiffini

 
Cornelio de Souza Mafra Diz:

Villas:
O que você quer dizer exatamente quando diz que o país não suportará outros 4 ou 8 anos de escândalos,
roubalheiras e desmoralização do Legislativo? Gostaria de obter uma resposta pois, eu e muita gente estamos no escuro sobre esse tema. Bastante grato .

Mafra

 
Paulo Miranda Sarmento Diz:

Caromigo Villas-Bôas Corrêa:

Caro amigo Villas-Bôas Corrêa:
Lamentavelmente, cheguei à conclusão que nunca chegaremos ao texto final. Cada um dá sua opinião, revelando os maus procedimentos do candidato contrário a sua preferência. Fico decepcionado quando alguém conta estórias desbonadoras de certos individuos, que pretendem governar o País. Em algumas nações, seus mandatários, enviam seus futuros substitutos a faculdades, para adquirirem conhecimentos necessários às responsabilidades que pretendem fazê-los exercer. Respeitam a cultura e fazem tudo para que sejam substituidos por pessoas capazes, mesmo quando se trate em pequenos países. Há quem confunda cultura com hábitos e tradições, acumulando conhecimentos populares, em detrimento do ensino acadêmico. É um convite a ignorância convicta. Até um soldado, hoje em dia, precisa ter conhecimentos técnicos e preparo psicológico, para eliminar o adversário. Não existe mais o denominado “bucha para canhão”, quando colocavam na frente de combate prisioneiros perigosos, dando-lhes liberdade caso sobrevivessem. Vamos ser pacientes, para assistir até que ponto vão sacrificar-nos. Que Deus nos proteja do infortúnio que estamos passando.

 
Leandro Diz:

Obrigado, Schiffini. Um detalhe interessante para aqueles que não conhecem Brasília. Existem três pontes: uma denominado JK e as outras duas com os nomes dos piores ditadores Costa e Silva e Médici. Quando cheguei aqui, quatro anos atrás, somente esse fato me chocou, carioca que sou.

 
Luiz Lopes da Silva Diz:

Prezado Villas-Bôas:
Considerando as próximas eleições, quais deveriam ser as características de um bom candidato aos cargos eletivos, sem levar em conta as correntes partidárias, mas atentos aos traços de bom caráter pertinentes a todo cidadão?

 
José Paulo Schiffini Diz:

Um momento de reflexão,
para combater o pessimismo reinante no estilo de Millor Fernandes, consulte:
Militar no poder, nunca mais. Só fizeram lambanças em:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/07/450055.shtml

Schiffini

 
Luiz Lopes da Silva Diz:

Prezado José Paulo Schiffini:
Aproveitei a sugestão de visitar o site “midia independente”, pelo que fico agradecido e certo de nele encontrar os mais variados esclarecimentos.
Luiz Lopes.

 
Paulo Miranda Sarmento Diz:

Prezado José Paulo Schiffini:
Seguindo seu conselho, lí as referidas lambanças. Considerando o tanto que fizeram os militares, é pena que seus opositores não tivessem continuado as obras, no ritmo em que eles as deixaram. Quanto aos procedimentos que mantinham na época e tivessem sido respeitados, atualmente criticados; os ex-terroristas não ousariam praticar ilícitos contra a Nação, dentre eles corruptores e corruptos, subtraindo o dinheiro do Erário Público, que tentaram ocultar em roupas íntimas.

 
Leandro Diz:

Claro, claro, à época do milagre econômico, dos dois PNDs (Planos Nacionais de Desenvolvimento), tudo foi, na ECONOMIA, muito bem. O detalhe aqui é que o segundo PND (74-79) foi realizado à toque de caixa, ante graves crises do preço internacional do petróleo e do sistema financeiro internacional (a ruína de Bretton Woods), deixando a dívida de tal irresponsabilidade para a década perdida de 1980 (aliás, muitos generais se tornaram empresários riquíssimos, não….). Na POLÍTICA foi um completo desastre, pois solapou as bases democráticas recém constituídas na década anterior, sufocando os pleitos por um mínimo de cidadania neste país. Com vinte anos de ditadura, toda uma geração nascida em 70 cresceu sem saber votar, pleitear, criticar e pensar o Brasil. Foi um tremendo passo para trás, prejudicando toda a sociedade brasileira. Jogou-nos pra frente à princípio, na economia, deixando aos governos democráticos com o ônus econômico e político de sua megalomania. E nada irá me convencer que todas as benesses econômicas da ditadura não poderiam ter sido conquistadas em regime democrático (vide o governo JK), transformando-nos realmente um país próspero e democrático. Não queremos militares no poder, não, obrigado. Já foi tarde.

 
José Paulo Schiffini Diz:

Caros amigos;

Como disse anteriormente,
simulando posições contrárias,
num dado momento tivemos uma dádiva divina:
a anistia ampla, geral e irrestrita !!!

É dificil, para aqueles que viveram tais tempos e
mesmo para os que vieram depois e não viveram toda nossa evolução recente:

Exercitar a virtude da tolerância, independente de que lado estiveram, ou estão hoje em dia.
O Brasil se encontra numa encruzilhada importante da Ciencia Política: muita politicagem e pouca política.

Devemos aprender com os erros de cada partido de cada candidato e consolidar cada vez mais nossa democracia, fortalecer nossa economia, aumentar nossa produtividade, atrair poupança externa, aumentar investimentos, agilizar a nossa justiça, respeitar as opiniões dos outros e a liberdade de imprensa e principalmente ressuscitar a Ética nos nossos poderes legislativo, judiciário e executivo.

Por isso a Assembléia Constituinte proposta pelo Villas é uma direção não utópica a seguir, mesmo que seja um sonho alcançar.

Schiffini

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