A informação política mais preocupante da semana foi publicada na Coluna do Ancelmo Góis, no O Globo, espremida em quatro linhas ao pé da nota Memélia, 100…VIIIVIII e que transcrevo entre aspas: “A propósito, o presidente voltou a fumar muito. Sérgio Cabral que parou há dois meses, tem insistido para que Lula deixar a cigarrilha. Mas, aí é outras história”.
Tenho muito a ver com esta história. Fumei dos 16 aos 30 e poucos anos. Meu método para largar o vício que mata é o mais eficiente para quem tem força de vontade. O cigarro sempre me incomodou. Dois maços por dia (um à noite, enquanto catava letras nas venerandas máquinas que entortaram os meus indicadores). Lá um dia qualquer, chequei em casa, na rua das Laranjeiras e avisei à minha mulher: “Este é o último cigarro que eu fumo”. Foi o penúltimo. Depois de virar e revirar na cama sem pregar olho, Regina, minha mulher, enfiou-me um cigarro aceso na boca. Mas, não fugi do cigarro. Durante uns três meses, andei com o maço de cigarros no bolso e tomava a xícara de café ralo servido na redação. Lá um dia joguei tudo no lixo e nunca mais deu uma única tragada.
De lá até os 86 anos tentei converter amigos fumantes sem um único caso de sucesso. A minha lista de amigos que morreram de cigarro é extensa. A começar pelo Francisco de Paula Job, repórter do Correio do Povo de Porto Alegre, que fumava um cigarro atrás do outro, até que o pulmão entupido pela nicotina não tinha espaço para o oxigênio. E mais o Heráclio Assis de Salles, o maior cronista parlamentar da época de ouro do Congresso. Fumava um cigarro atrás do outro, varando a madrugada. Ainda tentou uma operação com um médico gaúcho, que não foi além de êxitos e fracassos durante a experiência, que abria o tórax, extirpava o pedaço de pulmão inutilizado para o enxerto de pulmões de defuntos que não fumavam. Com meu irmão Heráclio Salles, melômano que me levou a freqüentar o Teatro Municipal e adquirir o vício da música clássica sem nunca abandonar a nossa fantástica música popular, em retribuição ensinei-lhe o caminho do Maracanã e a paixão pelo Mane Garrincha. A lista é extensa. Paro por aqui.
Fui longe demais nestas reminiscências. Mania de velho. Mas, com as minhas razões. O presidente da República é um servidor da pátria e tem o dever de zelar pela sua saúde e de dar o exemplo. A obsessão de apresentar a sua candidata, ministra Dilma Rousseff ao voto, na medida em que se aproxima a hora do início da campanha, em abril e das pesquisas para valer incha a agenda presidencial com a superposição de urgências, em pilha que aumenta todos os dias. Da escolha do vice, uma unha encravada às frentes de calamidades aqui e no Haiti. Os milhares de desabrigados que perderam tudo com as enchentes do Norte ao Sul estão sendo atendidas com verbas generosas. Mas, falta a presença física do presidente para estimular a esperança de quem está em desespero.
O presidente viaja para Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, que dele mereceu a justa observação de que “não tem mais o glamour que tinha em 2003.” No Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi bombardeado por várias cobranças sobre a condução do seu governo. Mas, em Davos, mesmo sem o charme de 2003, Lula vai receber o prêmio de estadista do ano.
O estadista do ano tem que dar o exemplo: não pode fumar como um suicida. Cabelos brancos que rareiam na coroa no alto da cabeça são as marcas do tempo e do juízo.”
“.
concordo 100%
É o unico método para parar de fumar: Não compre nem peça emprestado.
Sou fumante, covarde, sem nenhuma e absoluta força de vontade de largar o vício; mais ainda, conhecedora total de todos os malefícios que podem (e com certeza trazem a mim), bem como a todos que me rodeiam…filhos, amigos, desconhecidos do dia a dia… Mas tbém tenho o beneplácito de não ser exemplo nenhum…. UUUUFFFFAAAA!!!!!!
Presidente, lamento, mas o exemplo maior sempre tem que vir de cima, aliás, qto mais de cima, melhor!!!
E aquela história (ou estória?) de que o Dilmão é ligada num charuto??? Verdade????
Brincadeirinha….mas que o boato corre, corre…
Hahahahahahahahaha…. Bjos!
Mais feio é beber como ele bebe e dizer tanta besteira.
Prezado Villas Bôas:
O seu método para largar o cigarro me parece ser o mais eficiente. Basta querer.
Quanto aos exemplos, creio que não funcionam, a não ser para começar a fumar.
Tenho 85 anos,nunca fumei, mas tenho um filho fumante.
Um abraço. Luiz Lopes - Cambuquira-MG.
Mestre Villas-Bôas Corrêa:
É com satisfação que fico ciente que tem mais um octogenário em seu blog. Falando a respeito do assunto deste seu artigo, apresentou-se o Sr. Luiz Lopes da Silva, dizendo ter 85 anos de idade. Percebo que o peso dos anos não nos tira a disposição de participar deste trabalho. Como sempre digo:- Não tenho a idade. Ela é que me tem. Quando o sol desaparece, a lua o substitui. Não tanto clara como o astro rei, mas permitindo que as estrelas apareçam. Que nossa experiência seja suficiente, para ajudar os jovens a verem o lado noturno da vida.
Sem nenhuma modéstia, desta vez acertei no olho da mosca. Não frequento vidente, mas tinha uma história para contar.Villas
Mas e a cachaça? Aí pode ?!?!!?
Caro Villas,
meu comentário sumiu?
Schiffini
É isso aí, meu caro Villas,
você acertou mesmo na mosca e, se o seu artigo chegar até o presidente, creio que ele vai levar a sério os seus conselhos.
É engraçado como cigarro não tem nenhum poder sobre mim. Fumei nos meus tempos de ginásio, com colegas, escondido, por pura farra. Depois, quando comecei a trabalhar, indo com os colegas, em fins de semana, tomar cerveja, fumava também. Mas nunca senti a menor falta do tal cigarro.
Mas o presidente é bastante cauteloso e, creio, vai tomar mais cuidado daqui para a frente.
Caro Villas-Bôas Corrêa:
Realmente. O fumo e bebida fazem muito mal a quem deles abusa. Mas o excesso da adrenalina, que é fabricada no próprio organismo, em virtude do descontrole nervoso é o pior veneno. Quem se habituou a praticar arbitrariedades, dando ordens, sem acatar as leis que lhe desagradam, fica-lhe difícil governar democraticamente. Falar em liberdade, em seu próprio interesse, é fácil. Difícil é conviver com ela, quando protege o direito alheio. Sejamos coerentes com nossas responsabilidades, para que possamos receber o apoio, não só explícito como implícito, de nossos subordinados. Somos procurados quando agimos com justiça e abandonados em caso contrário.
Acertou mesmo, Villas. Hoje de madrugada o Presidente teve uma crise de hipertensão. Espero que não seja nada de mais grave.
Prezado colaborador Paulo Miranda Sarmento:
Confesso que fiquei sensibilizado com o seu inspirado comentário citando meu modesto nome no Blog do Mestre Villas-Bôas. Tambem acho que “não tenho a idade ela é que me tem”, conforme o seu ensinamento.
Um abraço agradecido.
Vamos ver amanhã o segundo capítulo da crise cardiaca do Lula. Dona Dilma
Vamos ver amanhã o segundo capítulo da crise cardiaca do Lula. Dona Dilma vai ver o que é uma insônia… Villas
Caro sr Villas.
Estou curioso com a seguinte cena: se é verdade que nosso presidente voltou a fumar bastante onde ele o faz? Como Lula é uma figura pública a simples presença dele fumando em lugar aberto já seria alvo de fotos e reportagens. Como nunca vimos isso (eu pelo menos nunca vi), sou levado a acreditar que ele prefere ambientes fechados. Agora, se ele tem se escondido para dar suas tragadas deve se cuidar: em muitos estados da federação e em muitos países é proibido fumar em ambiente fechado.
Como ele sairia desta situação?
Não sou admirador de Lula nem de sua administração, mas sinceramente torço pela sua recuperação e principalmente para que pare de fumar.
Abraço
Villas vai acabar sendo consultado como tarô. Êta post mais premonitório.
Realmente tem-se um bom ponto. O que seria de Dilma se Lula faltasse? Continuaria sua trajetória que, ano passado, saiu de um risco e passou para àlem dos 20% que os melhores sonhos de Lula e o PT tiveram?
Caro colaborador Luiz Lopes da Silva:
Fico feliz com sua manifestação, em relação ao que eu disse, citando seu nome, em virtude de Deus permitir-nos estar vivos, participando deste trabalho. Comandado por um valoroso octogenário, veterano jornalista, sinto-me como se fosse participante de uma fabulosa orquestra, sob a batuta de um grande maestro. As palavras transformam-se em notas musicais, permitindo-nos ler sua partitura,ao executar virtual harmoniosa sinfonia.
Grato pelas muitas referências elogiosas ao meu palpite. Um pouco de experiência e ousadia. Mas verifiquem: Lula fumava umas cigarrilhas e depois abandonou o vício. Se voltou ao tabaco no sufoco da campanha, com a determinação de eleger a ministra-candidata Dilma Rousseff é porque a tensão chegava ao desespero. Dai para a crise cardíaca é um passo. Ainda bem que não chegou ao infarto. A liderança do Lula é insubstituivel e indispensável até as eleições. Depois será outro dia. Villas