Um caso de polícia
    fevereiro 25, 2010

A leitura dos jornais de hoje, da primeira à última página do primeiro caderno e as sobras em outras, como a de economia – se salva às do esporte e de frivolidades – estraga o resto do dia com a deprimente evidência do nível de sarjeta ou de esgoto a que baixou a pré-campanha eleitoral, com tão raras exceções que só com lupa se consegue ler. O mega-escândalo de Brasília, com as cenas da distribuição de pacotes de notas pelo ex-governador José Roberto Arruda, aos cupinchas da gang que assaltava o cofre público da pobre capital é como um monte de lixo no meio da Praça dos Três Poderes. A cada dia aumenta o mau cheiro, que tresanda pela maravilhosa cidade enfeitada pelo gênio de Oscar Niemayer e não há uma única voz no Congresso que denuncie o crime contra um patrimônio da humanidade e provoque o debate parlamentar para despertar a pasmaceira do Legislativo.


O impeachment do governador Arruda rola e se prolonga no bate-boca entre o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) e a caricata Câmara Legislativa do Distrito Federal. O corregedor, deputado Raimundo Ribeiro (PSDB) lembrou-se de pedir à Comissão de Ética da Casa – que parece coisa de ficção pornográfica - que abra investigação contra nove deputados pilhados no saque ao mensalão do DEM, chefiado pelo governador trancafiado no xilindró, José Roberto Arruda. Foi incluído na lista que cada vez aumenta mais, o presidente interino da Casa, parlamentar petista Cabo Patrício. A comissão especial deve votar amanhã o impeachment do saudoso ex-governador José Roberto Arruda. E presidente da comissão especial, Cristiano Araújo lembra ao governador preso que ele tem o prazo até segunda-feira para renunciar sem perder os seus sagrados direitos políticos.


A Câmara Legislativa de Brasília tem muito com que se distrair para espantar o tédio de sessões de conversa fiada. Oito são os deputados do pacote de denunciados, todos nomes ilustres e de prestígio nacional: Leonardo Prudente, que honra o sobrenome não tendo partido, Eurides Brito (PMDB), Júnior Brunelli ( PSC), Benício Tavares (PMDB), Benedito Domingos (PP), Rogério Ulysses (ex- PSP) Roney Niemer (PMDB) e Aylton Gomes (PRP). Guardem estes nomes completos, dificilmente voltarão a ouvir falar deles. A lista de suspeitíssimos é quase metade da Câmara. Mas, a comédia é infinita: o governador interino, deputado Wilson Lima, que deixou a presidência da Câmara para sentar na cadeira do governador Arruda, reuniu-se com os secretários para “retomar as atividades normais de administração, pousou para a posteridade em foto colorida que enfeita a página com pouco assunto.


O governador José Roberto Arruda deverá permanecer preso por mais uma semana, até que seja julgado o pedido de hábeas corpus. Mas, a última palavra caberá à maioria dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Marco Aurélio Matos admite a possibilidade de intervenção federal no Distrito Federal. No caso caberia ao presidente Lula nomear um governador para Brasília. O remendo que deveria ser a solução correta e definitiva. Brasília foi construída para ser a capital do Brasil.
Não é um estado, mas o Distrito Federal que acolhe os três poderes e demais órgãos federais. Planejada para uma população de 500 mil habitantes. Já se aproxima dos três milhões. Brasília não é culpada da crise ética, moral que salpica os três poderes. E poderá ser salva por uma emenda constitucional ou por uma Constituinte a ser convocada depois da posse do futuro presidente, com prazo para concluir a reforma da Constituição destroçada pela demagogia, os abusos, as mordomias, a malandragem da semana parlamentar de três dias úteis e a farra com a roubalheira do dinheiro público.

 
 

O baixo nivel da politicagem de Brasília
    fevereiro 24, 2010

O escândalo da distribuição de pacotes de notas pelo engaiolado ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda, quando a sua gang foi filmada escondendo a propina nas meias, na cueca, nas dobras das calças e que vai sendo empurrado de moro abaixo do esquecimento, apenas confirmou o que se sabe há quase 50 anos, desde a inauguração da nova capital pelo JK, em 21 abril de 1960. Mas, de novidade mesmo o aprimoramento dos truques para esconder a mesada da corrupção e o primeiro instantâneo de um governador reunindo assessores, deputados estaduais para embolsar a gaita da máfia

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O úbere da corrupção alimenta muitas goelas. E um dos que conquistaram seu lugar no mostruário da fama é o milionário vice-governador Paulo Octavio, que foi governador de Brasília o tempo para pousar para a fotografia. Isolado no DEM, uma legenda influente no cerrado, pressionado por novas denúncias de corrupção (o que não deve constrangê-lo, afinal era a moda no seu partido e no governo) Paulo Octávio renunciou na mesma folha de papel ao governo de Brasília, a vice-governadoria e ao Democratas. Foi o terceiro governador em 12 dias. È de lamentar que não seja o último.


- Os 2,5 milhões de habitantes da capital planejada para no máximo 500 mil habitantes devem estar saboreando a emoção de serem governado pelo deputado Cabo Patrício, vice-presidente e da corporação do PT. Antes de guardar o lenço úmido das suas lágrimas, o multimilionário deputado Paulo Octávio, governador para enfeitar a biografia, desabafou com os jornalistas as suas queixas e críticas aos que o traíram, deixando para a posteridade o conselho que é uma máxima do óbvio: “Uma intervenção no Distrito Federal seria muito ruim, abalaria a autonomia política da capital do país”.


Pois é exatamente o contrário. Nos debates na campanha para valer, seja na rede nacional de propaganda eleitoral, ou promovidos pelas redes de televisão e emissoras de rádio, necessariamente analisarão a fórmula para recolocar Brasília como o distrito federal, sede dos problemas da República, sem os balangandãs de governador, assembléia legislativa, o absurdo da câmara de vereadores e demais excrescências. Brasília é vítima da deformação e da demagogia, das propinas, da semana parlamentar de três dias, de todas as sanguessugas que foram se multiplicando até o escândalo do governador José Roberto Arruda e das tolices do suplente Paulo Octávio.


Brasília pode, precisa ser salva. É o tema sério da campanha eleitoral. Se nada for feito, o ex-governador Roris, recordista da favelização, será reeleito governador. E dará conta do que sobrou.

 
 

A polarização consolidada sustenta Dilma
    fevereiro 23, 2010

Um certo desassossego nas duas bandas da pré-campanha polarizada, com os retardatários em cima do muro, não altera o fundamental no cenário da arrancada: a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff bóias nas águas mansas do favoritismo – com todos os seus riscos de uma briga que ainda não começou – enquanto a oposição se desespera com balanço nas pesquisas do candidato virtualmente escolhido, governador José Serra, de São Paulo.


Mas, há um diferencial significativo: o presidente Lula conseguiu tamponar com a sua popularidade recordista e com intensa participação no Congresso do PT que oficializou por unanimidade o lançamento da candidatura da risonha ministra Dilma, que parece rejuvenescer com os cabelos pintados, as reforma do vestuário com audaciosos vestidos coloridos.
No outro lado da oposição, a indefinição empurra a escolha do candidato de morro abaixo. O governador José Serra (SP) voltou á estaca zero reabrindo a articulação para tentar convencer o governador Aécio Neves - o neto de Tancredo Neves, o presidente que morreu de erro médico e bagunça no troca-troca de hospitais- a aceitar a candidatura à vice-presidente para injetar animo à oposição em crise de pessimismo. Claro, que não vai dar em nada, além do oba-oba na comemoração do cinqüentenário do saudável governador, que gosta da vida e é um apaixonado pelo Rio.


As próximas rodadas de pesquisas deverão registrar as oscilações entre os dois candidatos e da turma do segundo escalão. E a menos que o imprevisível pregue uma peça, nesta batida a candidata Dilma, com o PT na onda das ambições pessoais, deve faturar os resultados da sua intensa mobilização, da nova imagem da candidata que esbanja simpatia, solta gargalhadas estridentes até com piadas de papagaio, encostando-se à cadente vantagem do governador José Serra.


Alguns cascalhos no caminho, como a confirmação da candidatura de Ciro Gomes pelo PSB, só o tempo responderá as dúvidas das especulações. A candidatura da ex-ministra Marina Silva, uma histórica militante da defesa do meio ambiente, terá os votos dos enfastiados do bisado confronto do lulismo cada vez mais ao centro e da oposição que se dilacera em confrontos internos.
Antes que esqueça: certo mesmo é que o deputado Michel Temer, do PMDB de tão modestas ambições, será candidato à vice da ministra Dilma Rousseff, escolha garantida pela estrutura do partido com sólida base estadual e de olho grande em todas as vagas federais para atender ao apetite voraz dos mais poderosos estômagos do país.


Sobre o escândalo da roubalheira do ex-governador José Arruda e sua quadrilha, leiam a página policial dos jornais.

 
 

A bolsa petista das sinecuras
    fevereiro 22, 2010

O licor da euforia, sorvido em doses exageradas, sobe à cabeça e quando não embriaga, solta a imaginação no espaço infinito. E esta garapa da certeza antecipada da vitória no confronto com a desagregação oposicionista que deve orientar uma análise da reviravolta na pré-campanha eleitoral. O PT absorveu as humilhações que o castigam desde que após a eleição de Lula, a rápida fase de paparicos com a farta distribuição de sinecuras no monstrengo do maior ministério de todos os tempos e mais autarquias como a Petrobrás que é de comovedora prodigalidade com os indicados pelo Palácio do Planalto e pagou os seus pecados dos escândalos do caixa dois e do mensalão.


O presidente Lula, com o apoio de 82% da população e a ministra-candidata com o otimismo reforçado pela recepção dos blocos e cordões carnavalescos da sua agitada agenda em vários estados, consolidaram a certeza na eleição da sua candidata. Ou, o que é a leitura do mesmo texto de traz para frente da derrota da oposição. O assanhamento do PT lava as manchas da sua marginalização humilhante, com as exceções do bloco lulista de poucos passistas e uma multidão de anônimos. Lula seguiu os conselhos médicos e poupou o coração.


Mas, lançada candidata à presidenta no Congresso do PT, com Lula suando em bica com o casaco de lã grossa, a candidata Dilma Rousseff deve ter sorrido mais, com todos os dentes de fora, nos últimos dias do que em toda a sua vida. É como tivesse passado por uma plástica radical. A cabeleira de corte sóbrio da Chefe da Casa Civil, que o tratamento do câncer linfático derrubou, já dispensou o disfarce da peruca com a volta das madeixas.


Ainda não chegou a hora de dormir em berço esplendido. O PMDB é o aliado perfeito e o deputado Michel Temer (SP), presidente da Câmara o vice que não exige mais do que o quinhão de praxe.
Na contramão, a empáfia petista debocha da oposição com a piada pronta: Se o PT não ganhar a oposição perde. O que é o desfecho de toda eleição, com o tempero da zombaria.
O escândalo do governo de Brasília, o maior de todos os tempos, mais um recorde da temporada do presidente Lula ele não comemora. E nem toma conhecimento. E que será um dos temas obrigatórios da campanha para a salvação de Brasília, vítima do inchaço, da roubalheira que salpica nos três poderes mas que atinge aos extremos de uma calamidade nacional, a exigir o remédio de uma reforma política para valer.

 
 

Os alegres petistas assumem o partido
    fevereiro 20, 2010

< /P> Os congressistas com direito a voto e os petistas das galerias transformaram o 4º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores num miúdo acerto de contas - dissimulado como gato escondido com o rabinho de fora, entre os o bloco que não participou do desfile da distribuição de cargos, diretorias de empresas, as cadeiras cativas no gabinete presidencial e, como ficha de consolo, nos ministérios, autarquias, sendo que a Petrobrás vale um bilhete premiado de Natal – e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bater de frente com Lula seria suicídio. A turma esperou a vez e a hora, com o estímulo das galerias que também sofrem com a gozação da turma.


Francamente, a inveja não é dos mais apreciáveis sentimentos da alma. E o PT que deve tudo a Lula, desde a existência do partido, deveria ter o mínimo de sensibilidade política para reconhecer que nem a legenda tem maioria nas duas Casas do Congresso e que a turma pisou na lama com os escândalos inaugurais dos Correios, do mensalão, do caixa dois, fora às denúncias que faleceram no esquecimento.
Por que o visível desconforto registrado na foto colorida da terceira página de O Globo da edição de hoje ? À vontade, no sorriso de quem não cultiva desafetos, o vice Jose Alencar, uma unanimidade nacional. O presidente do PT, deputado José Berzoini sua com a camisa de escoteiro. O presidente Lula, de paletó e gravata, a fisionomia cansada, bate palmas ao léu.


Inútil tentar dissimular o que está evidente. O PT, quer dizer a massa petista, descontente com a marginalização do partido, que não foi ouvido siquer na escolha da ministra Dilma Rousseff para candidata à presidenta da República e mais o agravo com a ascendia do PMDB do provável candidato à vice, o deputado paulista, presidente da Câmara, Michel Temer partiu para a radicalização. O texto final das diretrizes do programa de governo da pré-candidata Dilma Rousseff pisou no acelerador da radicalização do programa proposta pela Executiva Nacional, cordata como aluno que tira sempre dez em comportamento.
Os 1 300 delegados do PT, a voz das bases do partido, encaixaram no texto insosso as teses históricas do partido, como a taxação das grandes fortunas ( que arrepia até o último fio de cabelo do PMDB) e a paulada que não podia faltar na imprensa, no combate ao monopólio aos meios de comunicação – uma contradição para o partido do governo que montou o maior, mas eficiente esquema de comunicação com rede nacional de televisão e emissoras de rádio.

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Os petistas não esqueceram dos seus militantes e aprovaram a emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário. Também os Direitos Humanos foram tratados a pão de ló. Por unanimidade, foi aprovada uma moção de apoio incondicional do PT ao Programa Nacional dos Direitos Humanos (PMDH3) que prevê uma Comissão da Verdade para rever os atos de violência cometidos durante a ditadura militar dos cinco generais-presidente.
A ministra-candidata Dilma Rousseff, aconselhada pelo travesseiro e pelos santos da sua romaria carnavalesca pela Bahia e outros estados nordestinos, não compareceu ao Congresso Nacional do PT: um constrangimento a menos na foto colorida da mesa.


A Convenção Nacional do PMDB, para indicar o candidato do partido a compor a chapa da ministra Dilma Rousseff deveria ser realizada no circo de Brasília com entradas pagas para a caixa do partido. Seria um fecho coerente e de sucesso garantido.
Se o presidente Lula der um berro e um murro na mesa, esta rebelião dos mansos acaba hoje, na Convenção do PT para lançar a candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidenta República, por unanimidade.

 
 

O super escandalo de Brasília
    fevereiro 19, 2010

Francamente, esperava um pouco mais do escândalo de Brasília. Afinal, sob muitos aspectos é recordista. Nem o do então presidente Fernando Collor de Mello, o do Senado, recente e fugaz como uma ilusão, ou das denúncias de trampas na Petrobrás e na privatização da Vale do Rio, o distinto público que lê jornais e revistas e assiste os noticiários das redes de TV, foi brindado com o filme de poucos minutos que valem o E o vento levou, do governador de Brasília refestelado na poltrona do seu gabinete recebendo pacotes de notas, distribuídas entre pilhérias e gargalhadas pelos sorteados na loteria da corrupção. O choque da população que ganha o seu salário suando a camisa e o vestido, misturou o espanto com a indignação.

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A imprensa abriu manchetes na primeira página, a TV fez o que pode para apurar novidades e durante duas a três semanas o ex-governador José Roberto Arruda foi o bandido do filme de mocinho do meu tempo. Até aí, é o normal. O que não esperava é que modesta oposição ainda sem a chapa de candidatos caísse no ramerrão das denúncias à Justiça sem cuidar do eleitorado que é quem pode, se quiser e for devidamente informado dar um basta neste mafuá brasiliense. Campanha para derrubar governador e enquadrar Brasília no que ela sempre foi, um distrito federal, a sede da República onde funcionam os três poderes e demais tribunais e serviços federais.


Mas, infelizmente não é difícil de entender, mas profundamente lamentável que nem o maior, o mais escancarado, o mais filmado, o mais repulsivo escândalo do Congresso desde a redemocratização, depois dos 21 anos da ditadura militar, tenha conseguido sacudir a abulia do mais democrático dos poderes, e isto no fim de um governo que completa o segundo mandato. Não há uma articulação para valer para unir a oposição na campanha pelo Congresso, pela imprensa, nas convenções dos partidos para lançar os seus candidatos que prepara o clima o curto e decisivo espaço da campanha no horário de propaganda eleitoral e nos debates de iniciativa das emissoras de TV, de rádio, de jornais.


Nos jornais que li só encontrei uma referência que raspa pelo tema. O JB, na pág. A4, registra que “O pedido da Procuradoria Geral da União para que o governo federal assuma o controle da unidade federativa (Brasília) deve ser analisado na próxima semana pelo STF.

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Não é ainda a campanha para que uma emenda constitucional ou uma Assembléia Constituinte Extraordinária, depois de eleito e empossado o novo governo, decida acabar com a bagunça brasiliense e restabeleça a capital federal, o distrito federal que enfrente o desafio de salvar a bela cidade da degradação de sucessivos governichos incompetentes e desonestos. Lá um dia o povo cansa e vai à forra.

 
 

Lula sumiu e deixou o palco para Dilma
    fevereiro 16, 2010

P> O sumiço do presidente Lula, que fugiu do Carnaval e dos desfiles das escolas de samba no Rio e São Paulo, que reuniram multidões tem duas explicações que não se contradizem, antes se superpõem: o primeiro é que presidente fez as pazes com o bom senso e resolveu descansar uns dias, apenas com a companhia da família em sua casa em São Bernardo do Campo, rodeado pelos amigos de muitas décadas dos tempos de líder dos operários e da subida, degrau por degrau, como fundador do Partido dos Trabalhadores – o PT que se transformou num estorvo com envolvimento em uma série de escândalos – e o segundo que está testando a candidata Dilma Rousseff, que lançou e apadrinha, no giro pelos desfiles de blocos carnavalescos que reuniram multidões em várias capitais.


Não há dívida que a ministra conseguiu passar na prova dos noves, apesar de alguns inevitáveis tropicões. Nos próximos dias 18 e 20, o teste político no 4° Congresso Nacional do PT , em Brasília, quando será lançada como candidata do Lula e aprovada pela virtual unanimidade. A pré-campanha agora começa para valer, sem a dissimulação que arranhou a ética das viagens para os palanques e comícios a pretexto das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida, alem da transposição da águas do São Francisco para o Nordeste e, a partir da calamidade das enchentes que destruíram milhares de casas, derrubaram pontes, esburacaram estradas e demais remendos no país castigado por três meses de inundações, tempestades e prejuízos de bilhões.


Dona Dilma vai se apresentar no Congresso do PT com um calhamaço que detalha o seu programa de campanha e de governo. Dilma vai rever o texto do programa com a preocupação de destacar os compromissos com a esquerda da coerência da sua militância na linha de frente do combate à ditadura militar, quando foi presa e torturada. Mas, com uma no cravo e o repique na ferradura para não assustar o eleitorado da classe média e alta.


O curioso no programa da ministra é o título pomposo: A Grande Transformação. Mas, a grande transformação não aconteceu nos sete anos do maior governo de todos tempos, desde que 21 de abril de 1500, quando Pedro Álvares Cabral descobriu este país de índios e de florestas imensas, que estão sendo derrubadas para plantar soja e capim para a criação de gado de corte? Dona Dilma vai ter que descobrir a pólvora. A começar pela reforma agrária e para a moralização do Congresso e da classe política, no fundo da cisterna com o escândalo dos pacotes de notas nas cuecas, nas meias e dobras da calça do expelido ex-governador José Roberto Arruda, o prisioneiro a curtir a sua depressão na cadeia da Polícia Federal, sem o aparelho de TV que não chegou a ser ligado. O ex-governador não sabe o que perdeu com a transmissão do desfile das escolas de samba do Rio e São Paulo e do fabuloso carnaval de rua de Salvador, do Recife, de Belo Horizonte e de Brasília quando foi homenageado pelos foliões. De uma maneira informal e esquisita.

 
 

Lula descamba para a pornografia
    fevereiro 13, 2010

Não sei como anda a pressão do presidente Lula. Um registro de duas linhas no jornal informa que a Primeira Dama, Marisa Letícia é que tem se queixado de pressão alta. Quanto ao presidente o seu novo estilo de campanha foi inaugurado com os improvisos na visita de algumas horas a Goiás e a apelação para a baixaria pornografica. Não insinuada, mas explícita e bisada, com aplausos e risos da assistência dos prováveis eleitores da ministra-candidata Dilma Rousseff que escorrega para uma encruzilhada: ou adere às piadas de duplo sentido, no calão do que não se repete em casa de família ou será como retrato santo em casa de encontros em beira de estrada.


Como o papel aceita tudo e lê quem quer, não hesito em resumir as piadas do presidente Lula. Recomendo deletem este artigo, antes ou depois de lido. E vamos lá que os meus 86 anos e quebrados, com filhos, netos e bisneta já não se espantam com o calão. Mas, o presidente? Acho que nunca na história deste país, um presidente com 82% de popularidade, teve um adversário à altura para o ringue da irreverência. O ex-governador de São Paulo, Ademar de Barros, foi apenas um repetente candidato, derrotado em três eleições presidenciais. E não saiu pobre. Quando o grupo de jovens guerrilheiros, entre os quais a jovem Dilma, roubaram o famoso cofre na casa da amante de Ademar, a viúva do médico Capriglione, com mais de dois milhões de dólares (que sumiram na partilha entre os autores da façanha), o dono da dona da casa e do cofre escapou pela janela, alegando que o cofre estava vazio.


O presidente Lula nunca foi envolvido em mensalão e caixa dois das proezas do Partido dos Trabalhadores, que fundou e hoje purga a decadência dos desvios éticos. Mas, em matéria de piadas com duplo e transparente sentido, Lula é o recordista. Durante a visita de apenas algumas horas a Goiás, suando com o blusão grosso de mangas compridas por cima da camiseta, no auto-elogio do sucesso internacional do Brasil nos últimos sete anos dos seus dois mandatos, Lula lembrou que nos últimos anos quando o país começou a ser conhecido internacionalmente, passou a fazer parte de grupos importantes, como o G-20, o G-4 e o G-8. E literalmente; “Não tem país mais preparado para achar o ponto G do que o Brasil” afirmou para a platéia em delírio. Embalado pelo sucesso das tiradas chulas, o presidente exemplificou as dificuldades para governar o país e realizar obras, com a história o embargo para a construção de uma ponte por causa de uma espécie de pererecas em extinção. Até que se constatou que as pererecas não corriam risco. E a piada que renovou os aplausos: “Graças a Deus, perereca não pode se extinguir nunca”.


Em matéria de escândalo, creio que o recorde do prisioneiro ex-governador Brasília, José Roberto Arruda, basta para o consumo da pré-campanha quando os candidatos terão que propor soluções para o país. E a reforma política, com a convocação de uma Constituinte extraordinária para a última oportunidade de salvar Brasília da desmoralização a que foi arrastada pela demagogia e a roubalheira deverá ser o grande tema dos debates entre os candidatos. De baixaria estamos empanzinados.

 
 

O abençoado escandalo de Brasília
    fevereiro 12, 2010

Necessito justificar-me, com excusas por uma ponta de vaidade. O meu artigo para Coisas da Política do JB de amanhã, estava pronto desde ontem. Confiei no palpite que nada mais aconteceria com o arreglo do governador Arruda com a sua gangue e a morosidade da toga. Cai duas vezes da mesma montaria. O Arruda foi rifado em decisão histórica do Superior Tribunal da República que acolheu o pedido da Procuradoria da República e determinou a prisão do governador de Brasília, José Roberto Arruda e de outros cinco da sua gang acusados de corrupção na trapaça conhecida como Caixa de Pandora.


O governador que distribuiu pacotes de notas à patota que escondeu a grana nas meias, cuecas, na dobra das calças e até na maleta que parece comprada para atender a tais emergências, depois de pedir licença do cargo do qual fora expelido, se entregou à Polícia Federal e foi recolhido ao xilindró. Em nota fora do tom, o presidente Lula lamentou o infortúnio do ex-governador José Roberto Arruda, um companheiro tão dedicado e cunhou a frase que o prisioneiro, provavelmente por pouco tempo, deve gravar numa medalha para pendurar no pescoço. E o Governador Arruda é o primeiro chefe de Executivo estadual a ir parar nom xilindró.(

Pois esta manhã, ao começar a ler o JB, na segunda página, a coluna do meu amigo, o excepcional jornalista e escritor Mauro Santayana – que, além do texto impecável, encontra tempo para atualizar a sua invejável cultura - dou com o título que me pôs em alerta: “A intervenção e o fim de um desatino”. Ainda é possível encontrar o JB nas bancas e o artigo é de leitura obrigatória. Basta transcrever o primeiro período: “A intervenção federal no governo do Distrito Federal, solicitada ontem pelo Procurador Geral da República ao STF, poderá significar o inicio do necessário processo de reversão constitucional da autonomia do território”. Adiante: “Como já está provado pela experiência, tratou-se de uma aberração a autonomia política da sede da República, concedida pelos constituintes de 1988, animados de uma liberalidade ingênua”. E Mauro Santayana completa: “O episódio de ontem revelou o desatino lógico assustador, o de a lei orgânica de o Distrito Federal ser entendida, pelos que a aprovaram, como documento de valor constitucional. Uma lei orgânica municipal – é disso que se trata – cuida das posturas da cidade, do seu código de obras, de sua rede viária e dos serviços de educação e saúde. Só pode ser constitucional o que se insere em uma constituição e lei orgânica não é constituição|”.


O mais leia no JB. Um artigo para recortar e guardar. Esta campanha eleitoral antecipada pelo presidente para consolidar a candidatura da ministra Dilma Rousseff só poderá ser levada a sério se o Congresso, posto em brios convocar uma Constituinte para depois de eleito e empossado o sucessor ou sucessora de Lula, para a limpeza ética do Legislativo com o fim das mordomias, vantagens, verbas indenizatórias, semana de três dias úteis, passagens de graça para o absurdo do fim de semana na base eleitoral do Amazonas ao Rio Grande do Sul.

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E para a salvação de Brasília, vitima da demagogia do simpático JK e da orgia de vantagens, regalias dos três poderes. Brasília é a sede do governo. O que é tudo. A grotesca Câmara Distrital deve ser fechada, com as portas lacradas. Dispensa-se por descabido o governador de Estado. Um administrador ou que nome tenha nomeado pelo presidente da República terá muito que fazer para botar ordem e decência na orgia demagógica e na descarada gatunagem. E Câmara Municipal, vereadores, francamente podem ser sorteados pelas cidades satélites que se habilitem a pagar pelo brinde.

 
 

O vexame da baixaria
    fevereiro 10, 2010

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que iniciou o bate-boca que envolveu o presidente Lula, arrastou a ministra-candidata Dilma Rousseff, ainda sem o traquejo em tais baixarias das campanhas, poderia tomar a iniciativa de encerrar este primeiro round e, num gesto de estadista, colocar no centro da pré-campanha o tema que vem sendo escamoteado por desinteresse, desatenção ou a miopia próxima da cegueira.


Ora, está caindo no ridículo o chinfrim de feira-livre da antecipação da campanha. O presidente Lula passa a constrangedora impressão que a crise cardíaca, com a subida da pressão a 18 por 12, que exigiu o seu internamento hospitalar e a alta com os prudentes conselhos de reduzir o ritmo das viagens internacionais e os giros domésticos para acompanhar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da Minha Cada, Minha Vida, além de reparos em pontes que despencaram com as enchentes que inundaram o país com milhões de famílias desabrigadas, que perderam tudo e não sabem por onde recomeçar.


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Com a cautela recomendável, a ministra-candidata Dilma Rousseff cumpriu a obrigação de elogiar o presidente Lula, o inventor da sua candidatura que o PT engoliu e reagiu ao FHC, que de raspão disse que Dilma não é líder, é um reflexo de líder que não inspira confiança”. Dilma respondeu no mesmo tom :”Se quiserem comparar, vamos comparar número por número, obra por obra, cada por casa, escola por escola, emprego por emprego”. Difícil vai ser atrair o povo para este bate-boca estatístico.

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A senadora Marina Silva (AC) pré-candidata do Partido Verde a presidenta da República fez a mais sensata das críticas ao chinfrim do presidente Lula com o ex-presidente FHC, que é “a disputa entre dois passados”. E arrematou: “Por mais relevantes que esses governos sejam, não podemos engessar o país em um plebiscito para ver quem dez mais no passado”.


Quando a campanha começar para valer, no prazo legal, com debates entre candidatos e a propaganda no eleitoral pago pelo povo, encontrará o seu tema absolutamente prioritário: a reconstrução de Brasília.

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