O profeta pede demissão
    janeiro 29, 2010

Repórter político que se preza apura informação, avança nas análises mas não se mete a pai de santo que adivinha o futuro, num dos muitos mistérios que se confundem com fraudes e outras trampas. O susto que o presidente Lula pregou no país, na família, nos amigos, nos pendurados em empregos, sinecuras ou na dureza de assessores diretos que acompanha a sua agenda e o seu ritmo de trabalho. E se este é o batente presidencial desde que assumiu o primeiro mandato, o rush da reta de chegada já emitira os sinais de advertência da estafa do sessentão saudável, que faz ginástica, grandes caminhadas e é fanático por uma pelada. Mas, 64 rijos anos não são mais os das estripulias dos tempos de aluno do SENAI e torneiro mecânico, que emendava peladas com o almoço engolido às pressas.


A agenda do Lula para este ano, depois de alguns dias de férias mal aproveitadas com os pedidos de pose para fotos e autógrafos, chega a registrar dez compromissos em cinco cidades em uma semana. Na dezena de dias úteis, cumpriu compromissos em Brasília de manha e, à tarde participou de eventos em outras cidades para a pré-campanha da ministra Dilma, com o pretexto de acompanhar obras do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida.


É compreensível o esforço do presidente para eleger a ministra Dilma Rousseff, da sua inteira iniciativa e responsabilidade. Uma derrota será uma mancha negra nos oito anos dos dois mandatos e uma nódoa na sua imagem do mais popular líder do mundo. E como era evidente que ninguém agüenta o rojão do nordestino, o aviso chegou em boa hora. Não será fácil controlar o presidente que em 2009 passou 83 dias viajando pelo Brasil, 91 dias no exterior visitando 31 paises. Quando está em Brasília, a sua agenda passa das 12 horas da metade do dia. Nas viagens aéreas dorme no avião presidencial, o confortável Aerolula, como quem tira a sua soneca nas viagens de ônibus.


O abatimento do presidente é visível nas fotos dos jornais e nas imagens da televisão. Como o espelho aconselhou ao frívolo e peralta Tertuliano a ter juízo, a maioria da população espera que o espelho do presidente seja um conselheiro tão sensato como o do Tertuliano.

 
 

O vício do presidente
    janeiro 27, 2010

A informação política mais preocupante da semana foi publicada na Coluna do Ancelmo Góis, no O Globo, espremida em quatro linhas ao pé da nota Memélia, 100…VIIIVIII e que transcrevo entre aspas: “A propósito, o presidente voltou a fumar muito. Sérgio Cabral que parou há dois meses, tem insistido para que Lula deixar a cigarrilha. Mas, aí é outras história”.


Tenho muito a ver com esta história. Fumei dos 16 aos 30 e poucos anos. Meu método para largar o vício que mata é o mais eficiente para quem tem força de vontade. O cigarro sempre me incomodou. Dois maços por dia (um à noite, enquanto catava letras nas venerandas máquinas que entortaram os meus indicadores). Lá um dia qualquer, chequei em casa, na rua das Laranjeiras e avisei à minha mulher: “Este é o último cigarro que eu fumo”. Foi o penúltimo. Depois de virar e revirar na cama sem pregar olho, Regina, minha mulher, enfiou-me um cigarro aceso na boca. Mas, não fugi do cigarro. Durante uns três meses, andei com o maço de cigarros no bolso e tomava a xícara de café ralo servido na redação. Lá um dia joguei tudo no lixo e nunca mais deu uma única tragada.


De lá até os 86 anos tentei converter amigos fumantes sem um único caso de sucesso. A minha lista de amigos que morreram de cigarro é extensa. A começar pelo Francisco de Paula Job, repórter do Correio do Povo de Porto Alegre, que fumava um cigarro atrás do outro, até que o pulmão entupido pela nicotina não tinha espaço para o oxigênio. E mais o Heráclio Assis de Salles, o maior cronista parlamentar da época de ouro do Congresso. Fumava um cigarro atrás do outro, varando a madrugada. Ainda tentou uma operação com um médico gaúcho, que não foi além de êxitos e fracassos durante a experiência, que abria o tórax, extirpava o pedaço de pulmão inutilizado para o enxerto de pulmões de defuntos que não fumavam. Com meu irmão Heráclio Salles, melômano que me levou a freqüentar o Teatro Municipal e adquirir o vício da música clássica sem nunca abandonar a nossa fantástica música popular, em retribuição ensinei-lhe o caminho do Maracanã e a paixão pelo Mane Garrincha. A lista é extensa. Paro por aqui.


Fui longe demais nestas reminiscências. Mania de velho. Mas, com as minhas razões. O presidente da República é um servidor da pátria e tem o dever de zelar pela sua saúde e de dar o exemplo. A obsessão de apresentar a sua candidata, ministra Dilma Rousseff ao voto, na medida em que se aproxima a hora do início da campanha, em abril e das pesquisas para valer incha a agenda presidencial com a superposição de urgências, em pilha que aumenta todos os dias. Da escolha do vice, uma unha encravada às frentes de calamidades aqui e no Haiti. Os milhares de desabrigados que perderam tudo com as enchentes do Norte ao Sul estão sendo atendidas com verbas generosas. Mas, falta a presença física do presidente para estimular a esperança de quem está em desespero.


O presidente viaja para Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, que dele mereceu a justa observação de que “não tem mais o glamour que tinha em 2003.” No Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi bombardeado por várias cobranças sobre a condução do seu governo. Mas, em Davos, mesmo sem o charme de 2003, Lula vai receber o prêmio de estadista do ano.


O estadista do ano tem que dar o exemplo: não pode fumar como um suicida. Cabelos brancos que rareiam na coroa no alto da cabeça são as marcas do tempo e do juízo.”

“.

 
 

O governo Lula começa de novo
    janeiro 26, 2010

Alguma coisa está mexendo com a cabeça do presidente Lula, com as muitas frentes de desafios que enfrenta em período contraditório de êxitos e embaraços. Lula não pára em lugar nenhum. E tanto viaja para o exterior como faz e refaz roteiros domésticos de olho nos votos para a ministra-candidata Dilma Rousseff.


A foto não deixa mentir. No flagrante da mídia das comemorações pelos 456 anos de São Paulo, é o presidente Lula quem aparece na tribuna, com os braços abertos, medalha pendurada no pescoço, no doce embalo do improviso. Em segundo plano, apenas o busto do governador José Serra, virtual candidato da oposição. Também esquecido num cochilo da memória presidencial, quando Lula convidou o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, a assumir o compromisso de dar um presente à cidade, no mutirão para livrar a capital das enchentes.


Ora, o prefeito Kassab, tal como o presidente Lula e o governador José Serra estão em fim de mandato, com mais 10 meses e cinco dias de governo. E, se em quatro anos não desentupiram ralos, em dez meses o prazo é curto para executar um projeto para valer. O presidente embalou no sonho de grandeza ao reproduzir a sua conversa ao pé do ouvido do paparicado prefeito Gilberto Kassab: “Eu disse ao Kassab, agora há pouco, o que nós, governo federal, estadual e municipal precisamos, não apenas em relação a São Paulo, mas em relação às regiões metropolitanas do país, sentar e tentar encontrar uma alternativa definitiva para resolver os problemas das enchentes, da saúde, do transporte e da segurança”. Como se constata um programa gigantesco, que ser discutido pelos partidos e candidatos com larga antecedência, para o lançamento como tema de campanha.


A chuvarada dos últimos dias na cidade, encurtou os discursos do presidente Lula, da ministra Dilma Rousseff, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes na inauguração de uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O presidente chegou com uma hora de atraso na Zona Oeste do Rio, onde estava armado o palanque para a festança, que a chuva torrencial estragou. E que o presidente aproveitou para a gentileza da explicação: “Eu vou ser muito breve porque não é justo vocês continuarem tomando essa chuva”.


Esta chuvarada ainda vai atrapalhar o mutirão prometido pelo presidente dos cinco em 10 meses. E com a campanha a exigir viagens, comícios e discursos em todo o país.

 
 

A lei não vale para todos
    janeiro 25, 2010

Esta pré-campanha está batendo todos os recordes de desafiadora desobediência à legislação eleitoral e com a marca da rebeldia carimbada pelo presidente Lula e a sua ministra-candidata Dilma Rousseff, levada do arrastão da bagunça. Não há inauguração de gabinete dentário em grupo escolar que a dupla não compareça para as fotos cortando fitas e os improvisos do maior líder popular do mundo, com 82% de aprovação nas pesquisas. Por vezes, o exagero chega ao ridículo. Mas, que importa? Lula e Dilma caçam votos.


Sábado, no interior de São Paulo, o presidente Lula inaugurou a sua assinatura na autorização de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). E o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, presidente da Câmara e candidato declarado e sorridente a vice na chapa de Dilma, discursou com a cautela de presidente da gloriosa Câmara dos Deputados, campeã mundial de mordomias, vantagens, assessores, gabinetes, passagens para o fim de semana nas bases eleitorais e demais maroteiras que se igualam às do pior Senado de todos os tempos. No improviso que deliciou a ministra-candidata, o candidato a seu companheiro de chapa, derramou-se em gentileza, afirmando que ela “está habilitada a levar os brasileiros para o paraíso”.


Lula não poderia perder o torneio de elogios. Numa mesma frase, zombou da legislação eleitoral e do Supremo Tribunal Federal : “Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito e quem vier depois de mim, eu por questões legais não posso dizer quem é , espero que vocês adivinhem, vai encontrar um programa pronto com dinheiro no Orçamento”.


O esquema do governo para burlar a legislação eleitoral é refinado. Em outra etapa, a estratégia para não arriscar uma punição à trinca de réus do processo do escândalo do mensalão que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), os dirigentes petistas José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha devem atuar nos bastidores da campanha da ministra Dilma Rousseff.


Os outros envolvidos no processo do mensalão devem disputar mandatos de deputados e senadores por São Paulo. Mas, com discrição, pedindo votos por favor, como quem pede desculpa

 
 

Prezados colaboradores
    janeiro 23, 2010

Pela primeira vez estou trocando o artigo por esta conversa. Necessito justificar-me: este blog nasceu de uma sugestão do meu filho Marcos, preocupado com a minha frustração com a decadência da reportagem política e a baixaria de Brasília, sem saída à vista.


Aqui gastamos um pedaço da nossa poupança, estimulados pela proposta de Pedro Dória, que concluía um curso de especialização na Califórnia sobre tudo que há de mais moderno em matéria de blog e antecipava o convite para uma parceria. Mas, na antes voltar, uma proposta irrecusável do Estado de S. Paulo para assumir a direção do setor, levou o nosso projeto para as calendas.


Diante do irremediável e desprezando a saída pela porta dos fundos de um acerto com O Globo, ou o JB que oferecem R$ 2 mil mensais a seco para explorar anúncios no Blog, decidi topar a parada de lançá-lo sem uma linha na imprensa para ver até onde iria o nosso fôlego. Dentro das limitações não tenho de que reclamar. Um a um os leitores foram chegando e a surpresa dos gasparinos premiados dos fieis colaboradores. Este espaço, a tribuna livre na praça, acaricia a minha vaidade.


Mas, como era inevitável, a campanha eleitoral na baixaria dos escândalos e roubalheiras, contamina a polarização governo versus oposição. E com reflexos na colaboração dos mais exaltados. Jamais farei qualquer censura ao texto dos colaboradores. Mais uma vez reafirmo: a minha geração de repórteres políticos cunhou o modelo ético da imparcialidade que a divide em dois blocos: os com ambições políticas ou veteranos de outros tempos que não escondiam a militância partidária e o liderado pelo saudoso amigo Carlos Castello Branco, o Castelinho, o maior jornalista político do país que adotou a imparcialidade como regra ética.


Muitos, pouco a pouco, foram aderindo à imparcialidade que não é a renúncia a critica, a mais extremada, nem o veto aos elogios. Mas, a isenção na análise, que pode cometer os seus erros, pois errar é humano. Um dos poucos sobreviventes da geração da fase de ouro da eloqüência, da dignidade do velho Senado e da mais brilhante geração de parlamentares do período que começa com a queda do Estado Novo da ditadura de Getúlio Vargas em 15 de março de 1945 e termina em 15 de março de 1985, para o curto período que termina em 1° de abril de 1964 para o negrume da ditadura militar dos cinco generais-presidente. A morte do presidente eleito Tancredo Neves, o presidente que não chegou a tomar posse, liquidou com o nosso sonho da redemocratização do país. E das crises da deposição do presidente Collor de Mello ao descalabro da gatunagem da distribuição de pacotes de notas no gabinete do governador Arruda, a mediocridade da pré-campanha depois dos sete anos e dois meses dos inegáveis avanços sociais dos dois mandatos do presidente Lula, o maior líder popular do mundo.


Nada me fará mudar de comportamento. No pouco tempo que me resta, continuarei a manter a imparcialidade nos elogios e nas críticas. Aos exaltados, fanáticos, radicais recomendo a cota diária de calmante. Educação a gente aprende desde o berço.

 
 

Lula sabe de cor o dicionário
    janeiro 22, 2010

Para uma campanha eleitoral que só começa oficialmente em 5 de julho, daqui a três meses e 13 dias, o fogaréu de baixaria desta semana, com a troca de insultos entre a ministra Dilma, que largou na frente, ao acusar o presidente do DEM, senador Sérgio Guerra (PE) de ter ameaçado acabar com o programa Bolsa Família se a oposição eleger o próximo presidente da República. A resposta do senador Sérgio Guerra subiu várias notas no tom da virulência, acusando a ministra de mentirosa, que já mentiu sobre o seu currículo escolar e agora mente atribuindo-lhe uma afirmação que nunca fez.


O presidente Lula entrou na troca de farpas como mediador. Na primeira reunião ministerial do ano para articular a equipe para a campanha eleitoral da ministra Dilma Rousseff, recomendou que faz questão de uma campanha de alto nível e que “não entrem no jogo rasteiro da oposição”. E, no que foi naturalmente considerado uma contradição, Lula chamou de babaca o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra.


Os fuxicos dos ministros presentes à reunião acrescentam que o presidente ficou impressionado com a entrevista do senador Sergio Guerra à revista Veja, na qual o tucano teria afirmado que se o seu partido ganhar à eleição em outubro “acabará com o PAC por considerá-lo um programa eleitoreiro e de pífia execução”. Lula desafiou : “A opinião de Guerra não se sustenta se ele andar pelas ruas de Pernambuco”.
Insistiu nas provocações : “Não sei se ele estava de férias, mas a entrevista é totalmente desconectada da realidade”. E emendou a frase que tanto chocou a oposição, a imprensa e à sociedade: “O Sérgio Guerra é um babaca. Ele desconhece as obras do PAC porque não quer conhecer. É só ler os jornais ou visitar o estado que ele vai conhecer as obras do PAC”


A Oposição entrou com uma nova representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff contra o uso e abuso da máquina eleitoral na campanha da candidata petista. Ecos do bate-boca.


O marimbondo da curiosidade mordeu o meu bom-senso. E fui conferir no confiável Houaiss a sinonímia de babaca. E lá encontrei logo na primeira linha: que ou que é ingênuo, tabaca, simplório, tolo ou babaquara. E mais, 2 – que ou que não tem vivacidade ou inteligência, bobo “

“.

O presidente Lula queixa-se que não lê jornais para evitar a azia. Nos raros discursos lidos, cada página não tem mais de meia dúzia de linhas. Mas, o presidente é um leitor de dicionários, decorou páginas com a memória privilegiada. O que lhe permitiu mimosear o presidente do PSDB, senador Sergio Guerra com graciosos adjetivos de ingênuo, simplório, babaquara, bobo ou babaca.

 
 

Lá e cá sinais de insegurança
    janeiro 21, 2010

P> A sagacidade mineira do governador mineiro Aécio Neves - o neto de Tancredo Neves, o grande presidente que o Brasil perdeu por erros medicos da bagunça do Hospital de Base de Brasília e pelo senso de responsabilidade embrulhado na matreirice do doente que escondia a inflamação nas tripas por receio de uma resistência militar à posse de José Sarney, mesmo como interino – que enquadrou de uma só tacada o governador José Serra como o candidato natural da oposição à presidência, movendo a torre para o check da recusa sem volta de uma anódina candidatura à vice-presidência que não acrescentaria mais do que uma linha à sua biografia e anunciando que vai disputar uma vaga no Senado.


O Senado anda por baixo do tapete da cozinha com a série de escândalos nas maroteiras com as passagens aéreas, nomeações de parentes, sumiço de milhões de reais evaporaram como fumaça de cigarro. Mas, quem não tem garra não deve tentar a vida pública. Garra, honra e cuca. O mineiro-carioca Aécio Neves, que adora o Rio que conhece com o quintal do Palácio das Mangabeiras, onde costuma passar os fins de semana de parlamentar, das quintas as terças matutou no balanço do avião que sumiria como vice enquanto como senador tinha uma escada a desafiá-lo. Da presidência do Senado, que preside o Congresso à uma destacada atuação parlamentar, com presença na tribuna para as críticas e sugestões ao governo.


Como não encontro melhor explicação, parece que foi a jogada de Aécio Neves fechando Minas com a candidatura de Oposição (falta o vice encruado) que assustou a ministra Dilma Rousseff e que resolveu em afobado chilique dar o troco com um malcriado recado ao PSDB, e que atingiu em cheio o seu presidente, senador Sérgio Guerra: “se o PSDB chegar ao governo acabará com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A resposta veio em tom duro, como era previsível: “Dilma Rousseff mente. Mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa fé do cidadão”.


< P> Se a ministra Dilma pensasse duas vezes não tropeçaria neste buraco. A sua campanha atravessa o nevoeiro de um mau momento, com o governo respingado com o super-escândalo recordista da distribuição de pacotes de notas pela corriola do ex- governador José Roberto Arruda, que renunciou antes que ser preso, é natural que a ministra que estréia na carreira política sem nunca ter disputado uma vaga de vereadora, esteja com os nervos tensos. É mais indicado tomar um calmante do que pisar na poça.

 
 

Uma lição de mineiridade
    janeiro 20, 2010

O governador Aécio Neves, de Minas Gerais, neto do saudoso Tancredo Neves, o presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, no funeral da ditadura militar dos cinco generais-presidente e que não tomou posse, desde moço tem feito jus à notoriedade de que gosta da vida e a desfruta até os limites do risco. Adora esta nossa pobre e maltratada Cidade Maravilhosa, aqui passa os fins de semana espichados e é visto nas praias e entrevisto na semi-escuridão das boates.


Pois o meio-carioca Aécio Neves, com a metade mineira que infla nas horas certas está realizando um governo exemplar, que respalda a sua popularidade confirmada em toda as pesquisas. Sonhou acordado em ser candidato a presidente na sucessão de Lula e travou com o paulista, governador José Serra uma guerrilha com luvas de pelica que em nenhum momento escorregou para a baixaria.


Mas, a maior densidade política de José Serra fez pender a balança para o governador do mais poderoso estado do país. E o governador Aécio Neves perdeu no campo, mas ganhou na torcida. Exemplar na malícia da mineirice e irretocável a sua decisão de rejeitar uma vice-presidência que nada acrescentaria a chapa puro-sangue. Já anunciou a decisão irrecorrível de candidatar-se à vaga de senador, em que o seu favoritismo é indiscutível. Candidato ao desmoralizado Senado, no pior momento de sua história, uma vez eleito é um candidato natural à presidência. E, com qualquer resultado na eleição mineira, a esta altura improvável, Aécio Neves terá a sua vaga no tabuleiro como candidato natural á presidência da República, se os santos ajudarem, depois de uma nova Constituição, a ser elaborada por uma Assembléia Nacional Constituinte, eleita pelo povo, com a peneirada dos candidatos, a começar pela exigência da folha corrida limpa e das meias e cuecas sem marcas de pacotes de notas da gatunagem na Assembléia Legislativa de Brasília, outra aberração na capital que foi construída para abrigar o governo federal, representado pelos três poderes, Numa capital de no máximo 500 a 600 mil habitantes. Já está perto dos três milhões e a ameaça de mais uma eleição do Roris para o enterro do sonho de JK e a punição pelo açodamento de mudar a capital para uma cidade em obras no cerrado do Planalto. Deu no que deu.

 
 

A capital perdida
    janeiro 19, 2010

Foi preciso apelar para a Justiça para que o presidente da extravagante Câmara Legislativa do Distrito Federal, o sem partido deputado distrital Leonardo Prudente e larápio se afaste imediatamente do cargo. Trata-se de uma seqüência de absurdos que começa com a mudança da capital do Rio de Janeiro para Brasília, em 21 de abril de 1960, um canteiro de obras no cerrado, sem as condições mínimas de acolher os três poderes, dos ministros, secretários, senadores e deputados. Para vencer resistências os jeitinhos clássicos e calhordas das mordomias, que pegou como capim no pasto.


O episódio mais policial do que político da defenestração do deputado distrital Leonardo Prudente da presidência da Câmara Legislativa da capital é um retrato borrado a nanquim da desmoralização que corrói a credibilidade da democracia restabelecida depois de quase 21 anos da ditadura militar dos cinco generais-presidente. Pois, o deputado Prudente é o guapo mancebo que enfeita o centro do documentário da corrupção coordenada pelo governador José Roberto Arruda, com a distribuição de pacotes de dinheiro, que eram escondidos nas mais extravagantes cafuas: o que não cabia nos bolsos, era guardado nas meias, nas cuecas, nas dobras das calças e em outros buracos pouco asseados.


O presidente da Câmara não foi além da proeza de esconder os pacotes nos bolsos e o que sobrou nas meias. Mais oito ilustres deputados da Câmara e uma senhora entrada nos anos e dois suplentes estão na fila das investigações e podem ter os seus mandatos cassados. Imagine-se o que vem por ai com os suplentes. Com o despejo do presidente Leonardo Prudente, determinado pelo juiz Álvaro Luis Ciarlini, da 2ª Vara da Fazenda Pública, o deputado que escondeu o pacote de dinheiro nas meias pedirá licença de 60 dias do cargo, provavelmente para procurar um lugar mais seguro para guardar a sua fortuna. Mas, a sua volta à Câmara de Brasília passa da linha do absurdo.


Só a convocação de uma nova Assembléia Nacional Constituinte, com ampla mobilização da sociedade, poderia salvar o regime democrático que se derrete na desmoralização dos três poderes, no cateretê da roubalheira, do inchaço, da gastança, do ministério obeso e cômico, como a Secretária que vai virar o Ministério da Pesca e que nunca pescou um bagre. Como a campanha ainda não encontrou os temas para a polarização na reta de chegada, resta a esperança que a ministra-candidata Dilma Rousseff e o virtual candidato da oposição, o governador paulista José Serra, além de outros candidatos que podem desequilibrar a dobradinha dos favoritos, nos muitos debates em redes de televisão e de rádio, nos promovidos por jornais e revistas deixem as firulas de lado e elevem o debate ao nível das nossas modestas esperanças e profundas angústias.

 
 

Lula adora a crítica a favor
    janeiro 18, 2010

Lula não é o primeiro presidente nesta fase de desmonte da democracia a demonstrar a sua ojeriza à liberdade de imprensa. O seu ilustre e saudoso precursor, o general-presidente Arthur da Costa e Silva, em visita com farta mesa de almoço ao Jornal do Brasil, queixou-se à Condessa Pereira Cerneiro, diretora da empresa, das críticas que driblando a vigilância da censura, apontava erros no seu governo. A Condessa tentou escapulir pela janela dos fundos: “Presidente, as nossas críticas são sempre construtivas”. O presidente levou a melhor com a sincera e bem humorada resposta: “Condessa, eu gosto mesmo é de elogio”.


Pois o presidente Lula, paladino da democracia, foi mais prático: passou a bola para a 2ª Conferência Nacional de Cultura, que se reúne em março e, com o maior descaro, inseriu no texto base das suas conclusões, com a desfaçatez dos bajuladores que “o monopólio dos meios de comunicação representa ameaça aos direitos humanos”. Para ser mais exato, o texto base da conferência que será realizada pelo governo do presidente Lula, não propriamente numa pausa da pré-campanha, mas como um dos trunfos para controlar a liberdade de imprensa, defende o papel da mídia como difusora da educação e da cultura, e depois de soprar, trinca os dentes da mordida de arrancar pedaço: “o monopólio dos meios de comunicação representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos, principalmente no Brasil, onde a televisão e o rádio são os equipamentos de produção de bens simbólicos mais disseminados”. O último período parece escrito por candidato a censor, com a sinecura garantida.


O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) com longa militância na imprensa como repórter de O Dia, em que fui o numero um do registro da fundação, mais uma vez saiu em defesa da liberdade de imprensa ameaçada pelo governo do presidente Lula e pelo silêncio da ministra-candidata a vice, Dilma Rousseff. Esclarece o veterano e destacado parlamentar: “O Brasil não é um monopólio. Dizer isso é um exagero, um erro, No país há concorrência, diversidade de veículos e opiniões”. Lula está cutucando uma casa de marimbondos. Será que não basta a pré-campanha ao arrepio da lei e a demora no socorro às vitimas das enchentes que deixam milhares que perderam tudo e não sabem como recomeçar a vida?


Francamente, do Lula frasista original, prefiro a sua última sobre a submissão da mulher;” Uma mulher não pode ser submissa ao homem por causa de um prato de comida. Tem que ser submissa porque gosta dele”.