Marta abre espaço para o futebol feminino
    dezembro 30, 2009

Pela primeira vez, estou ocupando este espaço com a transcrição do artigo escrito há vários dias e publicado na edição de hoje do JB. Não é só a confessada preguiça de fim de férias com tantos aborrecimentos que me levou a quebrar a boa norma dos textos exclusivos. Mas, sincero empenho em dar uma ajuda ao futebol feminino e ao Pelé-Didi de saia, a fantástica Marta que escancara os estádios ao disciplinado futebol feminino, em que somos campeões do mundo. Conto com a compreensão e o apoio dos prezados leitores, os pelés e martas deste Blog.

A veneranda máxima do “futebol é esporte para homem”, que tantas vezes ouvi nas conversas com colegas do curso primário – lá se vão mais de meio século – e ao longo da vida como freqüentador de estádios, com cadeira cativa e depois permanente na bancada da imprensa do Maracanã, cronista esportivo de A Notícia, com uma pasta recheada de recortes amarelecidos à espera da visita da saudade, precisa ser revista com urgência, com o enterro dos caducos preconceitos,


Pois, se os grandes cronistas esportivos não abrirem os olhos, vão pegar o bonde andando e nos últimos balaústres do reboque. Para ser justo, os mais atentos concedem pequenos espaços para o registro da advertência do final do Campeonato Mundial Feminino, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, com mais de 60 mil pessoas, que foram chegando devagar até lotar cadeiras e arquibancadas para o delírio da comemoração da vitória do Brasil sobre a forte seleção do México. Marta saiu minutos antes do jogo acabar para voar para Zurique, na Suíça e conquistar pela quarta vez o prêmio de melhor do mundo, com 833 votos contra 239 de conterrânea, a alagoana Cristiane; 290, da alemã Birgit Prinz e 216 de Inka Grings, também alemã.


Em todas as partidas que vi pela TV, a cordialidade, a lealdade, a raça, a forma física de praticamente todas as atletas expõem o vexaminoso contraste com a onda de selvageria e violência que se alastra pelos estádios do mundo nos campeonatos dos marmanjos. Não precisamos invocar exemplos daqui e da Europa, com as invasões de campo, a troca de sopapos e pontapés entre endoidecidos pelo ódio.


Os últimos meses, na modéstia técnica do decadente futebol brasileiro, transformado em fornecedor de craques para o resto do mundo diante da aparvalhada cumplicidade da cartolagem, que parece mais interessada em faturar fortunas em dólares na feira livre de promessas de jovens imberbes do que em colecionar taças no museu do clube. O futebol brasileiro não é mais esporte para homens mas para capoeiristas, lutadores de box ou da troca murros no vale-tudo. E até relativamente pouco tempo, que se conta por décadas, o futebol pentacampeão do mundo fazia milagres para conservar os seus craques. Pelé não vestiu no Brasil outra camisa de clube que não a do Santos. Zizinho, Zico, Junior e dezenas de supercraques só entraram em campo com a camisa do Mengo. Como o atual presidente do Vasco, Roberto Dinamite, Ademir, Barbosa, Lelé, Izaias e Jair viveram a melhor fase de craque com a camisa cruzmaltina.
Nas cadeiras, nas arquibancada ou nas gerais as famílias, com filhos e netos eram respeitadas.


Hoje, e de uns anos para cá é uma aventura de risco levar a família para a arquibancada com o Maracanã lotado e em dia de confronto das torcidas organizadas e armadas dos mais poderosos clubes do Rio e São Paulo. E a praga se espalha por todos os estádios de capitais ou grandes e médias cidades.


Pois a torcida que se engalfinha nos jogos do futebol para homens é a mesma que foi lotando pouco a pouco o Pacaembu, atraída pela transmissão pela TV-Bandeirante, com a narração do veterano Luciano do Vale e comentários do grande craque do passado, Neto. E que entrou no clima de cordialidade, de compostura e de entusiasmo pela exibição impecável da Seleção de Marta e Cristiane e de moças que têm muito a ensinar aos antigos donos do futebol.


Vários clubes, como o São Paulo, o Santos, o Corinthians, o Palmeiras se anteciparam na montagem de times para disputar o Campeonato Feminino. No Rio, clubes falidos, conformam-se com a indigência da maioria dos jogos com estádios vazios.


E se futebol é esporte para homens, muitos, mas bota muito nisso, dos craques de primeiro time dos grandes clubes deveriam ver e rever os teipes dos jogos da seleção feminina do Brasil campeã do mundo. Revendo duas e mais vezes, o que a alagoana Marta de 23 anos, que conquistou pela quarta vez o prêmio de melhor do mundo, faz com a bola. A visão do campo, os passes a longa distancia com a precisão que lembra o Didi, dos dribles curtos e o chute inimitável com os três dedos, que engana a goleira e a bola morre no canto do gol, a folha-seca do maior jogador da Copa do Mundo de 1950.

Marta é o Pelé do futebol feminino do mundo. Um fenômeno que só acontece uma vez em cada século.

 
 

Lula é novo censor da imprensa
    dezembro 29, 2009

Lula é o novo conselheiro da imprensa

Villas-Bôas Corrêa

Na oportuna escolha, com a aguda sensibilidade que é um dos enfeites da da sua rica personalidade, o –presidente Lula, na véspera de embaçar com alegre caravana para as merecidas férias de 11 dias na paradisíaca Base Militar do Aratu, na Bahia, próxima de Salvador, ao sancionar o projeto de lei que beneficia os taifeiros da Aeronáutica, muito a propósito, criticou a cobertura jornalística ao trabalho dos deputados, ressalvando que a visão da imprensa é sempre negativa, mas “se a gente for analisar o trabalho durante o ano, vai perceber que tem muito mais coisas positivas que negativas”.


Acho que o presidente passou da conta. Não vale a pena gastar papel e tinta para relembrar o desempenho calamitoso do Congresso no ano recordista de escândalos, que se propagaram em cascata para as assembléias legislativas e as câmaras municipais, com as exceções do estilo.


Mas o presidente metido a censor e mestre da imprensa vai além da gaiatice do picadeiro circense. Lula não lê jornais, como não é o papelório do expediente, que os ministros e assessores nos seus despachos, levam mastigados, com o resumo em meia dúzia de linhas ou recitam em poucas palavras. O ex-assessor de imprensa e amigo, Ricardo Kotscho, provocado por mim num papo de amigos a indicar um livro, um só livro lido pelo presidente, tentou escapar pela tangente que leu a excelente biografia de Garrincha no texto de Ruy Castro. Não resisti e expus a minha dúvida. Kotscho foi perfeito: “Não leu todo, pulou algumas páginas…


Bom momento para um teste. O presidente embarca amanhã para a Base Militar de Aratu com a família, amigos e convidados. Pois merecerá o Prémio Esso do ano, o repórter que conseguir descobrir o livros ou os livros que o presidente escolheu para ler nas férias de 11 dias. Garrincha, de Ruy Castro não vale…

 
 

A mala de chumbo da ministra
    dezembro 21, 2009

A ministra Dilma Rousseff não desgruda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja na rotina palaciana aliviada pelas viagens que bate o recorde mundial quanto sempre pega uma carona, na convicção de que cada foto, cada aparição nas telas de TV ou simples menção nos blogs aumenta alguns pontinhos no Ibope.


Mas, a candidata esta forçando a mão nos retoques de uma imagem solidificada em seis décadas de um temperamento áspero como couro de tamanduá, que explode pelos mais fúteis pretextos, aos gritos que ecoam nos corredores palacianos. De uma das suas mais próximas amigas, que aprendeu a dar a volta por cima, recolhi o depoimento sobre as contradições da candidata. Em geral, seus faniquitos duram pouco e como vêem, desaparecem como se não tivessem acontecido.


A candidata a presidente da República, com amplas possibilidades de ser a primeira mulher a envergar a faixa necessita rever os seus padrões de conduta. E não apenas na convivência com eleitores e subalternos, mas na análise crítica dos seus programas de campanha. Francamente, já está passando da conta a desfaçatez com que a candidata, sem se licenciar, usa e abusa dos privilégios para a descarada campanha, praticamente em tempo integral.

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Ela não tinha nada a fazer na desastrosa conferência mundial sobre o clima em Copenhague. A ex-ministra das Minas e Energia jogou sempre no time adversário. E como manda-chuva para derrubar florestas para esticar fios, arruinar cachoeiras para acionar usinas pode agradar ao presidente Lula, que não gosta de bagres que retardem obras para o desvio das águas. Mas, o presidente, com o seu prestígio internacional é o cara que pode mudar de camisa, desde que não sejam dos clubes da sua paixão pelo futebol: o Vasco e o Corinthians. Dilma topou e quase leva um tombo com a ex-ministra Marina Silva, candidata do Partido Verde à presidência e a biografia de uma acreana com décadas de militância na preservação da Amazônia e do que sobrou pelo país nas manchas verdes em meio à devastação para a criação de gado, a imensa plantação de soja.


A ministra-candidata saiu da Conferência como uma a mais na caravana de quase mil convidados do presidente para assistir a sua consagração como o cara que é o novo líder da defesa do meio-ambiente. Lula trocou o parceiro infiel, o presidente Barack Obama pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy e formou a dupla que ajudou a compor a saída estreita do adiamento da decisão para dissimular o fracasso de Copenhague.


E a candidata Dilma Rousseff colecionou as gafes da arrogância e do seu temperamento. Ou os escorregões dos autores dos textos dos seus discursos. Quando não fala, com desembaraço, de improviso, confia nos redatores oficiais, nem sempre inspirados. Como na sentença: “O meio ambiente não é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”.


Em que ficamos, ministra? Qual é o seu time? Não dá para trocar de camisa no segundo tempo.

 
 

Bis da volta
    dezembro 18, 2009

Um enguiço no computador, em fase de remontagem, encaixou meu artiguete de ontem no pé do espaço para comentário do artigo de abertura, com mais de cem entradas.
Vamos ter mais alguns prováveis tropeços até a conclusão das atualizações num veterano computador mais rodado que um Ford de bigodes.
Não quero bancar vítima de tropeços no destino. Mas, há quase um ano venho emendando acidentes de percurso que nada têm um com o outro.
Depois de que voltei de Belo Horizonte, o soco no estômago do agravamento do precário estado de saúde do meu cunhado Roberto Siqueira, até hoje internado na Casa de Saúde com sondas na luta para mantê-lo vivo, mas ainda sem prognóstico, ainda entubado, com a paralisação dos pulmões, gastando todas as economias de uma vida de luta como advogado e especialista em programação de urnas eleitorais.
Estamos com um pé no avião à espera do pior.
Em mais uma semana, se o azar der uma trégua, este blog contará com a minha croniqueta diária, embora ela não faça a menor falta, graças ao brilho e qualidade do texto de uma turma que está virando equipe de primeira linha.
Não quero avançar prognósticos, mas acredito que a campanha passará por reajustes, acertos e a dança dos acordos até o lançamento das candidaturas. A dianteira da Dilma Rousseff, no novo modelito da sessentona boazuda, risonha, simpática, quando a sua fama entre os funcionários do Palácio do Planalto é de uma mal humorada de pavio curto, que explode aos berros nas descomposturas por qualquer motivo ou sem motivo algum.
O espaço da oposição ainda não tem dono. O Aécio Neves está jogando como um craque em mineirice. Sabe que vice de José Serra é um enfeite de mesa de banquete.
Os meus companheiro de blog gozam de uma liberdade que eu não tenho para preservar a imparcialidade do comentarista profissional.