A lição ética dos vereadores de Nova Friburgo
outubro 15, 2008
Com o atraso de mais de uma quinzena, lendo a edição do dia 7 do jornal A Voz da Serra, de Nova Friburgo, descobri como garimpeiro que encontra a pepita de ouro da aventura, lá no alto da página 10, com o título que cutucava o interesse sem revelar a surpresa de “Vereadores eleitos receberão subsídio mensal de R$ 7.740” e a sacudidela no subtítulo de “Parlamentares não terão direito a 13º salário” - a manchete que deveria ser publicada na primeira página de todos os jornais do país, nos noticiários das redes de TV e emissoras de rádio.
Vamos ler junto o texto da excepcional e surpreendente lição de ética, que soa como um tapa no rosto do Congresso mergulhado na crise moral que ameaça o regime.
Não é grande e confirma a sabedoria popular que ensina que o melhor perfume é o que se esconde nos frascos pequenos.
Olho vivo e atenção para não perder nada: “Às vésperas do pleito de domingo, dia 6, a Câmara de Nova Friburgo aprovou a resolução de número 4280/08, reajustando o subsídio mensal dos vereadores eleitos e que tomarão posse em 1º de janeiro. O subsídio de cada um dos parlamentares será de R$ 7.740 brutos, vedado o recebimento de qualquer outro tipo de gratificação adicional, abono, prêmio e verba de representação”.
“Respire fundo que o melhor está no fim:” Segundo a resolução legislativa, o futuro presidente da Câmara não terá direito a qualquer acréscimo no subsídio para exercer a função, bem como também não haverá pagamento de 13º subsídio aos futuros parlamentares”.
E no arremate: “Na hipótese de o vereador eleito vir a ser nomeado secretário municipal, deverá optar pelo subsídio ou salário custeado pelo Executivo, vedada a acumulação. Os vereadores não serão indenizados ou remunerados em caso de sessões extraordinárias”.
A ressalva que carimba a autenticidade: Apenas dois dos atuais integrantes da Câmara votaram contra o reajuste: os vereadores Marcelo Verly (PSDB) e a candidata derrotada a prefeita, vereadora Jamila Calil (PSB). ”
A Câmara Municipal de Nova Friburgo mantém uma histórica tradição de compostura e modéstia. Os longevos de boa memória, como o diretor da AVS, Laércio Ventura, conheceram a Câmara com meia dúzia de vereadores e apenas quatro servidores que davam conta do recado.
Quando recebi o título de Cidadão Friburgense, em 15 de agosto de l986, a Câmara Municipal ainda se apertava nos dois andares do venerando casarão da Praça Getúlio Vargas que fora a sede da Prefeitura.
Mudou-se para o prédio de amplos espaços que foi do Banco do Brasil. Um convite ao desatino do empreguismo, com mimos para parentes, amigos, cabos eleitorais e cupinchas.
Agora, ficou difícil uma recaída com a vigilância da sociedade e dos vereadores que deram o recado antes da eleição e da posse.
Certamente não sensibilizará os colegas vereadores de todo o Brasil nem aos deputados estaduais e federais e senadores que desfrutam o vexaminoso privilégio de um dos melhores empregos do mundo, cevados pelas mordomias, vantagens e privilégio e a semana útil de três dias.
Esperança de um choque ético? Ou a vergonha que se perde não se encontra mais.



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