Índios - parte 1
    outubro 14, 2008

Na volta triunfal, em 1950, nos braços do povo, na desforra da derrubada do Estado Novo, em 1945 e da eleição para presidente do seu ministro da Guerra, marechal Eurico Gaspar Dutra, o ex-ditador do Estado Novo, Getúlio Vargas elegeu-se tendo companheiro de chapa o deputado Café Filho, indicado pelo aliado, então governador de São Paulo, Ademar de Barros. Ressentimentos curtidos no exílio na fazenda em São Borja, na zona missioneira do Rio Grande do Sul foram enterrados na cova rasa do esquecimento. Eleito, empossado, o presidente Vargas driblou o estafante compromisso de inaugurar a primeira reserva indígena no Brasil Central, ao seu vice Café Filho.


Integrei a comitiva que cabia no DC-3 da Aeronáutica. Saímos de Natal, com o vice em impecável terno de linho branco e pousamos no campo improvisado, com a recepção de autoridades militares, diretores do Serviço de Proteção aos Índios e dezenas, talvez mais de uma centena de indígenas nus ou com as tangas que mais mostravam do que escondiam o que não vergonha para quem desconhecia a malícia do civilizado. No altar armado no amplo espaço ao lado das rústicas cabanas de brancos e índios, foi rezada a missa pelo deputado e padre Medeiros Neto, com os paramentos da sua precavida bagagem. A lembrança da Primeira Missa da descoberta em 1500. Mas, é uma visão que não resiste à sacudidela da realidade de séculos de devastação de floresta e de caça ao índio. Até o fim da missa ninguém arredou pé.

Até o fim da missa ninguém arredou pé. Com o fotografo Amaro Rosa demos uma volta em torno para escolher ângulos para os flagrantes. Sem grande sucesso, como se verifica…