A solução para as duas crises do Senado
    julho 2, 2009

Quando o prezado leitor estiver lendo estas mal traçadas linhas é possível que a crise em dose dupla do Senado já tenha sido resolvida por quem sabe usar o poder com a experiência que se aprende com a vida e se aperfeiçoa no exercício da liderança sindical.
Se o PT, os aliados de Lula e os vigorosos oradores da oposição tivessem os pés na terra, a crise teria sido resolvida antes de pipocar na mídia e nos destampatórios patuscos do disse-não-disse ou disse o que não deveria ter dito. Como mais uma evidência que entra pelos bugalhos quem tem poder é o presidente Lula. E bastaria um telefonema para os confins de Sirte, na Líbia, onde participou da cerimônia de abertura da Cúpula da União Africana e naturalmente discursou para ensinar aos africanos como se governa um país, para abafar a fogueira em que se queimavam governistas e aliados no sururu do Senado,
É possível que os indecisos líderes petistas receassem não serem atendidos por Lula. Ora, bastaria recorrer aos préstimos da ministra-candidata Dilma Rousseff, que tem linha direta com o presidente e o óbvio interesse em desatar o nó, para que a crise do faz-de-conta já estivesse resolvida, com os brigões comemorando as pazes num almoço pago pela verba indenizatória dos senadores pródigos.
O presidente José Sarney que ameaçou renunciar se fosse considerado um obstáculo, com a ressalva ladina de que antes conversaria com o presidente Lula, como já fora combinado por telefone.
Não foi preciso mais. A crise se desmanchava com o recuo dos dois lados, todos com o rabo preso na orgia dos avanços no cofre da Viúva, na confraternização de senadores e das centenas de diretores de coisa nenhuma ou de poderosos como o Agaciel que até já perdeu o sobrenome e o gabinete.
Entre os mais contundidos pelos trancos de Lula nas declarações ainda na Líbia, o DEM e PSDB receberam seu quinhão: “É importante para o DEM e o PSDB, que querem que o Sarney se afaste para o Marconi Perillo – senador pelo PMDB e 1 ° vice-presidente do Senado – assumir a presidência o que não é vantagem para ninguém. A única vantagem é para o Marconi Pirillo e para o PMDB que querem ganhar o Senado no tapetão”.
Uma pedrada na testa e que doeu na oposição que se defendeu atacando na troca de obviedades.
Não há ninguém no governo e no Senado sinceramente interessado em analisar e resolver a crise moral e ética no Congresso. As soluções estão à vista, na sua exposta inviabilidade. A degringolada começou com a mudança da capital para Brasília em obras. Com a resistência das vítimas a abandonar o conforto do Rio para a aventura da troca pelo atoleiro do lamaçal de Brasília, o presidente JK abriu o cofre e pagou o preço para convencer os hesitantes. Das dobradinhas para os servidores públicos às mordomias que brotaram como tiririca no cerrado
Brasília está consolidada, com mais de dois milhões de habitantes e todos os incômodos de grande cidade. Nada mais justifica a penca de mordomias, benefícios, vantagens que adubam o escândalo do Senado. Para cortar o mal pela raiz bastaria-como todo mundo sabe, inclusive o presidente Lula e os agraciados. Restabelecer a semana de cinco dias úteis, de segunda à sexta-feira, acabar com a orgia da verba indenizatória, dos gabinete privativos com dezenas de assessores, com as passagens aéreas para o fim de semana com a família nas suas bases eleitorais e demais miçangas do colar da opulência de marajás é a única solução para valer.
Pena que seja inviável. Como todos sabem e se conformam: do presidente Lula e a ministra-candidata Dilma Rousseff aos coléricos oradores da oposição.-

 
 

O escândalo do Senado virou pantomima
    julho 1, 2009

Para cortar pela raiz o escândalo que desmoraliza o Congresso, com a série infindável de denúncias, xingamentos, desculpas e bate-boca os líderes partidários fecharam um milagroso acordo para votar, na próxima semana, mudanças moralizadoras na lei eleitoral e dos partidos.
No exagero das cautelas éticas, os líderes dos partidos que sustentam a bandeira da moralidade no Congresso, avisam que o texto do milagre poderá sofrer modificações no transito final da votação no plenário – o que é uma novidade do tempo em que se amarrava cachorro com barbante.
Mas, a fervilhante imaginação dos líderes, no empenho de evitar o naufrágio, estende a corda antecipando que um dos itens da reforma altera as regras sobre o uso de Internet e outdoors pelos candidatos ao voto da população, ansiosa pelas filas nas seções eleitorais para renovar os mandatos do pior Congresso de todos os tempos.
Vamos aos detalhes: o diligente líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP) adverte com o dedo apontando para o infinito, que “as regras são muito restritivas quanto ao uso da Internet”.
Vejam como um estalo no cérebro privilegiado transforma uma crise institucional numa simples mudança nas regras para o uso da Internet. E o entusiasmo com foi acolhida pelo plenário da Câmara, com o assanhamento do baixo clero que garantiu 340 assinaturas no requerimento para a votação e a óbvia aprovação em regime de urgência, na próxima terça-feira, primeiro dia útil da semana parlamentar.
A plástica na lei eleitoral e dos partidos libera o uso da Internet nos três meses de campanha oficial, ignorando a antecipação pelo presidente Lula, que com a sua candidata, a ministra Dilma Rousseff, há meses percorre o país a pretexto de acompanhar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sempre transformados em comícios, com discursos, bandeirolas e demais manhas para a caça do voto.
Atentos e suspicazes, os líderes partidários proíbem a qualquer tipo de propaganda partidária paga pela Internet. É minucioso: não será admitido o tratamento privilegiado a candidatos ou partidos, trucagem, recursos de áudio que ridicularizem partidos ou candidatos.
E dosa a generosidade, permitindo calorosos debates pela Internet, com regras que assegurem o direito de respostas.
Com a mão na massa, os líderes autorizam os jornais e revistas a apoiar candidatos e vender espaço para a propaganda, limitados a 10 por candidato no mesmo veículo.
Mais alguns dias, com a aprovação garantida da proposta dos líderes, com a exclusão do PSOL, de reforma da lei e eleitoral e dos partidos, o escândalo do Senado será apenas mais um ato da pantomima.
Só os leitores viciados no noticiário político conseguem acompanhar os giros da roda gigante da patuscada dos venerando senhores senadores, inclusive dos senadores de garupa, “eleitos” sem um voto, como suplentes do pai, de parente próximo ou do amigo que se elege com a escora da sua generosidade, pagando as despesas da campanha.
A bambochata em que se transformou o bate-boca entre quase todos os senadores, com as honrosas exceções perdeu toda a seriedade e o senso do ridículo. O senador veemente que exige da tribuna a licença do presidente e, alvejado por um aparte, vira o disco para justificar o deslize com o empréstimo pelos atalhos conhecidos é uma cena de pastelão.
Como o silêncio de se ouvir o vôo de um mosquito, quando o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro secretário do Senado, propôs a renúncia coletiva de toda a Mesa.
O PT, com Lula no exterior, na forma do costume, ameaçou votar pelo afastamento do presidente José Sarney. Ora, o PT é Lula e seus votos. Um recado ordenou boca fechada até a sua volta. E o PT sumiu.
Para acompanhar a novela só com a TV ligada nos noticiários ou apelando para a Internet a cada meia hora.
Garanto que é tempo desperdiçado. Com o sol entrando pela janela, paro por aqui e vou dar a minha caminhada pelo Jardim Botânico, o espaço mais bonito do Rio.

 
 

Tudo agora é sucessão
    junho 30, 2009

Agora é mesmo para valer. O Presidente Lula assumiu o comando da sua sucessão em tempo integral e como a prioridade absoluta do restante do seu mandato. E nada mais significativo do que o seu empenho nas instruções às bancadas do PT e dos aliados para que adotem uma linha de defesa do presidente do Senado, José Sarney PMDB-AM, na crise que se alastra pelos partidos e incha a cada dia.
O ministro José Múcio não deixou dúvida no recado aos aliados: “O apoio ao presidente Sarney é absoluto”. E tudo o mais é secundário. Mas, nem há barreiras a serem derrubadas. Os senadores e deputados petistas, não todos, mas em número significativo, têm as magoas das imposições presidenciais, A candidatura da ministra Dilma Rousseff, embora tenha se firmado, foi imposta por Lula como fato consumado, ignorando as ambições de vários e notórios pretendentes petistas, sumariamente afastados com um piparote, como os
senadores Aloizio Mercadante (SP), Eduardo Suplicy (SP) e outros com mais modestas credenciais. Nenhum contesta de público a candidata do presidente, hoje fortalecida com índices crescente de popularidade nas pesquisas e as escoras de dona do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa Meu Voto, que promete construir um milhão de residências populares a toque de caixa, mas sem data para acabar.
A crise do Senado conquistou espaço nas prioridades presidenciais na medida em que pode complicar a sua sucessão. No PT a ordem de Lula deve conter a surda rebelião na bancada. E se o presidente perder o controle do partido que fundou a presidiu até a sua eleição, é sinal de que as coisas escaparam do controle e o governo está à deriva.
Pois, se o PT saltar do barco, será o sinal da debandada. Pelo menos, com a anarquia na base parlamentar do governo.
Enquanto a oposição não sai da toca e define os seus candidatos a presidente e vice-presidente, a campanha não saiu do areal das especulações para a caça ao voto. Tal como Lula e a candidata Dilma Rousseff dão o exemplo, com a campanha escancarada nas visitas às obras iniciadas ou que ainda nem começaram e na ampliação do seu fantástico esquema de propaganda que invade todos os espaços. Do blog, o rádio, a televisão e agora na estréia de Lula como cronista político, assinando artigos semanais que estão sendo oferecidos aos jornais e revistas de todo o país. Um sucesso garantido na imprensa municipal que não perderá a oportunidade de estampar na primeira página, o artigo assinado pelo nosso mais novo confrade.

 
 

A Seleção abafa a crise
    junho 29, 2009

O gol salvador do capitão Lúcio nos últimos minutos do segundo tempo da final contra os Estados Unidos, não garantiu apenas, pela terceira vez, a conquista da Taça das Confederações, um aperitivo para a Copa do Mundo de 2010, mas, tirou das manchetes o gracioso e tradicional forró na Granja do Torto, com a estupenda foto do presidente em trajes típicos e o chapéu de palha com as abas desfiadas, ao lado da ministra-candidata Dilma Rousseff exibindo esplendida forma física e da primeira-dama, Marisa Letícia Vários ministros, poucos parlamentares com o Congresso no recesso da sua semana de quatro dias úteis e convidados garantiram a animação, com a ajuda dos comes e bebes.
A semana promete aliviar a tensão da interminável crise ética do Senado, atolado no escândalo interminável do sumiço do dinheiro público, começou a enfastiar a opinião pública. O Congresso caiu na desmoralização da piada e ninguém mais leva a sério as repetitivas promessas da vassourada moralizadora, a cada dia com novo esquema para debelar a desordem que rola de escada abaixo, arrastando o lixo empilhado nos cantos.
A sucessão presidencial ainda está longe e as especulações girando em torno das mesmas e alternativas só fornecem piadas para as conversas de botequim.
E a paixão nacional pelo futebol, com a crise dos clubes à beira da falência, que passaram a fornecedores de craques para o futebol europeu e até da Ásia e agora da África e que raramente só consegue encher os estádios - muitos como o Maracanã, diminuíram cadeiras e espaços na arquibancada e na geral - necessitava de uma conquista no exterior para apagar os vexames das últimas copas, que foram manchadas pela bagunça dos cartolas e erros primários de planejamento, como a concentração em hotéis rodeados de bares, dancing e prostíbulos, com jogadores concedendo entrevistas ao vivo nos horários da madrugada.
A Seleção campeã e o técnico Dunga, que já foi mais malhado do que Judas, não pode ter a recepção merecida, pelo horário da chegada e a dispersão dos craques para os seus clubes espalhados pelo mundo.
Mas, virou uma referência que deve sustentar a confiança e o interesse de milhões. Poucos os desligados que não dão a mínima para os esportes e não sabem o que estão perdendo nos solavancos da vida.
Há muito tempo uma Seleção não se impõe pelos seus méritos, disciplina e dedicação, derrubando mitos, antes da convocação que ora se antecipa com a cristalina evidência.
O técnico Dunga, que foi um grande capitão, mais pela raça do que pelo brilho do seu estilo, afirmou-se como o técnico que impôs disciplina e confiança aos jogadores, fechando um grupo unido, solidário e de comportamento exemplar.
E lavou a alma em declarações de justo orgulho:”Recuperar-se de um 2 a 0, no intervalo, só foi possível quando se tem uma equipe de homens, comprometida com a vitória até o fim.”
A Seleção para a Copa de 2010 está escalada e à disposição do público para as conversas, discussões e apostas até a última partida.
A lavagem de roupa suja no Congresso já esgotou a nossa paciência. Vamos mudar de assunto.

 
 

Um mês de trégua na campanha
    junho 27, 2009

Em um dia de afirmações e desmentidos, o presidente Lula abateu mais uma vez, com um tiro a curta distância, a hipótese estapafúrdia de um terceiro mandato no distante 2014, uma precipitação que arruinaria a candidatura da ministra Dilma Rousseff na eleição de 2010.
O presidente costuma ser direto na sua loquacidade: “Recuso-me a discutir 2014, pois não seria correto para mim e nem para a candidata Dilma Rousseff, que quero eleger. Vamos supor que, como espero, eleja Dilma candidata do PT e o povo a eleja presidente. Qual será o meu papel? Será trabalhar para que ela faça o máximo possível, e ela tem o direito de ser candidata à reeleição”.
Mais disse, sem nada acrescentar ao resumo enxuto e preciso. E seria o pior momento para Lula desdobrar hipóteses incorretas, quando a ministra-candidata vai iniciar em agosto, a última etapa do tratamento do câncer linfático, depois das sessões de quimioterapia, concluídas com êxito.
Para o tratamento de radioterapia, no Hospital Sírio-Libanês, a ministra deverá permanecer em São Paulo e despachará no escritório da Presidência da República.
O tratamento prevê 20 sessões de radioterapia em um mês, sendo cinco por semana, com a duração de 20 minutos a meia hora. Para despachar em São Paulo, vários dos seus assessores deverão acompanhá-la.
O quadro, portanto está traçado com nitidez das linhas. O afastamento da candidata da campanha dissimulada com a visita às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das apenas iniciadas para a construção de um milhão de residências populares do Minha Casa Seu Voto alivia a agenda de Lula. E na rebatida para a outra metade da campanha, também a oposição da angústia de definir a sua chapa, já virtualmente montada com o governador José Serra, de São Paulo para presidente e o governador mineiro Aécio Neves para vice. Agenda para o fim do ano, a partir de setembro.
Até lá, o presidente Lula continuará a adubar o terreno criando ministérios ou promovendo secretárias como inventivo Ministério da Pesca do maior mastodonte ministerial da história deste país.
E viajar, que os convites não faltam e o Aerolula está às ordens, com o tanque cheio e a tripulação a postos.
E em um mês, o Senado começa a faxina para valer do lixo que tresanda pelos cantos, pois a crise moral e ética da orgia orçamentária, das falcatruas das nomeações, aumento de salário dos servidores, vantagens, mordomias, sumiço do dinheiro público antes que contamine a capenga democracia e acene com a ameaça de mais uma ditadura redentora, como a dos 21 anos do rodízio dos generais-presidente.

 
 

A pauta do novo prezado confrade
    junho 26, 2009

A poucos dias da aguardada estréia retumbante como nosso novo e o mais importante colega, que começa como poucos terminam com coluna semanal assinada em jornais e revistas de todo o pais, o presidente Lula emite os sinais da importância que muito nos honra, com que pretende dar o seu recado.
Nos últimos dias, mais contido pela pressão da véspera, Lula tem enviado recados indiretos nos seus muitos improvisos diários. É modelar como manobra política, a sua entrevista, não apenas pela escolha dos temas, mas pela habilidade com que amacia o terreno para o pouso sem risco de acidente.
Começou mostrando que não se abandona o aliado em apertura e de quem se precisará amanhã. E entrou duro no enquadramento ético: “O senador José Sarney, presidente do Senado, não pode ser tratado como uma pessoa qualquer”.Respira fundo e vai em frente; “As irregularidades no Senado são coisas menores. O senador Sarney foi eleito para presidir a Casa e tem o compromisso de apurar as denúncias de corrupção”. Baixou o tom; “Ele me disse que está apurando isso. Então, espero que haja apuração”.
Adverte que o escândalo do Senado não pode se transformar numa crise institucional. “Os senadores são maiores de idade e saberão como resolver os problemas”.
E passou um pito nos senadores em geral: ”O que não pode é que um país que tem muitas coisas importantes para a gente discutir fique um mês inteiro discutindo coisas menores”. A carapuça entra até o queixo da maioria governista.
O tipo de tiro de escopeta que acerta na pedra e ricocheteia e pode atingir o autor do disparo.
Mas, se Lula marcou posição na hora certa, uma das muitas encrencas que encorpam a crise do Senado é a aproximação da largada oficial da campanha eleitoral de 2010, que o presidente Lula e sua candidata, a ministra Dilma Rousseff anteciparam com a realização de comícios com a esfarrapada desculpa de que visitam as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que andam a passos de cágado e muitas nem começaram. Com o flagelos simultâneos das enchentes no Norte, no Nordeste e no Sul e da seca no Sul, as estradas estão quase intransitáveis, com pontes que despencaram e esperam a urgência dos reparos e milhares de desabrigadas que perderam tudo e não sabem como recomeçar.
Eis aí um oportuno tema para a estréia do nosso mais ilustre confrade, que já dispõe de uma rede nacional de rádio e televisão e de espaço ilimitado nos jornais, revistas, rádios para as suas entrevistas e os improvisos diários.
Nem o governo ou o Congresso pode ser responsabilizado pela paralisia da oposição que assiste da galeria as evoluções da ministra-candidata Dilma Rousseff, no final do tratamento do câncer linfático que exigiu sessões de quimioterapia e volta à luta com a risonha disposição de quem pulou o precipício e chegou do outro lado com pequenas escoriações.
Quem parece com a tal gripe suína é a oposição.

 
 

Todos salvos - náufragos na praia
    junho 25, 2009

As últimas e penúltimas notícias sobre a crise que sangra o Senado, mostram os rastros de um acordo, explícito ou tácito, que reclama a punição de meia dúzia dos pilhados com a mão no cofre da Viúva e as clássicas medidas saneadoras para tamponar os rombos na imagem da Casa e dar as indispensáveis satisfações a uma vaga opinião pública que se manifesta nas cartas dos leitores publicadas pelos jornais e nas espinafrações com a escora de palavras que já foram qualificadas como de baixo calão.
O resumo da opereta, nos rascunhos conhecidos, indica que todos serão salvos, os náufragos escaparão do afogamento e serão abandonados na praia.
É o caso dos ex-diretores do Senado, Agaciel Maia e João Carlos Zogobi, primeiros da lista para a demissão a bem do serviço público e que devem ser abandonados na praia de Copacabana.
Para o presidente, senador José Sarney, o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, a mais vigorosa voz da oposição, indica o estreito corredor da salvação: “romper com essa gente ou cair com essa gente“.
As férias parlamentares garantem o intervalo suficiente entre o primeiro e o segundo tempo, quando a campanha eleitoral com as convenções partidárias definindo o quadro, ampliará o debate com a renovação dos temas.
A crise do Senado não acaba enquanto alguns nós não forem desatados. Não se pode simplesmente dar o dito pelo não dito e partir para outra. E o presidente Lula terá que abrir espaço na sua agenda do mais popular líder do mundo para o empurrão na sua candidata, a ministra Dilma Rousseff, que está na última aplicação de quimioterapia para consolidar a cura do câncer linfático que a surpreendeu em plena campanha, viajando nas asas do Aerolula, na companhia do presidente, com o excelente pretexto do acompanhamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa Meu Voto que promete construir um milhão de residências populares até o dia de São Nunca.
A operação de resgate da respeitabilidade do Senado está sendo tocada na correria de última hora. Mas, a cada dia, salta da caixa preta mais uma denúncia de roubalheira. O presidente José Sarney, sob a pressão dos aliados e dos adversários, decidiu instalar a comissão de sindicância para a investigação das ilegalidades nas duas contas bancárias, ligadas à conta única do Tesouro, por onde devem transitar toda as contas do Senado.
Totalizam R$ 3,7 milhões, as contas suspeitas na Caixa Econômica Federal. Na afobação da última hora, a Mesa do Senado anunciou que as marotas contas na Caixa Econômica Federal foram fechadas. Só não explicou porque e por ordem de quem foram abertas pelo Prodasen, que cuida do setor de informática.
O novíssimo diretor geral do Senado, Haroldo Tajra, estreou anunciando a descobertas que as duas contas suspeitas não são secretas, pois estão no incluídas no Siaf, fazendo parte da prestação de contas do Senado.
Quanto mais se remexe na lixeira, mais a podridão mancha a crise moral do Senado. As nomeações para os gabinetes luxuosos dos senadores são de um cinismo de trapaceiros. O senador Efraim Moraes (DEM-PB) tem 57 funcionários no seu gabinete para fazer não se sabe o que, sendo 49 ocupantes de cargos comissionados, nomeados sem concurso. E mais 5 senadores agasalham mais de 40 cupinchas em seus gabinetes. Eis a lista dos dignos país da Pátria: João Vicente Claudino (PTB-PI) com 47;Fernando Collor (PTB-AL) com 43; Mão Santa (PMDB-PI), com 42; Magno Malta (PR-ES) com 41 e Valdir Raupp (PMDB-RO) com 44.
O Senado informa que tem 6.284 funcionários, sendo 2.876 por apadrinhamento político para atender a 81 senadores nos quatro dias úteis da semana parlamentar, das terças às sextas-feiras, noves foras os recessos parlamentares, feriados e demais folgas das gazetas dos milionários premiados com um dos melhores empregos do mundo.

 
 

Nosso prezado confrade Lula
    junho 24, 2009

Antes de lançar o primeiro artigo semanal, que será oferecido aos jornais que desejarem tão ilustre colaborador gratuito, o nosso estreante e prezado confrade, presidente Lula antecipou o que virá por aí, nas suas curiosas e intrigantes críticas à imprensa em geral, com farta distribuição de carapuças.
O novo cronista chega batendo sem olhar a quem. Na sua última leva de declarações, o repórter com fumaça de analista dos colegas espinafra a cobertura da imprensa sobre a crise do Senado. E invoca o sovado argumento de que o abuso do “denuncismo” pode levar a sociedade a desacreditar de tudo “.
Bem, o colega desculpe a inconveniência do veterano, com 60 anos e quebrados de batente e que conheceu os governos e o Congresso da época dourada, antes da mudança da capital para Brasília, há quase meio século, em 21 de abril de 1960. Mas, se formos pesar e medir a responsabilidade pela decadência ética dos três poderes, com destaque para a crise do Senado, o prezado colega presidente, que fundou o Partido dos Trabalhadores, um dos mais envolvidos nas trapaças do mensalão e do caixa dois, pérolas do colar dos escândalos tem mais pecados a purgar do que a imprensa, especialmente a reportagem política, vítima da bagunça do Legislativo e de outras tantas contradições administrativas.
Com a ligeireza de quem pisa em pedras quentes, o prezado colega adverte que não se pode levar um processo que leve à paralisia do Congresso “por conta de algo que acontece há 40, 50 anos”. E oferece aos seus líderes da bancada majoritária nas duas Casas do Congresso a receita de uma simplicidade comovedora: “basta que as pessoas que cometeram erros peçam desculpas à sociedade, que os erros sejam corrigidos, que está resolvido”.
Depois de outras edificantes considerações e sábios conselhos, agora é o presidente quem doutrina: “É preciso que a gente faça a reforma política para reforçar os partidos e sonhar com uma política um pouco mais nobre”.
A gente, quem, caro confrade? Pelo pouco que aprendi em meio século e mais uma década de militância na profissão que V. Excia vai estrear no último piso, o líder político do país, com ampla maioria nas duas Casas do Legislativo que deve abrir o debate sobre uma urgente, indispensável reforma política é exatamente o presidente da República.
Só para arriscar um palpite: não seria um tema perfeito para uma coluna de estréia de fantástica repercussão?
E com um sacudido puxão de orelha de quem fica sentado na cadeira presidencial à espera da boa notícia que nunca chega. Só recebe a penca de jornal, “vejo as manchetes e já me assusto”.
Aguardo com ansiosa expectativa a estréia do prezado confrade presidente Lula. Com a humildade de quem está sempre pronto a aprender.

 
 

Ou vai ou racha
    junho 23, 2009

Na verdade, rachado o Senado já está, enquanto a Câmara dos Deputados, ocupada pelo baixo clero escapa ilesa do escândalo que emporcalha o Poder Legislativo.
A diferença é que no novíssimo Senado do modelo de Brasília, sem a vigilante pressão da opinião pública que dele só se interessa para defender os seus justos ou exagerados interesses, a crise explodiu com estampido que atinge a todo o país, menos o presidente Lula e a sua ministra-candidata Dilma Rousseff, que nadam de braçada na campanha ostensiva e ilegal, com os comícios, discurseira, promessas para o camuflado terceiro mandato.
Numa exibição para a sua crônica e os registros policiais, a sessão de ontem do Senado baixou o nível da lavagem de roupa suja, com a troca de denúncias e acusações das mais ásperas e até galhofeiras, pois não se pode levar a sério o apelo do senador Christovam Buarque (PDT-DF) ao presidente José Sarney (PMDB-AP): “Minha sugestão é que Sarney se sente conosco na planície, que peça licença por 60 dias e passe o cargo ao vice. É uma questão de sobrevivência da Casa”.
A sacudidela ética forçou o Senado a reconhecer a gravidade da crise que o fustiga e desmoraliza e a urgência da limpeza do lixo que se acumula em todos os cantos da Casa. E que só agora foi identificado pelas narinas senatoriais.
Peneirando os excessos de linguagem, que não são dos hábitos dos senhores senadores de cabelos grisalhos, as denúncias novas ou repetidas desafiam a urgência de providências saneadoras.
O senador Arthur Virgílio (AM) líder do PSDB acusou o ex-diretor-geral Agaciel Maia de chantagear parlamentares e exigiu da Mesa a demissão dele e do ex-diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi. E ao qualificar o ex-diretor Agaciel Maia de formado com doutorado e mestrado em chantagem, como demonstrou ao transformar em secretos atos que devem ser públicos para acumular poder, carregou na pimenta: “É a lógica do chantagista. Duvido que tenha praticado esses crimes sozinho. Tenho a convicção que tem senador atrás dele. A época dos panos quentes acabou.”
O senador José Sarney, em discurso de improviso, defendeu-se: “não fui eleito presidente para ficar submetido a cuidar da despensa da Casa ou para limpar as lixeiras da cozinha”. Negou que o mordomo da casa da sua filha, a senadora e atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, fosse pago pelo Senado, como denunciou O Estado de S. Paulo. Garantiu que o Senado nunca pagou a nenhum mordomo. “Como muitos aqui eu fui alvo de insultos e calúnias. A senadora Roseana não tem nenhum mordomo. O senhor Amauri é chofer do Senado há 25 anos”.
É um fim de linha e não há meio-termo. Mas, a entrada em cena do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), recuperado da operação de redução do estomago para enxugar as banhas do abdome, aumentou a tensão. O senador, 1º secretário, mandou um aviso para que os culpados se preparem para agüentar o repuxo. Pois chumbo grosso vem por aí: “Não posso brincar com isso. Quero que tudo se publique. Não posso colocar em riscos os meus anos de vida pública. Vamos tomar medidas sobre todas as irregularidades denunciadas”.
No embalo, adverte que os atos secretos a serem divulgados, não se reduzirão às contratações de servidores manipuladas pelo grupo do senador José Sarney. E cita, como contundente exemplo, que a mulher do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Gladys Buarque foi contratada para servir na liderança do PDT, em 2007 e devolvida ao órgão de origem, pois já era funcionária do Senado.
Também o senador Magno Malta (PR-ES), em ato secreto, transferiu um assessor de confiança para o Conselho de Ética, durante o seu processo de cassação do mandato.
Avisa: “Todo o Senado será exposto com a divulgação dos atos secretos, pois a prática é veterana para proteger os senadores com a exposição dos atos ilícitos”.
E bate no bumbo para assustar os desatentos: “Pelo que deduzo, muitos funcionários tentam chantagear o Sarney para escapar da punição”. A guerra de bastidores envolve funcionários que tentam escapar denunciando senadores.
O senador reconhece que muitos senadores foram beneficiados de forma sigilosa, graças aos préstimos do ex-diretor-geral, Agaciel Maia. Bate firme: Ninguém fica 14 anos nessa posição sem ser o Papai Noel.”
Nas diligências do Senado desperto e assustado, já foram apuradas, além da farra administrativa das contratações de funcionários sem concurso, o chorrilho de atos administrativos beneficiando senadores e funcionários graduados. Entre eles, documentos sigilosos escamotearam reembolsos médicos milionários e reformas faustosas de apartamentos funcionais.
O Senado de nervos tensos espera o dilúvio de denúncias que atingirá a todas panelinhas de senadores, sem poupar os do grupo ético. Parece a tática de juntar todos no mesmo saco para salvar os suspeitos com os salpicos de lama nos desafiados a provar a inocência.
A justificada desconfiança da população recebe esta enxurrada de bons propósitos com um pé atrás. Não é a primeira vez que é enganada. E, em véspera de campanha oficial, com o presidente Lula em plena caça ao voto nas viagens com a ministra-candidata Dilma Rousseff nas asas do Aerolula e a oposição anunciando que vai entrar no baile tão logo decida quem será o seu candidato, o clima eleitoral espanta os fantasmas, adestrados na tática de iludir os tolos.
Que somos nós, os pagantes de impostos para a gastança com a nomeação de milhares de funcionários, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da construção do milhão de residências populares do Minha Casa Meu Voto.
Para moralizar o Congresso, a primeira providência para valer seria acabar com a farra das mordomias, vantagens e mutretas, a começar com o cancelamento do privilégio de marajá das quatro passagens aéreas mensais para o fim de semana na sua base eleitoral.
Nada justifica que com o crescimento de Brasília, com mais de dois milhões de habitantes, a maioria dos senadores e deputados federais recusem os apartamentos funcionais mobiliados, para embolsar os R$ 4 mil mensais para o pagamento de diárias de hotel.
Para cortar o mal pela raiz, o jeito é acabar com as mordomias, vantagens e mutretas da pilhagem da casa da mãe Joana. E, fazendo das tripas a salvação, cortar na carne os tecidos podres. Ou, jogando com o tempo e a nossa fraca memória, adiar as decisões para as saídas clássicas do fingimento. Se for indispensável, cassando dois ou três senadores da bancada dos anônimos ou dos senadores de garupa, os suplentes que financiam a campanha dos eleitos e ganham um tempo esquentando a cadeira do plenário.
Mas, em véspera de campanha, com o presidente Lula e a ministra-candidata Dilma Rousseff na caça escancarada ao voto, o Senado pode implodir, espalhando caco e lixo por Brasília, com respingos pela campanha em todo o país.
´Vamos esperar para conferir.

 
 

A faxina na casa da mãe Joana
    junho 22, 2009

Não é muito feliz a comparação da crise do Senado, a maior da sua história, com a senhora do dito popular. Mas, a entrada em cena do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), recuperado da operação de redução do estomago para enxugar as banhas do abdome, lembra o espalhafato da mãe do dito popular na arrumação da casa em polvorosa.
O senador, 1º secretário, mandou um aviso para que os culpados se preparem para agüentar o repuxo. Pois chumbo grosso vem por aí: “Não posso brincar com isso. Quero que tudo se publique. Não posso colocar em riscos os meus anos de vida pública. Vamos tomar medidas sobre todas as irregularidades denunciadas”.
No embalo, adverte que os atos secretos a serem divulgados, não se reduzirão às contratações de servidores manipuladas pelo grupo do senador José Sarney. E cita, como contundente exemplo, que a mulher do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Gladys Buarque foi contratada para servir na liderança do PDT, em 2007 e devolvida ao órgão de origem, pois já era funcionária do Senado.
Também o senador Magno Malta (PR-ES), em ato secreto, transferiu um assessor de confiança para o Conselho de Ética, durante o seu processo de cassação do mandato.
Avisa: “Todo o Senado será exposto com a divulgação dos atos secretos, pois a prática é veterana para proteger os senadores com a exposição dos atos ilícitos”.
E bate no bumbo para assustar os desatentos: “Pelo que deduzo, muitos funcionários tentam chantagear o Sarney para escapar da punição”. A guerra de bastidores envolve funcionários que tentam escapar denunciando senadores.
O senador reconhece que muitos senadores foram beneficiados de forma sigilosa, graças aos préstimos do ex-diretor-geral, Agaciel Maia. Bate firme: Ninguém fica 14 anos nessa posição sem ser o Papai Noel.”
Nas diligências do Senado desperto e assustado, já foram apuradas, além da farra administrativa das contratações de funcionários sem concurso, o chorrilho de atos administrativos beneficiando senadores e funcionários graduados. Entre eles, documentos sigilosos escamotearam reembolsos médicos milionários e reformas faustosas de apartamentos funcionais.
O Senado de nervos tensos espera o dilúvio de denúncias que atingirá a todas panelinhas de senadores, sem poupar os do grupo ético. Parece a tática de juntar todos no mesmo saco para salvar os suspeitos com os salpicos de lama nos desafiados a provar a inocência.
A justificada desconfiança da população recebe esta enxurrada de bons propósitos com um pé atrás. Não é a primeira vez que é enganada. E, em véspera de campanha oficial, com o presidente Lula em plena caça ao voto nas viagens com a ministra-candidata Dilma Rousseff nas asas do Aerolula e a oposição anunciando que vai entrar no baile tão logo decida quem será o seu candidato, o clima eleitoral espanta os fantasmas, adestrados na tática de iludir os tolos.
Que somos nós, os pagantes de impostos para a gastança com a nomeação de milhares de funcionários, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da construção do milhão de residências populares do Minha Casa Meu Voto.
Para moralizar o Congresso, a primeira providência para valer seria acabar com a farra das mordomias, vantagens e mutretas, a começar com o cancelamento do privilégio de marajá das quatro passagens aéreas mensais para o fim de semana na sua base eleitoral.
Nada justifica que com o crescimento de Brasília, com mais de dois milhões de habitantes, a maioria dos senadores e deputados federais recusem os apartamentos funcionais mobiliados, para embolsar os R$ 4 mil mensais para o pagamento de diárias de hotel.
Para cortar o mal pela raiz, o jeito é acabar com as mordomias, vantagens e mutretas da pilhagem da casa da mãe Joana.