A solução para as duas crises do Senado
julho 2, 2009
Quando o prezado leitor estiver lendo estas mal traçadas linhas é possível que a crise em dose dupla do Senado já tenha sido resolvida por quem sabe usar o poder com a experiência que se aprende com a vida e se aperfeiçoa no exercício da liderança sindical.
Se o PT, os aliados de Lula e os vigorosos oradores da oposição tivessem os pés na terra, a crise teria sido resolvida antes de pipocar na mídia e nos destampatórios patuscos do disse-não-disse ou disse o que não deveria ter dito. Como mais uma evidência que entra pelos bugalhos quem tem poder é o presidente Lula. E bastaria um telefonema para os confins de Sirte, na Líbia, onde participou da cerimônia de abertura da Cúpula da União Africana e naturalmente discursou para ensinar aos africanos como se governa um país, para abafar a fogueira em que se queimavam governistas e aliados no sururu do Senado,
É possível que os indecisos líderes petistas receassem não serem atendidos por Lula. Ora, bastaria recorrer aos préstimos da ministra-candidata Dilma Rousseff, que tem linha direta com o presidente e o óbvio interesse em desatar o nó, para que a crise do faz-de-conta já estivesse resolvida, com os brigões comemorando as pazes num almoço pago pela verba indenizatória dos senadores pródigos.
O presidente José Sarney que ameaçou renunciar se fosse considerado um obstáculo, com a ressalva ladina de que antes conversaria com o presidente Lula, como já fora combinado por telefone.
Não foi preciso mais. A crise se desmanchava com o recuo dos dois lados, todos com o rabo preso na orgia dos avanços no cofre da Viúva, na confraternização de senadores e das centenas de diretores de coisa nenhuma ou de poderosos como o Agaciel que até já perdeu o sobrenome e o gabinete.
Entre os mais contundidos pelos trancos de Lula nas declarações ainda na Líbia, o DEM e PSDB receberam seu quinhão: “É importante para o DEM e o PSDB, que querem que o Sarney se afaste para o Marconi Perillo – senador pelo PMDB e 1 ° vice-presidente do Senado – assumir a presidência o que não é vantagem para ninguém. A única vantagem é para o Marconi Pirillo e para o PMDB que querem ganhar o Senado no tapetão”.
Uma pedrada na testa e que doeu na oposição que se defendeu atacando na troca de obviedades.
Não há ninguém no governo e no Senado sinceramente interessado em analisar e resolver a crise moral e ética no Congresso. As soluções estão à vista, na sua exposta inviabilidade. A degringolada começou com a mudança da capital para Brasília em obras. Com a resistência das vítimas a abandonar o conforto do Rio para a aventura da troca pelo atoleiro do lamaçal de Brasília, o presidente JK abriu o cofre e pagou o preço para convencer os hesitantes. Das dobradinhas para os servidores públicos às mordomias que brotaram como tiririca no cerrado
Brasília está consolidada, com mais de dois milhões de habitantes e todos os incômodos de grande cidade. Nada mais justifica a penca de mordomias, benefícios, vantagens que adubam o escândalo do Senado. Para cortar o mal pela raiz bastaria-como todo mundo sabe, inclusive o presidente Lula e os agraciados. Restabelecer a semana de cinco dias úteis, de segunda à sexta-feira, acabar com a orgia da verba indenizatória, dos gabinete privativos com dezenas de assessores, com as passagens aéreas para o fim de semana com a família nas suas bases eleitorais e demais miçangas do colar da opulência de marajás é a única solução para valer.
Pena que seja inviável. Como todos sabem e se conformam: do presidente Lula e a ministra-candidata Dilma Rousseff aos coléricos oradores da oposição.-

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