Dilma assume o comando da campanha
fevereiro 8, 2010
Pela primeira vez, a ministra-candidata Dilma Rousseff pula no ringue para aceitar o desafio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a comparação dos dois governos. Ora, este é um dos motes mais insistentes do presidente Lula e de alguns petistas que ainda acreditam que podem falar em nome do governo, depois não serem ouvidos nem cheirados na indicação pessoal do verdadeiro dono da sigla. A candidata guardava a distância. Mas, como é compreensível, vai perdendo a cerimônia e enfiou na cabeça a carapuça que o ex-presidente FHC, em longo artigo publicado em O Globo, em que se antecipa na comparação dos feitos dos seus oito anos de governo – foi o inventor da praga da reeleição – com o seu sucessor.
Para começar a criminosa desmontagem de Brasília, como a cidade construída por JK e inaugurada antes de ficar pronta, em 21 de abril de 1960 e que se transformou no monstrengo de três milhões de habitantes – quando foi planejada por Lúcio Costa para não deveria passar de 500 a 600 mil. E Brasília só se justifica como a capital, sede dos três poderes da República. Os enxertos que a transformaram no monstrengo com governador, prefeito, assembléia legislativa, câmara de vereadores, tribunais e demais cevas de burocratas e ninho do empreguismo é a triste herança da ditadura militar de 1° de abril de 1964, que durou quase 21 anos e destruiu a democracia extirpada com a raiz. O fim dos partidos com a estupidez do bipartidarismo de proveta, as cassações indiscriminadas que humilharam e castraram a representação parlamentar, a desmoralização do Congresso, humilhado e acoelhado até o atoleiro dos escândalos em série, do mensalão, do caixa dois, das vantagens e mutretas parlamentares, como as passagens aéreas semanais para o privilégio das férias de fim de semana nos lençóis domésticos, os gabinetes privativos, entupidos de assessores de coisa nenhuma, os escândalos do Senado e o repeteco da Câmara o magno-escândalo, a obra-prima da roubalheira do governador eleito de Brasília, o simbólico Arruda da distribuição de pacotes de notas que os cupinchas escondiam nas meias, na cueca, nos bolsos.
Antes que seja tarde demais e que o futuro Congresso seja uma cópia piorada do atual, o tema salvador da campanha só pode ser a convocação de uma Assembléia Constituinte para passar a limpo a que já deu o que podia. O país não suportará outros quatro ou oito anos de escândalos, de roubalheiras e de desmoralização do Lesgislativo. Ainda é tempo do voto consciente expurgar o Congresso e impor a revolução pelo voto de uma reforma constitucional.

Álbum
de Retratos