A decadência da cidade abandonada
novembro 18, 2008
Se fosse de encomenda poderia esperar mais alguns dias. Mas, a tempestade que castigou a “ex-Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil”, das 16h30 às 19h30, da segunda-feira, dia 17, com minutos para mais ou para menos do jargão das pesquisas de opinião pública, foi o fecho perfeito para o segundo ano da reeleição do presidente Lula e do governador Sergio Cabral e como que o réquiem para o apagar das luzes da controvertida administração do prefeito César Maia.
Toda a cidade, com sobra para os arredores, das praias aos morros favelizados e dominados pelas gangues do tráfico, da zona sul esquecida pelo policiamento, paraíso dos flanelinhas que cobram o que querem para não tomar conta de carro, ao centro em que os moradores de rua armam as barracas para passar a noite, pedir esmola ou “fazer um ganho” nos pequenos furtos, mergulhou no caos, com as ruas entupidas e filas sem fim de carros, ônibus, caminhões, vans, motos, bicicletas e pedestres, com água a mais de um metro de altura, por vezes passando por cima do teto dos automóveis, durante horas de aparvalhado e desmoralizante abandono.
Como no colapso de uma invasão pelo inimigo, nada funcionou durante horas, E em cada esquina, em cada canto de rua, na orla marítima ou nas áreas a ausência do governo denunciava a falência do poder público.
Em plena Cinelândia, antigo coração boêmio do Rio cantada em prosa e verso, a rachadura de um vitral da Gaiola de Ouro, apelido da Câmara Municipal de muitos pecados, inundou o belo saguão batizado com o nome ilustre de José do Patrocínio, respingando no painel pintado por Eliseu Visconti e no busto do ex-prefeito Pedro Ernesto.
A vereadora Andréa Gouveia Vieira implorou ao céu que “a chuva represente uma lavagem na Câmara, uma renovação”. Como se pedisse ao Senhor que se ele não pode limpar a Câmara por dentro, limpe por fora.
Cortes de energia deixaram na escuridão, durante horas de medo, vários bairros, como Jacarepaguá, Santa Cruz, Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Campo Grande, Santa Teresa, Cosme Velho, Ilha do Governador e outros menos citados.
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A imagem da cidade com imensas áreas submersas, como a Avenida Presidente Vargas que virou mar ou o Aterro do Flamengo uma lagoa é o flagrante-denúncia de um modelo falido de administração, incapaz de começar pelo planejamento de obras que ataquem, em pinça, os problemas crônicos que atravessam tempos de promessas e a monótona repetição de fracassos.
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Não é pedir muito aos que foram atendidos quando prometeram milagres para ganhar votos, que se dêem ao respeito, com aquele mínimo de vergonha que colore o rosto diante de denúncias como a da cidade entregue ao saque, aos assaltos e prisioneira das avenidas e ruas intransitáveis com qualquer tempo.
