Dilma assume o comando da campanha
    fevereiro 8, 2010

Pela primeira vez, a ministra-candidata Dilma Rousseff pula no ringue para aceitar o desafio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a comparação dos dois governos. Ora, este é um dos motes mais insistentes do presidente Lula e de alguns petistas que ainda acreditam que podem falar em nome do governo, depois não serem ouvidos nem cheirados na indicação pessoal do verdadeiro dono da sigla. A candidata guardava a distância. Mas, como é compreensível, vai perdendo a cerimônia e enfiou na cabeça a carapuça que o ex-presidente FHC, em longo artigo publicado em O Globo, em que se antecipa na comparação dos feitos dos seus oito anos de governo – foi o inventor da praga da reeleição – com o seu sucessor.


O ex-presidente foi duro na resposta ao bordão lulista. “O presidente Lula inventa inimigos e enuncia inverdades” - devolve Fernando Henrique para aceitar o desafio para a comparação entre os dois governos. Não há como resumir meia página de jornal. Mas, o revide provocativo para uma comparação entre os dois governos “sem mentir” e “sem descontextualizar” mereceu da candidata Dilma a educada resposta de que não vê problema nas comparações e que o governo Lula “é muito bem sucedido”. Dilma não engoliu o pito de FHC de que “eleições não se ganham com o retrovisor”, de costas olhando para o passado.


Não se poderia encontrar assunto mais bolorento para um discurso do Encontro Nacional da Juventude do PT, com cerca de 400 militantes. Mas, a turma estava ali para aplaudir e cumpriu o seu papel. E a ministra, na ausência do presidente Lula e seu decisivo cabo-eleitoral que não poderá participar de toda a campanha pelos muitos compromissos no exterior e as restrições da lei - e o candidato da oposição praticamente escolhido, o governador de São Paulo, José Serra precisam relegar o bate-boca sobre temas embolorados e enfrentar os desafios de uma pauta que não pode mais ser retardada.


Para começar a criminosa desmontagem de Brasília, como a cidade construída por JK e inaugurada antes de ficar pronta, em 21 de abril de 1960 e que se transformou no monstrengo de três milhões de habitantes – quando foi planejada por Lúcio Costa para não deveria passar de 500 a 600 mil. E Brasília só se justifica como a capital, sede dos três poderes da República. Os enxertos que a transformaram no monstrengo com governador, prefeito, assembléia legislativa, câmara de vereadores, tribunais e demais cevas de burocratas e ninho do empreguismo é a triste herança da ditadura militar de 1° de abril de 1964, que durou quase 21 anos e destruiu a democracia extirpada com a raiz. O fim dos partidos com a estupidez do bipartidarismo de proveta, as cassações indiscriminadas que humilharam e castraram a representação parlamentar, a desmoralização do Congresso, humilhado e acoelhado até o atoleiro dos escândalos em série, do mensalão, do caixa dois, das vantagens e mutretas parlamentares, como as passagens aéreas semanais para o privilégio das férias de fim de semana nos lençóis domésticos, os gabinetes privativos, entupidos de assessores de coisa nenhuma, os escândalos do Senado e o repeteco da Câmara o magno-escândalo, a obra-prima da roubalheira do governador eleito de Brasília, o simbólico Arruda da distribuição de pacotes de notas que os cupinchas escondiam nas meias, na cueca, nos bolsos.


Antes que seja tarde demais e que o futuro Congresso seja uma cópia piorada do atual, o tema salvador da campanha só pode ser a convocação de uma Assembléia Constituinte para passar a limpo a que já deu o que podia. O país não suportará outros quatro ou oito anos de escândalos, de roubalheiras e de desmoralização do Lesgislativo. Ainda é tempo do voto consciente expurgar o Congresso e impor a revolução pelo voto de uma reforma constitucional.

 
 

A guinada do centro para a direita
    fevereiro 6, 2010

Quando um governo ou um partido começa a defender um Estado forte, bote as barbas de molho que a guinada é para a direita, nunca para a esquerda. Claro, que a propósito o presidente Lula e a ministra-candidata Dilma Rousseff, ambos com uma longa tradição de militância esquerdista – Lula como o maior líder operário de São Bernardo do Campos e Dilma como jovem que pagou a militância com a prisão, tortura e ficha nos arquivos da ditadura militar dos cinco generais-presidente.



Nem Lula nem a candidata estão pensando em derrubar florestas. O alvo é outro. Um novo Lula depois da crise cardíaca com a disparada da pressão, enxugando o suor que ensopa o pescoço, sob o olhar da candidata, defendeu o Estado forte. Não deve estar pensando, é lógico na ditadura militar e não era nascido no Estado Novo de Vargas. Mas, o recado é suspeito e enfático. E em dueto. Lula puxa o coro: “O fracasso do sistema financeiro internacional fez ressurgir o Estado como único capaz de salvar a economia da crise”. A sucessora que Lula escolheu para o enjeitado PT, na sua vez, foi um papel carbono: “O Brasil não está mais na fase antiga do estatismo pelo estatismo do período da década de 50. Mas, definitivamente na fase neoliberal, aquela em que todo o mundo achava que o Estado dava conta de tudo”.


Nem Lula nem a candidata sabem muito bem o que querem. A ministra tenta dar um exemplo: “Como é que a gente vai fazer moradia para todos os brasileiros que estão ganhando até três, quatro salários-mínimos, sem subsídios. A equação não fecha, porque o que eles ganham não é suficiente para pagar uma casa. Aí, o Estado tem que entrar pesado”. Mas, a ministra esqueceu de explicar como lançou e está tocando às pressas o Minha Casa, Minha Vida para construir um milhão de residências populares. E que devem estar prontas e entregues aos donos antes da eleição de 5 de dezembro.


A candidatura de Dilma tem avançado nas pesquisas e seus índices encostam no do governador tucano de São Paulo, José Serra, candidato da oposição ainda sem vice. Parece que o alvoroço está sendo provocado pelo deputado Ciro Gomes, que acusou o PT de tratar os aliados como “bucha de canhão”.

 
 

O exibicionismo insensato
    fevereiro 4, 2010

Não é necessário mais do que um cisco de bom-senso, com a cobertura do melado da experiência para diagnosticar que o presidente Lula entrou na paranóia do exibicionismo insensato, para provar ao país que a crise cardíaca, com a pressão em 18 por 12 que obrigou a cancelar a viagem a Davos para receber o diploma do maior líder do mundo. Só a energia responsável da equipe médica convenceu o presidente e trocar o avião pelo internamento hospitalar. Para consolidar a cura, duas semanas de férias em praias reservadas de áreas militares.


Quando ninguém mais discute a vigorosa recuperação do presidente sessentão, as fotos nos jornais de hoje que repetem as imagens dos noticiários das emissoras de televisão justificam uma nova revisão médica para a cura do bom senso. São realmente de estarrecer: a cabeleira rala desgrenhada e empapada de suor, que escorre pelo pescoço, pela barba e o bigode grisalho, ensopam o que aparece da camiseta branca como se regada por esguicho de jardim.


O circo do desatino não parou por aí. Lula discursou, é claro, para cerca de mil operários (mil votos) na inauguração do gasoduto Cabiúnas-Reduc III, na Refinaria Duque de Caxias. Atravessou o túnel em caminhada, na primeira fila, ao lado da ministra Dilma Rousseff e do ministro Edson Lobão a respirar pela boca. No improviso, repetiu a novidade que continuará a viajar pelo país inaugurando obras por toda à parte, o que deixará a oposição “doida de raiva” e a candidata mais assustada que uma coelha. Lula lamentou que a candidata à sua sucessão não possa acompanhá-lo na maratona como chefe da Casa Civil, pois terá que deixar o cargo em abril.


Não deixou dúvida quanto a sua determinação de enfrentar os riscos de uma recaída. E mandou o recado: “Quem espera que eu vá ficar sentadinho em Brasília, pode tirar o cavalo da chuva, porque vamos inaugurar obras durante todo o ano. È uma pena que Dilma não possa ir comigo, mas nós vamos porque este país não pode parar mais”. Lula comentou a crise hipertensiva da semana passada: “Meço a pressão todo o santo dia e é regular nos 11 por 7, às vezes 12 por 7”. E jactou-se: “Nos últimos 30 anos se pegar tudo o que foi investido em saneamento básico para a população, não dá nem a metade do que nós investimos”. A modéstia não é um dos defeitos do presidente.


Nem tudo são flores no jardim da candidata do presidente. O deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) que andava sumido reapareceu em grande estilo em entrevista no plenário da Câmara, reafirmando que considera um erro político do presidente Lula apoiar apenas um candidato à sua sucessão. A base governista erra ao insistir na estratégia da polarização. “Lula está errado” – repetiu. Como também qualifica como erro a saída do governador de Minas, Aécio Neves (PMDB-MG) da disputa da presidência da República. O deputado Ciro Gomes, medindo as palavras, considerou lisonjeiro o convite da ministra Dilma para dividir o palanque com ele. Reafirmou que estarão em palanques diferentes. E deu um nó fácil de desatar: “Não insultaria a ministra Dilma chamando para ser candidata à vice. Eu quero ser candidato a presidente”. E num drible de enganar goleiro: ”Se ela quer também, estaremos no mesmo lado político, mas não eleitoral”.


Tentei, talvez inutilmente, lembrar que é cedo para soltar foguete. Dilma hoje é a franca favorita, não pelos seus índices crescente, mas pelo apoio dos 82% do recorde de aprovação de Lula nas últimas pesquisas. E que na reta de chegada, o horário eleitoral gratuito pago com o nosso dinheiro, os debates pela TV, pelos jornais e revistas têm um peso que só pode ser calculado depois de avaliados os seus resultados. Não esqueçam que o afobado come cru

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Dilma está rindo até para o espelho
    fevereiro 3, 2010

Não há ninguém mais feliz no primeiro capítulo da novela da sucessão presidencial do que a candidata-ministra Dilma Rousseff. Uma mudança da água salobra para o vinho de banquete. É um termômetro para avaliar as chances de sua candidatura, mais precisa do que as pesquisas que ouvem milhares de pessoas para compor os percentuais das aflições e alegrias de candidatos e cabos eleitorais. E está absolutamente correta. Não creio que tenha dado uma cambalhota para cair em pé.


Um cisco de humildade ajuda a analisar a reviravolta. Não sei exatamente quando o presidente Lula chegou à dolorosa conclusão de que o PT, que fundou quando líder operário, perdera as condições morais para lançar candidato próprio depois do desgaste dos escândalos do mensalão e do caixa dois. E já estava empanzinado de ministérios, sinecuras, empregos na Petrobrás, autarquias e demais muambas do governo da gastança por um lado e do Bolsa Família, das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) , do Minha Casa. Minha Vida pelo outro.


Na história recente deste país, nunca um presidente chegou perto de Lula na ousadia com que impôs na marra, sem dar confiança a ninguém, uma candidata novata no ramo. Dona Dilma foi uma jovem guerrilheira que arriscou a vida na reação contra a ditadura militar dos cinco generais-presidente. Presa e torturada, como era a regra em todo o país. Deu a volta por cima, estudando, subindo os degraus da competência e da sorte que afinal guiou a sua ascensão. Mas, para estrear como candidata à Presidência na primeira eleição é dupla proeza.


A cega certeza dos que giram em volta do governo na sua eleição é natural. O presidente Lula, com o desmonte do PT, ficou no beco do líder com 82% de aprovação e sem o candidato natural, da lógica do jogo político, do seu partido. Identificou na ministra Dilma a saída pela janela. A oposição não dispõe de um líder natural, que reúna os partidos que fingem ser contra o governo graças aos discursos e declarações dos parlamentares mais destacados e aceitam os riscos de uma derrota, a esta altura provável. Claro, que não é caso para arrancar os cabelos. Mas, a candidatura do correto governador de São Paulo, José Serra já empata com a ministra Dilma nas últimas pesquisas.


Bem, José Serra não começou a campanha. E aí é que são elas. Onde buscar os votos para descontar os milhões dos 82% que aprovam o governo de Lula em maciça maioria no Norte e Nordeste, nas manchas de pobreza e miséria das favelas penduradas nos morros que desabam com as tempestades que castigam praticamente todo o país há quatro meses?

 
 

Dilma cola na popularidade de Lula
    fevereiro 2, 2010

A última pesquisa da CNT/Sensus sobre intenções de votos - que registra o surpreendente salto da candidata, ministra Dilma Rousseff (PT, quer dizer Lula) de seis pontos percentuais, atingindo 27,8%, tecnicamente empatada com o encruado candidato da oposição, o governador José Serra, de São Paulo, tucano no poleiro do PSDB, que obteve 33,2% das intenções - compensou o presidente dos exageros de sua agenda e do susto da disparada da pressão, com internamento de dois dias e a alta para o retorno ao batente com a devida precaução.


Na pesquisa espontânea, Dilma aparece na frente de Serra, com 9,5% de intenções de voto contra 9,3% do tucano. Alguma surpresa para o observador imparcial? Apenas da rapidez da disparada de Dilma. O mais são detalhes como o esvaziamento de Ciro Gomes, um candidato que sumiu, escondido atrás do muro. Há muito que discutir em papos de bar sobre os arranhões éticos do presidente, ao ignorar os prazos para a campanha com a desculpa que não se sustenta em pé de que as viagens eram para a fiscalização das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida que promete e deve cumprir a promessa de construir mil casas populares até o fim do segundo mandato de Lula, em 5 de janeiro deste ano. A Oposição esperneou com os recursos à Justiça que devem dar em coisa nenhuma. Não se briga com o êxito, mesmo com tantos pontos vulneráveis.


Não se pode arriscar dinheiro em aposta na eleição de Dilma, com a certeza de recuperar o seu e embolsar o lucro. A menos de um ano da eleição, a fase decisiva vai começar com os debates nas redes de TV, nas emissoras de rádio, em jornais e principalmente na rede nacional do horário de propaganda eleitoral. Um tema para debate: as enchentes que destruíram cidades por quase todo o país, com milhões de desabrigados que perderam tudo e que precisam ser amparados pelo governo para recomeçar a vida.


Mas, é de uma evidência solar que a candidatura da Dilma, carregada pelo presidente Lula sem dar bola para as denúncias da oposição da transparente campanha antes do prazo legal e a pasmaceira da oposição na conversa mole da escolha do vice, quando é evidente que o governador Aécio Neves com uma candidatura a senador por Minas virtualmente garantida não cairia na tolice de correr o risco de ser o segundo na chapa do moroso governador José Serra despontou para o favoritismo.


A campanha eleitoral pegará fogo como incêndio no pasto de morro acima, se a Oposição tiver a cota de audácia para contornar as suas omissões e tibiezas e partir para as denúncias e propostas sobre as causas profundas da crise ética que contamina os três poderes em doses diferentes. Mas, teria começar pelo Congresso com a convocação de uma nova Assembléia Nacional Constituinte, a prazo curto para a reforma do regime que se decompõe na série de escândalos, na descarada roubalheira com o dinheiro público que chega à zombaria distribuição de pacotes de notas pelo governador Arruda, de Brasília, que os agraciados escondiam nas meias, nas cuecas, nos bolsos e em outros esconderijos que não podem ser citados.


Alguém que não seja um ingênuo necessitado de tratamento psiquiátrico, acredita que o futuro Congresso passe por um expurgo do voto para assumir a iniciativa de liderar a reforma de um modelo de democracia que fracassou, depois de arruinado pelo quase 21 anos da ditadura militar dos cinco generais-presidente? A mais nefasta das ditaduras, que não tinha nenhum programa, além do ódio aos comunistas. E que destroçou e desmoralizou o Congresso com a palhaçada dos senadores biônicos, das cassações de mandatos ao sabor das implicâncias dos donos do chicote, da extinção dos partidos tradicionais para a montagem do bipartidarismo sem raízes e que arruinou o contraditório político. E agora como recomeçar do nada, com a mudança para valer dos três poderes para Brasília, depois da faxina que recoloque a cidade construída para ser a capital do Brasil com a obrigatória mudança da cúpula dos três poderes. E a implosão da baderna da capital que virou estado com o desperdício grotesco do governador Arruda, que esconde pacote de notas no bolso do paletó, da caricata Assembléia Legislativa do nível de sarjeta e da abjeta Câmara Municipal que não tem qualificativo.

A campanha ganharia vida com governo e oposição debatendo o programa para moralizar o país. Pois o blá-blá-blá do trivial, com o tempero das reformas adiadas para nunca, pode coroar a ministra Dilma, a favorita do momento ou recompensar o governador José Serra na sua manhosa obstinação. Mas será uma maquiagem que não resiste a um chuvisco. Quanto mais aos temporais que castigam o país na véspera da trégua do carnaval.

 
 

Linhas cruzadas de Lula e Dilma
    fevereiro 1, 2010

O tinhoso presidente Lula retornou esta manhã ao Palácio do Planalto, sob a vigilância da equipe médica, dos cuidados da Primeira Dama, Dona Marisa Letícia, mas que se desmonta diante da sua teimosia e as justas apreensões com os desafios do último ano de dois mandatos com milhares de obras paralisadas pela chuvarada que continua a castigar vários estados e uma sucessão em que joga todas as fichas na candidata da sua exclusiva escolha, imposta de goela abaixo ao anêmico PT dos muitos escândalos e da marginalização na montagem da chapa puro-sangue do dono da festa.


< P> A agenda que Lula teima em cumprir ao pé da letra é de estafar um levantador de peso. Duas viagens estão previstas para esta semana: uma ao Rio de Janeiro, na quarta-feira e outra no Rio Grande do Sul, na sexta-feira. Além do cansaço natural depois da crise de hipertensão diagnosticada na madrugada de quinta-feira passada, a dose é de transparente risco. Ontem à noite, gravou o seu programa semanal de rádio transmitido para todo o país pela maior e mais competente esquema de propaganda da história etc.


O dia começou com o presidente ocupado com despachos internos no Alvorada, na monotonia da burocracia. No seu gabinete provisório no Centro Cultural do Banco do Brasil, recebeu ministros para o despacho do papelório do pomposo programa Territórios da Cidadania, que não resultará siquer do desentupimento de uma vala, mas rende notícia e votos. À tarde, com o estomago confortado, Lula receberá as credenciais dos novos embaixadores de Cuba. Coréia do Norte, Panamá e Paquistão no Brasil. Um programa de mais emoções e surpresas que o Big Brother Brasil, da TV Globo. E para fechar a porteira do dia com chave dourada, às 18h à solenidade das escolas técnicas.


Lula não está enganando ninguém. No sábado, depois do check-up no Instituto do Coração de São Paulo, o presidente diagnosticou que a sua saúde está perfeita e que manterá a agenda de viagens, porque elas são absolutamente indispensáveis no último ano de mandato e na campanha eleitoral.


E se o presidente passar os olhos no jornais do dia ou assistir os noticiários nas redes de TV vai verificar que a cachoeira dos escândalos continua a jorrar com toda força. A auditoria realizada pelo Ministério do Planejamento nas despesas e desperdícios com a folha de pagamento do pessoal identificou irregularidades que vão do escândalo ao desvio de milhões na folha de pagamento de universidades federais. Para começar a faxina, esperar reaver R$ 679 milhões. A orgia dos marajás é de deslocar o queixo. Na Universidade do miliardário Ceará, os marajás embolsam R$ 46.430,42. Em segundo lugar na maratona no Centro Federal de Ensino da Paraíba, menos, modestos R$ 33.232,39; na Universidade Federal do Acre, R$ 32.202,63. Em cada Ministério do paquiderme da Esplanada de Brasília, os supersalários disputam a maratona dos avanços no cofre da Viúva: na Fazenda, R$ 35.389,42; no INSS, R$ 33.873,60; no Trabalho, R$ 32.160,00 até a esmola de R$ 28.358,36 no Incra.


O flagrante do presidente dormindo e sono pesado, ao lado da ministra-candidata Dilma Rousseff num dos compromissos tediosos no Recife deveria ser copiado para a advertência no roteiro presidencial de cada dia.

 
 

O profeta pede demissão
    janeiro 29, 2010

Repórter político que se preza apura informação, avança nas análises mas não se mete a pai de santo que adivinha o futuro, num dos muitos mistérios que se confundem com fraudes e outras trampas. O susto que o presidente Lula pregou no país, na família, nos amigos, nos pendurados em empregos, sinecuras ou na dureza de assessores diretos que acompanha a sua agenda e o seu ritmo de trabalho. E se este é o batente presidencial desde que assumiu o primeiro mandato, o rush da reta de chegada já emitira os sinais de advertência da estafa do sessentão saudável, que faz ginástica, grandes caminhadas e é fanático por uma pelada. Mas, 64 rijos anos não são mais os das estripulias dos tempos de aluno do SENAI e torneiro mecânico, que emendava peladas com o almoço engolido às pressas.


A agenda do Lula para este ano, depois de alguns dias de férias mal aproveitadas com os pedidos de pose para fotos e autógrafos, chega a registrar dez compromissos em cinco cidades em uma semana. Na dezena de dias úteis, cumpriu compromissos em Brasília de manha e, à tarde participou de eventos em outras cidades para a pré-campanha da ministra Dilma, com o pretexto de acompanhar obras do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida.


É compreensível o esforço do presidente para eleger a ministra Dilma Rousseff, da sua inteira iniciativa e responsabilidade. Uma derrota será uma mancha negra nos oito anos dos dois mandatos e uma nódoa na sua imagem do mais popular líder do mundo. E como era evidente que ninguém agüenta o rojão do nordestino, o aviso chegou em boa hora. Não será fácil controlar o presidente que em 2009 passou 83 dias viajando pelo Brasil, 91 dias no exterior visitando 31 paises. Quando está em Brasília, a sua agenda passa das 12 horas da metade do dia. Nas viagens aéreas dorme no avião presidencial, o confortável Aerolula, como quem tira a sua soneca nas viagens de ônibus.


O abatimento do presidente é visível nas fotos dos jornais e nas imagens da televisão. Como o espelho aconselhou ao frívolo e peralta Tertuliano a ter juízo, a maioria da população espera que o espelho do presidente seja um conselheiro tão sensato como o do Tertuliano.

 
 

O vício do presidente
    janeiro 27, 2010

A informação política mais preocupante da semana foi publicada na Coluna do Ancelmo Góis, no O Globo, espremida em quatro linhas ao pé da nota Memélia, 100…VIIIVIII e que transcrevo entre aspas: “A propósito, o presidente voltou a fumar muito. Sérgio Cabral que parou há dois meses, tem insistido para que Lula deixar a cigarrilha. Mas, aí é outras história”.


Tenho muito a ver com esta história. Fumei dos 16 aos 30 e poucos anos. Meu método para largar o vício que mata é o mais eficiente para quem tem força de vontade. O cigarro sempre me incomodou. Dois maços por dia (um à noite, enquanto catava letras nas venerandas máquinas que entortaram os meus indicadores). Lá um dia qualquer, chequei em casa, na rua das Laranjeiras e avisei à minha mulher: “Este é o último cigarro que eu fumo”. Foi o penúltimo. Depois de virar e revirar na cama sem pregar olho, Regina, minha mulher, enfiou-me um cigarro aceso na boca. Mas, não fugi do cigarro. Durante uns três meses, andei com o maço de cigarros no bolso e tomava a xícara de café ralo servido na redação. Lá um dia joguei tudo no lixo e nunca mais deu uma única tragada.


De lá até os 86 anos tentei converter amigos fumantes sem um único caso de sucesso. A minha lista de amigos que morreram de cigarro é extensa. A começar pelo Francisco de Paula Job, repórter do Correio do Povo de Porto Alegre, que fumava um cigarro atrás do outro, até que o pulmão entupido pela nicotina não tinha espaço para o oxigênio. E mais o Heráclio Assis de Salles, o maior cronista parlamentar da época de ouro do Congresso. Fumava um cigarro atrás do outro, varando a madrugada. Ainda tentou uma operação com um médico gaúcho, que não foi além de êxitos e fracassos durante a experiência, que abria o tórax, extirpava o pedaço de pulmão inutilizado para o enxerto de pulmões de defuntos que não fumavam. Com meu irmão Heráclio Salles, melômano que me levou a freqüentar o Teatro Municipal e adquirir o vício da música clássica sem nunca abandonar a nossa fantástica música popular, em retribuição ensinei-lhe o caminho do Maracanã e a paixão pelo Mane Garrincha. A lista é extensa. Paro por aqui.


Fui longe demais nestas reminiscências. Mania de velho. Mas, com as minhas razões. O presidente da República é um servidor da pátria e tem o dever de zelar pela sua saúde e de dar o exemplo. A obsessão de apresentar a sua candidata, ministra Dilma Rousseff ao voto, na medida em que se aproxima a hora do início da campanha, em abril e das pesquisas para valer incha a agenda presidencial com a superposição de urgências, em pilha que aumenta todos os dias. Da escolha do vice, uma unha encravada às frentes de calamidades aqui e no Haiti. Os milhares de desabrigados que perderam tudo com as enchentes do Norte ao Sul estão sendo atendidas com verbas generosas. Mas, falta a presença física do presidente para estimular a esperança de quem está em desespero.


O presidente viaja para Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial, que dele mereceu a justa observação de que “não tem mais o glamour que tinha em 2003.” No Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, foi bombardeado por várias cobranças sobre a condução do seu governo. Mas, em Davos, mesmo sem o charme de 2003, Lula vai receber o prêmio de estadista do ano.


O estadista do ano tem que dar o exemplo: não pode fumar como um suicida. Cabelos brancos que rareiam na coroa no alto da cabeça são as marcas do tempo e do juízo.”

“.

 
 

O governo Lula começa de novo
    janeiro 26, 2010

Alguma coisa está mexendo com a cabeça do presidente Lula, com as muitas frentes de desafios que enfrenta em período contraditório de êxitos e embaraços. Lula não pára em lugar nenhum. E tanto viaja para o exterior como faz e refaz roteiros domésticos de olho nos votos para a ministra-candidata Dilma Rousseff.


A foto não deixa mentir. No flagrante da mídia das comemorações pelos 456 anos de São Paulo, é o presidente Lula quem aparece na tribuna, com os braços abertos, medalha pendurada no pescoço, no doce embalo do improviso. Em segundo plano, apenas o busto do governador José Serra, virtual candidato da oposição. Também esquecido num cochilo da memória presidencial, quando Lula convidou o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, a assumir o compromisso de dar um presente à cidade, no mutirão para livrar a capital das enchentes.


Ora, o prefeito Kassab, tal como o presidente Lula e o governador José Serra estão em fim de mandato, com mais 10 meses e cinco dias de governo. E, se em quatro anos não desentupiram ralos, em dez meses o prazo é curto para executar um projeto para valer. O presidente embalou no sonho de grandeza ao reproduzir a sua conversa ao pé do ouvido do paparicado prefeito Gilberto Kassab: “Eu disse ao Kassab, agora há pouco, o que nós, governo federal, estadual e municipal precisamos, não apenas em relação a São Paulo, mas em relação às regiões metropolitanas do país, sentar e tentar encontrar uma alternativa definitiva para resolver os problemas das enchentes, da saúde, do transporte e da segurança”. Como se constata um programa gigantesco, que ser discutido pelos partidos e candidatos com larga antecedência, para o lançamento como tema de campanha.


A chuvarada dos últimos dias na cidade, encurtou os discursos do presidente Lula, da ministra Dilma Rousseff, do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes na inauguração de uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O presidente chegou com uma hora de atraso na Zona Oeste do Rio, onde estava armado o palanque para a festança, que a chuva torrencial estragou. E que o presidente aproveitou para a gentileza da explicação: “Eu vou ser muito breve porque não é justo vocês continuarem tomando essa chuva”.


Esta chuvarada ainda vai atrapalhar o mutirão prometido pelo presidente dos cinco em 10 meses. E com a campanha a exigir viagens, comícios e discursos em todo o país.

 
 

A lei não vale para todos
    janeiro 25, 2010

Esta pré-campanha está batendo todos os recordes de desafiadora desobediência à legislação eleitoral e com a marca da rebeldia carimbada pelo presidente Lula e a sua ministra-candidata Dilma Rousseff, levada do arrastão da bagunça. Não há inauguração de gabinete dentário em grupo escolar que a dupla não compareça para as fotos cortando fitas e os improvisos do maior líder popular do mundo, com 82% de aprovação nas pesquisas. Por vezes, o exagero chega ao ridículo. Mas, que importa? Lula e Dilma caçam votos.


Sábado, no interior de São Paulo, o presidente Lula inaugurou a sua assinatura na autorização de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). E o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, presidente da Câmara e candidato declarado e sorridente a vice na chapa de Dilma, discursou com a cautela de presidente da gloriosa Câmara dos Deputados, campeã mundial de mordomias, vantagens, assessores, gabinetes, passagens para o fim de semana nas bases eleitorais e demais maroteiras que se igualam às do pior Senado de todos os tempos. No improviso que deliciou a ministra-candidata, o candidato a seu companheiro de chapa, derramou-se em gentileza, afirmando que ela “está habilitada a levar os brasileiros para o paraíso”.


Lula não poderia perder o torneio de elogios. Numa mesma frase, zombou da legislação eleitoral e do Supremo Tribunal Federal : “Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito e quem vier depois de mim, eu por questões legais não posso dizer quem é , espero que vocês adivinhem, vai encontrar um programa pronto com dinheiro no Orçamento”.


O esquema do governo para burlar a legislação eleitoral é refinado. Em outra etapa, a estratégia para não arriscar uma punição à trinca de réus do processo do escândalo do mensalão que corre no Supremo Tribunal Federal (STF), os dirigentes petistas José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha devem atuar nos bastidores da campanha da ministra Dilma Rousseff.


Os outros envolvidos no processo do mensalão devem disputar mandatos de deputados e senadores por São Paulo. Mas, com discrição, pedindo votos por favor, como quem pede desculpa