O baixo nivel da campanha
setembro 3, 2010
O baixo nível da campanha
Villas-Bôas Corrêa
O noticiário político nos principais jornais do país está migrando para as páginas de polícia. Nem seria necessário, pois os leitores atentos já arrumaram a cabeça, enquanto cuidam do enjôo que embrulha o estomago. Qual é o tema da troca de setas envenenadas entre a favorita virtualmente eleita candidata Dilma Rousseff – cria do presidente e o seu imbatível puxador de votos? Projetos, itens do programa de governo? São assuntos enfadonhos que não interessam ao respeitável público, já conformado e decidido a levar na troça o desfile dos que mendigam o seu voto na baixaria dos programas de propaganda eleitoral.
Nesta semana, a denúncia da quebra de sigilo fiscal na receita de Verônica Serra, filha do candidato tucano de oposição, José Serra, promoveu a política a manchete da primeira página dos jornais. E, certamente, serão a matéria de capa das revistas. Não ficamos por aí. A Polícia Federal investiga também a violação das contas no Banco do Brasil, do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afinal baixou a terra e determinou que a Polícia Federal acelere as investigações na peneira esburacada da Receita, deixando o secretário Otacílio Cartaxo na situação de quem perdeu o rumo no túnel escuro.
A candidata Dilma Rousseff nas muitas alterações no seu esquema de campanha, passou a evitar debates com os demais candidatos, escondida na torre de marfim do seu favoritismo nas pesquisas. E comemora a decisão do corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , Aldir Passarinho que arquivou o pedido do PSDB para cassar o registro da candidata governista.
Não é necessário mais para o flagrante do baixo nível desta azarada campanha. Mais grave e desesperante é o nível da absoluta maioria dos candidatos que desfilam no programa de propaganda eleitoral. O voto passou a ser uma obrigação penosa, da qual estou dispensado pela idade. E pela primeira vez não votarei.
O que parecia impossível é mais do que provável, mas inevitável: o próximo Congresso será pior do que o atual, até agora o recordista absoluto.

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